Falcões e vassalos

Manuel Rodrigues

Como é sabido, a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) tomou a iniciativa de uma série de passos no sentido da paz e do desanuviamento na península coreana com impacto mundial.

Apanhados de surpresa, os EUA reagiram apressando-se a «apanhar o comboio» em movimento. Marcou-se uma cimeira e, ao mesmo tempo, prosseguiram as provocações à RPDC.

Primeiro foi a provocação do senhor John Bolton ao sugerir que se seguisse o «modelo líbio» para o fim do programa nuclear. Foi também a realização provocatória de exercícios militares conjuntos EUA-Coreia do Sul em plena região. E a finalizar, foram as aberrantes declarações do próprio Trump a não deixarem margem para dúvidas: «vocês falam das vossas capacidades nucleares, mas as nossas são tão excepcionais e fortes que rezo a Deus para nunca terem de ser usadas».

Sobre a atitude de Trump, está tudo dito. O imperialismo é assim mesmo. É por natureza explorador, opressor, agressivo e predador e só a luta dos trabalhadores e dos povos lhe poderá fazer frente e determinar avanços no sentido da paz.

Como se isto não fosse já bastante para nos causar profunda indignação, é espantoso que haja quem veja nisto uma espécie de «jogo» e não consiga discernir as ameaças a toda a humanidade. É o que faz Leonídio Paulo Ferreira no DN da passada sexta-feira, 25, ao escrever : «Trump mais esperto do que Kim, desta vez», acrescentando em supino desabafo: «qualquer que seja a reacção, Trump para já está a ganhar».

Obviamente, sempre que as tensões internacionais crescem, Trump fica a ganhar, porque é de guerra que é feita a sua natureza. Mas o mundo fica a perder porque aos povos só a paz pode interessar.

Por que será que nem isto os vassalos da ideologia dominante conseguem enxergar?




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