Igualdade no papel

Vasco Cardoso

Ficámos esta semana a saber pelo Jornal de Negócios que a Semapa, a maior empresa no sector do papel, cumpre a Lei da Paridade. Actualmente, as empresas cotadas na bolsa de valores são obrigadas por lei a ter pelo menos 20% de mulheres nos seus lugares de topo. E a Semapa tem!

Depois das quotas nas listas eleitorais, apareceram os seus sucedâneos. Quotas nos altos cargos da administração pública e quotas nos lugares de topo das grandes empresas. Eis o pináculo da igualdade entre homens e mulheres, como aliás foi sublinhado por grande parte da comunicação social dominante, que delirou com tamanho passo no sentido do progresso.

O PCP, incapaz de acompanhar os sinais dos tempos, não só se insurgiu contra o carácter artificial de tais medidas, como ainda teve o atrevimento de relembrar que tinha sido o parlamento com mais mulheres que tinha aprovado o corte nos salários. Ai foi!? Foi. Porque mais do que o sexo, o que determina o carácter das decisões que ali são tomadas são as opções de classe de cada força política, e por maioria de razão, também são os interesses de classe e não outros que estão presentes nas decisões dos grupos económicos. Lá está o PCP...

Mas Pedro Queiroz Pereira, principal accionista da Semapa e um dos principais capitalistas da nossa praça percebeu bem o alcance e espírito da lei que PS, PSD, BE e PAN aprovaram em Abril. E tratou já de indicar três filhas para o conselho de administração da empresa.

Parabéns ao PS, parabéns ao PSD, parabéns ao BE e ao PAN por obrigarem os capitalistas a terem que engolir a igualdade de género nas mesas dos seus conselhos de administração. A partir de agora, na Semapa, nada será como dantes!




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