Morte na mina é falha de segurança
«Se existiu uma morte, é óbvio que houve falha de segurança», comentou o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), a propósito do grave acidente que ocorreu no dia 11, na mina de Feitais, em Aljustrel.
O acidente, que provocou também feridos, um dos quais com gravidade, «vem dar razão aos insistentes alertas» do sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN, «quanto à ausência de práticas de prevenção e segurança e à falta de adequada fiscalização das condições de laboração nas Minas de Aljustrel», refere-se numa nota de imprensa divulgada no dia 12.
Admitindo que alguém possa «alegar que a queda de uma carrinha pick-up no desmonte, para um fosso com 40 metros, se deveu a erro humano», o STIM salienta que «a empresa deve tomar todas as medidas de prevenção possíveis para evitar tais erros, e isso não foi feito seguramente».
Para o sindicato, «não é significativo o facto de o trabalhador falecido e o seu camarada gravemente ferido estarem vinculados à EPDM», subcontratada pela Almina Minas de Aljustrel, a concessionária da exploração, pois «não se pode ignorar que ambas pertencem a um mesmo grupo, onde predominam os irmãos Martins, fundadores e administradores da Martifer».
Na nota, recorda-se que «em menos de uma década, ocorreram três acidentes mortais em Aljustrel», sendo que o STIM «tem conhecimento de acidentes graves, não foram foi mortais». A explicar tal situação, o sindicato afirma que «não há formação condigna para a profissão e faltam práticas de segurança que deveriam estar no topo das prioridades destas entidades patronais». Mas «à situação laboral que se vive nas minas de Aljustrel não é estranha também a forma como as empresas procuram dificultar a organização dos trabalhadores e a sua intervenção colectiva», proibindo «a entrada de dirigentes do sindicato nas instalações da Almina, bem como o desenvolvimento de actividade sindical».
«Em empresas como estas, com reconhecido risco elevado, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) tem de estar presente no terreno e possuir meios para uma fiscalização eficaz», mas, «em geral, quando o sindicato solicita a sua intervenção, não responde positivamente».
Voto na AR
Por iniciativa do PCP, um voto de pesar foi aprovado, por unanimidade, no dia 15, no plenário parlamentar, defendendo que «o aproveitamento dos recursos e potencialidades existentes no Alentejo e no País, em geral, tem de ser acompanhado da melhoria das condições de trabalho, incluindo a segurança, por forma a evitar acidentes como o que vitimou Joaquim Guerreiro e feriu outros mineiros, um deles com gravidade».