Agir, intervir e organizar com novo CT no Cadaval
INTERVENÇÃO «Mesmo nos sítios onde há mais dificuldade, é possível avançar!», afirma a organização do Cadaval que, no passado domingo, 11, inaugurou o novo Centro de Trabalho.
O novo CT do Cadaval já está em funcionamento
Após a decisão colectiva do arrendamento, durante dois meses os militantes da organização local do Partido, ajudados por camaradas dos concelhos vizinhos, entraram em acção: limparam, rasparam, taparam, mobilaram, transportaram, decoraram e voltaram a limpar. Durante 12 anos, a loja tinha permanecido fechada.
Extinta a sapataria, a degradação e a humidade tomaram conta das paredes, dos tectos, das portas e das janelas. Só a urgência e a necessidade de não deixar de ter o Centro de Trabalho que estavam prestes a perder não fez baixar vontades perante o que os olhos viam. Após as obras e a limpeza, a casa deixou de estar igual à do lado, que permanecendo abandonada mostra bem as dificuldades por que passam micro, pequenos e médios empresários.
Há semanas que, por cima da porta, visível de longe, a placa indica o Centro de Trabalho do PCP. E na montra principal, a bandeira comunista – bordada à mão – destaca a dimensão histórica e emoldura peças de cerâmica e de metal com os símbolos comunistas. A quem passa, cativam o olhar e o pensar e decerto dão o mote a conversas sobre este Partido tão presente na história e na vida do País e das suas populações, mas tão escasso na comunicação social.
No período de intervenções, Ricardo Miguel, da Comissão de Freguesia, Elizabete Santos, responsável pelos concelhos do Oeste, Gonçalo Tomé, do Secretariado da Direcção da Organização Regional de Lisboa, e o Secretário-geral Jerónimo de Sousa saudaram a meia centena de homens e mulheres presentes para a inauguração, velhos e novos, mas iguais na condição superior de terem a transformação das circunstâncias por tarefa. Nem a chuva nem o frio dissiparam a alegria vivida pela abertura do novo Centro de Trabalho, brindando com vinho e pão-de-ló da região, entre outras iguarias.
Ligação ao povo
Ricardo Miguel lembrou em nome do colectivo local que «não basta ter um Centro de Trabalho. É necessário que todo o espaço seja aproveitado, vivo e vivido, para discutir, confraternizar, apoiar os trabalhadores e a população. Somos uma organização pequena mas disposta a continuar a luta em defesa dos cadavalenses».
Também Jerónimo de Sousa afirmou o novo Centro de Trabalho como «elemento fundamental» no reforço do Partido. «Sem esta arma política estaríamos dependentes de interesses de outros», disse, enaltecendo a decisão dos militantes em procurarem outra casa após saberem da perda da que tinham. Sublinhando mais esse esforço feito «no Cadaval, onde não tendo uma organização muito forte, não podemos desvalorizar o facto de que vai no sentido do crescendo», reforçou a importância dos resultados alcançados nas últimas autárquicas, que possibilitam o crescimento da «nossa influência política aqui no concelho».
O PCP, acrescentou Jerónimo de Sousa, «tem ao longo da sua história um passado de resistência resultante destes dois factores: a profunda ligação ao povo e a forte organização». É, pois, discutindo «os problemas dos produtores e das populações» que almejamos um Partido «mais forte para agir, para intervir e para organizar». Para alcançar este objectivo estão em curso «campanhas de contactos e de recrutamento em todo o País».
Esperança e luta
Comentando o facto de haver quem tenha a pretensão de «denegrir o nosso Partido» para tal contando «meia verdade, meia mentira», Jerónimo de Sousa realçou: «E fazem-no porquê? Porque não há Partido como este.» O Secretário-geral do Partido destacou em seguida que «importa conhecer a realidade em que vivemos, o que anima e o que preocupa a população do Cadaval, seja na agricultura ou no plano social». Não esquecendo as «grandes dificuldades» que o Partido passou no concelho: quando apetecia desistir, não o fizemos. «A vida do Partido nunca foi fácil mas nunca perdemos a esperança.»
Referindo-se à actual fase da vida nacional, Jerónimo de Sousa assinalou o «descongelamento das carreiras e da progressão» na Administração Pública, mas reafirmou o empenho dos militantes comunistas na luta pelo aumento geral dos salários para todos os trabalhadores, bem como as propostas do PCP nesse mesmo sentido. Contudo, lembrou, a luta dos trabalhadores e o seu desenvolvimento é a questão determinante.