Os «cónegos» do costume
Cónego Melo é o nome que intempestivamente nos ocorre quando por aí vemos a campanha terrorista em curso na e contra a Venezuela.
Poderíamos com legitima indignação verberar a ilimitada hipocrisia dos que clamando por «legitimidade democrática» correm a reconhecer um auto-proclamado «presidente»; dos que clamando por «eleições livres» dão guarida e reconhecimento a um presidente fantoche indigitado por Trump e Bolsonaro contra o legitimo presidente do país eleito num acto supervisionado internacionalmente; dos que apoiando a desestabilização política, a sabotagem económica, a promoção de bandos terroristas e até agora roubando ouro, recursos e divisas que são pertença da república bolivariana agitam o caos que criaram para justificar uma «ajuda humanitária» (que como se viu na Síria ou no Iraque) é o biombo para a invasão armada.
Poderíamos com idêntica indignação ver por cá o Governo do PS prestar vassalagem à União Europeia em detrimento dos interesses de Portugal e da comunidade portuguesa, o BE saudar a «sensatez» do posicionamento do Governo português, o PSD e o CDS a exercitarem a sua catilinária anti-comunista.
Podendo isto tudo não se resiste, entretanto, a assinalar a sanha de Nuno Melo que de dedo em riste acusa o PCP de defensor de «ditaduras e opressão». Nuno Melo quando invoca para o CDS falsamente valores com os da «democracia e decência» devia parar para pensar. Se o fizesse talvez lhe viesse à memória esse apelido que partilha com o tal cónego que em 1975 foi rosto do braço armado, que uniu CDS e organizações de extrema-direita, da rede bombista e terrorista que lavrou em várias zonas do país contra a Revolução de Abri.