Mês de luta na Fidelidade de Évora por direitos e contra discriminação

LUTA O Sinapsa e os trabalhadores do centro de atendimento de Évora da Fidelidade responderam às pressões patronais e à conivência da ACT com um mês de greves e concentrações.

As duas empresas recusaram reunir-se com o Sinapsa na DGERT

Anteontem, dia 19, deslocou-se para junto do Centro Local da ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho), em Évora, o foco da luta dos trabalhadores do call center do Grupo Fidelidade, com o objectivo de publicamente mostrar que a entidade fiscalizadora «é muito responsável por aquilo que se está a passar», pois «são permissivos» e «estão sempre do lado da empresa».
Carmen Nunes, dirigente do Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (Sinapsa), relatou ao Avante! que foi deixado na ACT um dossier com diversas situações que foram avaliadas de forma incorrecta.
Entre outros casos, cuja reapreciação é exigida, está a proibição de entrada de um piquete nas instalações, em dia de greve. A Fidelidade impede que as delegadas sindicais distribuam informação no local de trabalho, discrimina os associados do Sinapsa no pagamento das horas suplementares, aplica descontos na atribuição de prémios remuneratórios, levanta processos disciplinares sem fundamento. «É uma autêntica selva», resumiu a dirigente.
Nos dias 5 e 12 de Fevereiro, em greves alternadas, dezenas de trabalhadores deslocaram-se a Lisboa, para se manifestarem frente à sede da companhia, no Largo do Calhariz, na altura em que ali se reunia o conselho de administração. Uma acção semelhante está marcada para a próxima terça-feira, dia 26.
O «mês de luta» ficará concluído a 6 de Março, dia de greve e de concentração no exterior do call center.
Com a solidariedade activa do PCP – que chegou a realizar, em Julho, uma audição no Parlamento sobre este problema –, os trabalhadores do centro de atendimento da Fidelidade, em Évora, subcontratados através da Newspring Services e organizados no Sinapsa, desenvolveram desde o início de 2018 um processo reivindicativo para pôr termo a uma situação que, para muitos, se arrasta há dez anos ou mais.
Como Carmen Nunes referiu na primeira concentração no Calhariz, os trabalhadores (mulheres, na maioria) recusam ser «discriminados e subjugados». Ganham 600 euros, menos cem do que é pago no call center em Lisboa e muito menos do que recebe um trabalhador contratado directamente pela Fidelidade para as mesmas funções.
Suscitou particular descontentamento o facto de ter sido exigido trabalho extraordinário gratuito, para o «banco» de horas, para compensar o encerramento no dia 24 de Dezembro, decidido pela Fidelidade para todos os serviços.
A luta ganha ainda mais razão depois de as empresas – tanto a «prestadora de serviços», como a Fidelidade – terem recusado uma reunião com o sindicato, marcada pela DGERT (Ministério do Trabalho) para 15 de Fevereiro. Antes já tinha havido «várias promessas de agendamento de reuniões que nunca se concretizaram», como o Sinapsa referiu, ao anunciar a acção de dia 5.
Os cerca de 650 trabalhadores em Évora são excluídos da aplicação do acordo colectivo de trabalho (ACT), acordado em 21 de Dezembro com o Sinapsa e que tem um salário mínimo de 703,50 euros); não têm seguro de saúde, trabalham 40 horas semanais (35 horas no ACT) e gozam 22 dias de férias (até 25, no ACT).
O ACT assinado «é um bom acordo», «porém, somos um sindicato de classe e não podemos deixar de fora do conceito de dignidade os nossos colegas do centro de atendimento», sublinhou o Sinapsa.

Fidelidade em tudo
menos no vínculo

A luta foi deslocada até à sede da Fidelidade «porque estes trabalhadores pertencem aos quadros da companhia», reiterou o sindicato, dia 8, reagindo a uma comunicação da seguradora, que alegou nada ter a ver com o protesto, dada a subcontratação.
Na verdade, contrapôs o Sinapsa, «a Fidelidade reconhece que subcontrata trabalhadores, que se integram na actividade da empresa, através da qual é prestado apoio a centenas de clientes da companhia, que tratam de problemas que decorrem do exercício da actividade seguradora». São trabalhadores que «trabalham com equipamentos da companhia, emitem apólices da companhia e respondem em nome da companhia». «A única coisa que lhes falta para serem trabalhadores da Fidelidade é a relação contratual com a própria companhia», assinalou o sindicato.

 



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