Venezuela denuncia novas ameaças dos EUA
INTERVENÇÃO O governo venezuelano denunciou as novas ameaças do presidente dos EUA de uma intervenção militar na Venezuela, ameaças que violam os princípios da Carta das Nações Unidas.
Donald Trump repete que opção militar está em cima da mesa
Um comunicado do governo da Venezuela rejeitou as declarações de Donald Trump repetindo que «todas as opções estão em cima da mesa» para derrubar a Revolução Bolivariana. Desta vez, Trump estendeu a ameaça aos povos de Cuba e da Nicarágua.
O chefe da Casa Branca, «perante o evidente fracasso da sua agenda golpista que tem por objectivo instalar na Venezuela um governo títere que avalize o saque dos recursos do país, pretende agora ditar ordens aos militares venezuelanos», afirma o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros. E destaca que Washington demonstra a sua pouca compreensão do espírito de lealdade da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), «forjado no legado de luta de Simón Bolívar e do seu valente Exército Libertador».
O executivo da Venezuela exigiu o fim imediato das medidas coercivas e unilaterais aplicadas contra o país, as quais «configuram um bloqueio ilegal e criminoso». Já o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, repudia o que considera ser um discurso «ao estilo nazi».
Falando na Universidade da Florida, em Miami, na segunda-feira, 18, Trump incitou os militares venezuelanos à traição, ofereceu-lhes uma «amnistia» e instou a FANB a deixar entrar no país a suposta «ajuda humanitária» enviada pelos EUA para a fronteira da Colômbia. O presidente dos EUA acusou o «socialismo venezuelano» de ser responsável pela falta de alimentos e medicamentos no país. «Esqueceu-se» de referir as sanções ilegais e unilaterais impostas por Washington contra a Venezuela. Devido a esse bloqueio, o país perdeu 38 mil milhões de dólares nos últimos três anos.
No dia 13, o governo cubano denunciou movimentações militares norte-americanas em redor da Venezuela; dias depois surgiu o anúncio de que uma forta naval está instalada na costa da Florida, da qual faz parte o porta-aviões USS Abraham Lincoln.
Concerto pela paz
Em Caracas, o ministro da Comunicação, Cultura e Turismo, Jorge Rodríguez, anunciou a realização, nos dias 22 e 23, por iniciativa de artistas venezuelanos e estrangeiros, de um concerto pela paz, denominado «Para a guerra nada».
A manifestação cultural terá lugar na Ponte Internacional Simón Bolívar, que liga a Venezuela e a Colômbia, e ampliará a denúncia das agressões políticas, económicas e diplomáticas orquestradas pelos EUA e seus aliados contra o país bolivariano.
Em paralelo ao concerto, sob a consigna «Hands off Venezuela», o governo venezuelano promoverá uma jornada de atenção médica e distribuição de alimentos à população vulnerável fronteiriça de Cúcuta.