Populações dizem «Não» ao aeroporto no Montijo
Centenas de pessoas manifestaram-se, no sábado, 29 de Setembro, contra a construção do novo aeroporto para companhias lowcost na base aérea do Montijo.
«Não há estudos que comprovem que a Base Área n.º 6 (BA6) é uma boa localização, mas sabemos que vai ter muitos impactos negativos, porque a aproximação e a descolagem das aeronaves vai ser feita sobre zonas habitacionais consolidadas, no Barreiro, na Baixa da Banheira e na Moita», disse, à Lusa, o presidente da Câmara Municipal da Moita, Rui Garcia, que se associou à manifestação organizada pela Plataforma Cívica Aeroporto BA6 – Montijo Não.
Para o presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira (Moita), Nuno Cavaco, este é «um processo sem transparência nenhuma, que não respeita os planos de ordenamento». «Quando os aviões andavam em testes, há cerca de três meses, as pessoas ficaram alarmadas. O que aí vem será muito pior», disse, convicto de que a escolha do Montijo, em detrimento do campo de tiro de Alcochete, é uma má opção para a região e para o País.
Ceder a interesses
Dias antes, a Plataforma Cívica Aeroporto BA6 – Montijo Não acusou o Governo de estar a ceder aos interesses privados da VINCI, depois de o primeiro-ministro ter afirmado, dia 27 de Setembro, na IV Cimeira do Turismo Português, que apenas se aguarda o estudo de impacto ambiental para a solução aeroportuária Portela + Montijo se tornar «irreversível».
A plataforma discordou das declarações de António Costa, referindo até que «roçam o grotesco». «Faz mal o primeiro-ministro em colocar o Governo na posição de aconselhar o que a Agência Portuguesa do Ambiente deve aprovar. Mais, faz mal o primeiro-ministro em desconsiderar a fase, obrigatória, de consulta pública, do referido estudo», refere-se, em comunicado.