ONU discute escravos na Líbia
O Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou para anteontem uma sessão extraordinária para analisar o tráfico de seres humanos na Líbia. A iniciativa ocorre após a cadeia norte-americana CNN ter emitido uma grande reportagem em que se revela a existência de mercados de escravos nos arredores de Tripoli, a capital do país, controlado por bandos criminosos e respectivas milícias desde que a intervenção militar da NATO, em 2011, derrubou e assassinou o líder histórico Muhammar Kadhafi e lançou a Líbia no caos.
Segundo a investigação da CNN, migrantes oriundos da África subsaariana são trazidos para a Líbia com a promessa de passagem para a Europa, mas acabam vendidos em leilão. Ignora-se quantos são ou terão sido os seres humanos escravizados, mas o fluxo migratório através do Mediterrâneo e as massas humanas que têm transitado do Sul para o Norte do continente africano, parte dos quais permanecem nos países do Sahel (faixa de território entre o Oceano Atlântico e o Mar Vermelho, as zonas desérticas do Magrebe e as florestas tropicais), sugerem que se pode estar a falar de dezenas de milhares de pessoas e de um negócio que tem na Líbia apenas um dos seus vértices macabros.
Aliás, reagindo à informação da CNN, o Ruanda entrou em negociações com a União Africana a respeito do acolhimento de jovens subsaarianos traficados na Líbia e adiantou a sua disponibilidade para receber 30 mil migrantes, número que confirma a dimensão da tragédia.