Os «cónegos» do costume

Jorge Cordeiro

Cónego Melo é o nome que intempestivamente nos ocorre quando por aí vemos a campanha terrorista em curso na e contra a Venezuela.

Poderíamos com legitima indignação verberar a ilimitada hipocrisia dos que clamando por «legitimidade democrática» correm a reconhecer um auto-proclamado «presidente»; dos que clamando por «eleições livres» dão guarida e reconhecimento a um presidente fantoche indigitado por Trump e Bolsonaro contra o legitimo presidente do país eleito num acto supervisionado internacionalmente; dos que apoiando a desestabilização política, a sabotagem económica, a promoção de bandos terroristas e até agora roubando ouro, recursos e divisas que são pertença da república bolivariana agitam o caos que criaram para justificar uma «ajuda humanitária» (que como se viu na Síria ou no Iraque) é o biombo para a invasão armada.

Poderíamos com idêntica indignação ver por cá o Governo do PS prestar vassalagem à União Europeia em detrimento dos interesses de Portugal e da comunidade portuguesa, o BE saudar a «sensatez» do posicionamento do Governo português, o PSD e o CDS a exercitarem a sua catilinária anti-comunista.

Podendo isto tudo não se resiste, entretanto, a assinalar a sanha de Nuno Melo que de dedo em riste acusa o PCP de defensor de «ditaduras e opressão». Nuno Melo quando invoca para o CDS falsamente valores com os da «democracia e decência» devia parar para pensar. Se o fizesse talvez lhe viesse à memória esse apelido que partilha com o tal cónego que em 1975 foi rosto do braço armado, que uniu CDS e organizações de extrema-direita, da rede bombista e terrorista que lavrou em várias zonas do país contra a Revolução de Abri.




Mais artigos de: Opinião

Novos nomes, velho roubo

Refere a SANA (agência noticiosa síria) que helicópteros dos EUA levaram cerca de 40 toneladas de ouro da Síria no âmbito de um acordo com o grupo terrorista Daesh (também conhecido por Estado Islâmico). Por outras palavras, os EUA garantiram a evacuação de centenas de terroristas do Daesh que se tinham entregado à...

Reler Dimitrov

Foi criada há um século a III Internacional (IC-Comintern). O seu trajecto histórico (1919-1943) é épico, seja no que acertou, seja no que errou. Uma das suas maiores figuras é Georgy Dimitrov, cujo relatório ao VII Congresso (1935) é um dos grandes documentos na história do Movimento Comunista. A sua releitura surge...

Notas sobre floresta e incêndios

Quando estamos a poucos meses de um novo período propício à ocorrência de fogos florestais, importará fazer um exercício de memória em torno dos desenvolvimentos após os trágicos acontecimentos de 2017 e 2018.

(Des)Humanos

Numa sociedade em que os «mercados» reagem com euforia aos despedimentos em massa ou às agressões militares capitaneadas pelos EUA e afins, e entram em depressão com o mais leve sinal de política de esquerda, os direitos humanos são cotados em alta sempre que em causa estão interesses que rendem chorudos lucros. Quando a...

Limiar perigoso

Os EUA confirmaram no início do mês a suspensão da participação no Tratado de eliminação de armas nucleares de curto e médio alcance. Dentro de seis meses será muito provavelmente consumado o abandono unilateral do acordo assinado em 1987 com a URSS que levou à eliminação completa dos mísseis nucleares terrestres com um...