De Abril a Maio, rumo a 9 de Junho

Paulo Raimundo (Membro do Secretariado)

A ma­ni­fes­tação de 9 de Junho, con­vo­cada pela CGTP-IN, será cer­ta­mente o re­sul­tado de uma in­tensa luta, mas cons­ti­tuirá também um sinal claro e muito forte da de­ter­mi­nação, força e di­reitos dos tra­ba­lha­dores.

Au­mentar e elevar a luta é a res­posta que se impõe

Con­cen­tração dos bol­seiros de in­ves­ti­gação ci­en­tí­fica; pro­testos na So­ares da Costa; mais de mil téc­nicos da saúde em ma­ni­fes­tação; en­fer­meiros de Lisboa, Ama­dora-Sintra, São João, mi­se­ri­córdia de Alhos Ve­dros em greve; nono dia de greve na Te­gopi; greve na Efacec; se­mana de luta na Nobre; 50 mil pro­fes­sores e edu­ca­dores em ma­ni­fes­tação; tra­ba­lha­dores da Pe­trogal ma­ni­festam-se e avançam com greve para Junho; greve nas lojas francas; grande greve dos mé­dicos; greve nos Hos­pi­tais Lu­síadas; ope­ra­dores de call center exigem me­lhores con­di­ções; con­cen­tra­ções dos tra­ba­lha­dores da cul­tura e agentes cul­tu­rais; luta obriga Re­ditus a pagar sa­lá­rios em atraso; greve fecha lojas do Mi­ni­preço e Clarel; forte greve do pes­soal não do­cente das es­colas; tra­ba­lha­doras da lim­peza em greve no Ca­sino de Vi­la­moura; luta firme na Bimbo; EMEF em luta; pa­ra­li­sação no Grupo IP; greve forte nos mu­seus; em­presas ro­do­viá­rias do Porto, Braga, Viana do Cas­telo e Bra­gança em luta; greve his­tó­rica na Rya­nair; luta em curso no Jumbo, Box, Pão de Açúcar e Pingo Doce; con­cen­tração dos guardas pri­si­o­nais; Lidl em greve ao tra­balho su­ple­mentar; pri­meira greve no Grupo Águas de Por­tugal; greve nas lojas Con­ti­nente, lo­gís­ticas da Sonae, El Corte In­glés e Fnac; novas lutas na Preh, Sa­copor, Mecfri e Ma­ni­towoc; greve no ser­viço de ali­men­tação dos Hos­pi­tais da Uni­ver­si­dade de Coimbra; forte adesão nas Águas e Re­sí­duos da Ma­deira; greves par­ciais na INCM; vi­gília das forças de se­gu­rança e as­so­ci­a­ções mi­li­tares no Pa­lácio de Belém; luta no Centro de Con­tacto da EDP em Seia, Trans­tejo, So­flusa, Transdev Norte e Minho Bus; es­ti­va­dores do Porto de Lisboa em greve ao tra­balho ex­tra­or­di­nário; luta dos por­tuá­rios nos Açores e ma­ri­nheiros da Atlân­ti­co­line (adesão de 100%); ins­pec­tores de saúde animal exigem di­reito à car­reia; greve na Sa­copor e IPMA; luta dos car­teiros e tra­ba­lha­dores dos CTT; tra­ba­lha­dores com vín­culo pre­cário da CM Al­mada em luta; mo­ni­tores dos re­cursos ma­rí­timos em greve; ele­vada adesão à greve na Inapal Plás­ticos; téc­nicos es­pe­ci­a­li­zados de edu­cação em luta; greve dos tra­ba­lha­dores do centro de aten­di­mento da Fi­de­li­dade; luta na pe­dreira de már­mores A. Bento Ver­melho; luta em de­sen­vol­vi­mento na Medway/​MSC, can­tinas do Hos­pital de Coimbra, MECFRI-IND, Bingo do Atlé­tico, Mul­ti­auto, Evo­racar e lim­peza do Hos­pital São Ber­nardo...

Luta é o ca­minho

A par de umas po­de­rosas co­me­mo­ra­ções po­pu­lares do 25 de Abril, de um 1.º Maio como há muito não se via e da acção de­sen­vol­vida por di­fe­rentes sec­tores, é na luta tra­vada nas em­presas e lo­cais de tra­balho (como a in­com­pleta lis­tagem entre Abril e Maio acima evi­dencia) que se estão a de­cidir o au­mento de sa­lá­rios, ho­rá­rios dignos, fim da pre­ca­ri­e­dade, di­reitos co­lec­tivos. Uma luta de­ci­siva pelo que al­cança em cada local, pelo que alarga na cons­ci­ência do ca­minho que o País pre­cisa de tri­lhar, o da va­lo­ri­zação do tra­balho e dos tra­ba­lha­dores, co­lo­cando-o no centro da acção po­lí­tica.

Num mo­mento em que uns de­finem es­tra­té­gias de caça ao voto pis­cando à es­querda es­tando de braço dado com os que estão à sua di­reita em tudo o que é es­tru­tural; em que ou­tros tudo fazem para que se es­queça o seu pas­sado re­cente e as suas res­pon­sa­bi­li­dades na si­tu­ação do País; e em que ou­tros ainda, sempre em bicos de pés, tentam puxar por tudo o que os ponha na ri­balta me­diá­tica seja qual for o as­sunto e o ob­jec­tivo – a questão que se co­loca é au­mentar e elevar a luta e, com ela, de­ter­minar o rumo e os ca­mi­nhos pre­sentes e fu­turos a tri­lhar. A luta con­tinua!

 



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