Rússia critica condenação de Mladic

A Federação Russa entende que a sentença de prisão perpétua decretada pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ) contra o ex-comandante das forças militares da República Sérvia da Bósnia (RSB), Ratko Mladic, «compromete o processo de reconciliação nos Balcãs» e é «politizado», porquanto que se baseia numa «interpretação anti-sérvia dos trágicos acontecimentos da década de 1990 na antiga Jugoslávia» e «não menciona sequer o carácter ilegal das operações militares da NATO nos Balcãs». Semelhante opinião tem o advogado de defesa do ex-general sérvio-bósnio, que anunciou a intenção de recorrer.

O TPIJ considerou o réu culpado de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade na guerra da Bósnia (entre 1992 e 1995), cometidos em Srebrenica – zona protegida por capacetes azuis holandeses onde terão sido executados milhares de homens muçulmanos-bósnios – e durante o cerco a Serajevo, que durou três anos.

A generalidade das organizações internacionais saudou a condenação de Mladic, como já haviam feito relativamente ao ex-presidente da RSB, Radovan Karazic, o qual, tal como Mladic, andou fugido, foi capturado, levado para Haia e ali julgado e sentenciado (em Março de 2016), no caso a 40 anos de prisão efectiva.

Mladic e Karadzic foram dos poucos condenados pelo TPIJ, instância que tem sido alvo de um coro de críticas, designadamente a de ser um instrumento de punição instalado pelos «carrascos da Jugoslávia»: a NATO, os EUA e a UE.

Em Agosto do ano passado o TPIJ ilibou o ex-presidente da República Sérvia e da Federação Jugoslava, Slobodan Milosevic, dando como certo, com base no acórdão da condenação de Radovan karadzic, que aquele não apenas não tinha participado em nenhuma limpeza étnica de muçulmanos e croatas na Bósnia, como, pelo contrário, havia tentado impedir e combatido veementemente tais crimes.

Milosevic morreu nos calabouços de Haia em 2006, três dias depois de ter endereçado a Moscovo uma carta na qual denunciava que o estavam a envenenar. Foi o sétimo acusado pelo TPIJ a falecer em semelhantes circunstâncias em Haia. Ao longo dos cinco anos de cativeiro, Milosevic defendeu a conduta das autoridades da Jugoslávia durante o desmembramento e as características multi-comunitárias do país. Por outro lado, acusou a «comunidade internacional» de ter montado uma farsa, incluindo a de uma suposta limpeza étnica no Kosovo, alegação usada para a NATO bombardear, em 1999, durante 78 dias, a então Jugoslávia, operações que deixaram um número ainda por apurar de mortos.

Os acordos de paz que puseram fim à guerra na Bósnia, em 1995, reconheciam a soberania da Jugoslávia sobre o Kosovo, mas as potências da NATO instigaram a secessão deste território. Sabe-se hoje que no final do século XX nos Balcãs não ocorreu qualquer êxodo massivo da comunidade albanesa sob ameaça dos sérvios, e que, depois da declaração unilateral da independência, em 2006, o Kosovo liderado por ex-milicianos e grupos criminosos passou a ser uma plataforma de contrabando e tráfico, incluindo de órgãos humanos.




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