Grandes exigências maior determinação

Rui Fernandes (Membro da Comissão Política)

Estamos prestes a iniciar as comemorações do 97.º aniversário do Partido. Uma parte significativa da longa vida do Partido foi vivida em estreita ligação à classe operária, aos trabalhadores, ao nosso povo, a encontrar respostas e a abrir os caminhos, num combate sem tréguas que haveria de conduzir à Revolução de Abril, prestes a comemorar os seus 44 anos.

Reforço do aparelho produtivo e da produção nacional é indispensável

A situação económica e social do País continua marcada pelas consequências de décadas de política de direita particularmente agravadas pelo governo PSD/CDS. A destruição de direitos e condições de vida do povo português, a abdicação da soberania nacional, o fortalecimento do poder do capital monopolista, acompanhado de uma intensa ofensiva político-ideológica visando a aceitação do retrocesso civilizacional e a promoção do anticomunismo, continuam a marcar e a condicionar a evolução futura.

A situação escandalosa, a título de exemplo, na PT, nos CTT ou na EDP, com uma crescente degradação dos serviços públicos prestados, o ataque aos direitos dos trabalhadores e o agravamento dos preços e tarifas, é reveladora da incompatibilidade entre os interesses nacionais e os dos grandes grupos económicos. Prossegue uma política orientada por opções de contenção do crescimento dos salários. O reforço do aparelho produtivo nacional continua a não ser assumido como prioridade estratégica.

Dois anos da nova fase da vida política nacional mostram que é na valorização do trabalho e dos direitos, na elevação dos salários e pensões, e não na intensificação da exploração e do empobrecimento, que assentam as bases de um crescimento económico que, entre outras condições, exige o decisivo reforço do aparelho produtivo e da produção nacional indispensável ao desenvolvimento soberano.

Neste contexto, acentuam-se cada vez mais os tratamentos mediáticos de casos a partir de uma grelha populista, que são acompanhados no plano político pelas forças do grande capital e dos sectores políticos a elas associados no PSD e no CDS. Mas não há operação plástica, como a pretendida efectuar no recente congresso do PSD, que consiga esconder os reais objectivos que marcam as suas intenções e dão conteúdo às suas políticas.

Conforme é referido no comunicado da última reunião do Comité Central «Romper com a política de direita, independentemente de ser realizada pelo PSD e CDS, ou pelo PS sozinho ou não, construir a alternativa política e concretizar uma política alternativa é a questão essencial que se coloca aos trabalhadores e ao povo português e cuja concretização só será possível com o decisivo reforço do PCP e da sua influência».

Na verdade, a vida mostra cada vez mais a impossibilidade de responder aos problemas de fundo do País mantendo os amarramentos ao euro e às suas teias. O PCP afirma-se como a força portadora da política alternativa, a Política Patriótica e de Esquerda necessária a um Portugal com futuro. Uma política que rompa com a exploração, o empobrecimento, o declínio e a dependência, e assegure um Portugal com futuro, desenvolvido e soberano.

Reforçar a acção política
e a organização partidária

No quadro da acção e iniciativa do Partido, de entre as várias linhas prioritárias a efectivar durante o ano, destaca-se desde já o início da campanha «Valorizar os Trabalhadores. Mais Força ao PCP». Uma campanha que usará vários suportes, mas que terá de contar com um insubstituível: o do contacto directo, cara-a-cara, com os trabalhadores. Uma campanha que estimule a que cada trabalhador agarre os seus direitos, reclamando os que foram retirados e conquistando os muitos outros que consagrem a dignificação da sua vida.

Acção e iniciativa que tem de andar a par com o reforço da militância, reforço da independência financeira do Partido, criação de estrutura partidária nas empresas e locais de trabalho; desenvolvimento de uma ampla acção de contacto, com principal foco nas empresas e locais de trabalho, com vista a trazer ao Partido novos membros que darão, com o seu saber e experiência, um reforçado contributo à nossa luta e objectivos.

As exigências que se nos apresentam são grandes, mas maior é a nossa confiante determinação.




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