Cidade da Juventude

De alegria se faz o futuro

Domingos Mealha

Na Cidade da Juventude, construída junto ao Palco 25 de Abril, o tempo media-se de Novembro a Novembro, desde a Revolução Socialista na Rússia, em 1917, até às duas iniciativas nacionais da JCP em preparação para daqui a dois meses.
Os visitantes eram recebidos com a mensagem «É pela luta que lá vamos», em pontos diferentes. E assim, neste calendário de três dias, entrava o mês de Abril. Abril da revolução portuguesa e dos seus valores; e Abril também do 11.º Congresso da JCP, este ano, que teve por lema «Conquistar o presente, construir o futuro. É pela luta que lá vamos!».
A 11 de Novembro, em Lisboa, vão realizar-se o 14.º ENES (Encontro Nacional do Ensino Secundário) e a 16.ª CNES (Conferência Nacional do Ensino Superior) da JCP.
Outubro será o mês do 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que teve lugar de destaque na «cidade» no passado fim-de-semana.

 

Onde nasce o amanhã

Na Festa do Avante! os jovens são muitos e estão por toda a parte. A Cidade da Juventude é um espaço concebido, erguido e administrado pela Juventude Comunista Portuguesa, pelos militantes e amigos que noutros meses do calendário encontramos nos combates por uma escola pública, gratuita e de qualidade, pelo trabalho com salários justos e direitos, contra a precariedade no emprego e na vida.

Foi por eles preenchida aquela meia-encosta, em ligeira subida desde o caminho que ia aos bastidores do Palco 25 de Abril. Num plano mais elevado, instalaram o Palco Novos Valores.

Na exposição política, abordando os temas da actualidade, lembraram as lutas de Março, que assinalaram os 70 anos do Dia Nacional da Juventude e os 55 anos do Dia Nacional do Estudante. Nesse corredor de painéis, a ligar o palco ao piso inferior, foram colocados painéis de textos e imagens, um televisor e uma sugestão para um jogo didáctico-político de «quantos queres».

Ao centenário da primeira revolução socialista e ao festival em Sótchi, os criadores da «cidade» somaram nesta exposição as eleições do próximo dia 1, apontando a necessidade de ganhar mais votos para a CDU.

No piso inferior predominavam o Palco AGIT e uma grande esplanada-plateia, servida de perto pelo bar-restaurante vegetariano. A praça, a oferecer sombra agradável durante estes três dias tórridos, prolongava-se na direcção do Palco 25 de Abril, convidando a visitar a «banca de materiais», e renascia em miniatura no «lounge do FMJE», um bar-quase-miradouro com balcão, mesas e bancos criados a partir de paletas pintadas de vermelho.

A principal parede exterior, toda pintada de vermelho ocre, foi dedicada ao 11.º Congresso, com um mural que incorporou um televisor, a exibir passagens dos trabalhos da reunião magna da JCP, e onde também estava uma caixa de pré-pagamento.

E, acompanhando o balcão do Bar 25 de Abril, já estamos de novo a entrar na praça central, um anfiteatro aberto, delimitado por dois murais: em fundo preto, pouco atrás do Palco AGIT, foi listado o programa dos três dias, com as últimas actualizações; no lado oposto, na parede maior, letras brancas em fundo vermelho gritavam «A juventude é a chama mais viva da revolução», celebrando o centenário da tomada do poder pelos sovietes.

No palco com o nome do jornal da JCP (o AGIT também foi levado por brigadas militantes pelos caminhos da Cidade da Juventude e para fora dela), tiveram lugar dois debates no sábado: ao fim da manhã, sobre «Intervenção da juventude no plano local: em movimento por uma vida melhor», e a meio da tarde, para discutir «Quanto custa estudar em Portugal? A mercantilização do ensino». Também houve aqui, ao longo dos três dias, workshops e demonstrações, do krav maga à língua russa, do kickboxing a primeiros socorros.

À medida que o Sol se punha, a Cidade da Juventude ganhava vida diferente, com a energia a brotar do Palco AGIT sob a forma de música e luz, transformando a praça numa discoteca de ar livre, comandada pelas mãos de jovens mas claramente «batidos» disc-jockeys.

A Festa continuava, logo pela manhã, no sábado e no domingo, com as tarefas de limpeza e preparação do novo dia. Mesmo na desimplantação, a partir da madrugada de segunda-feira, o trabalho continua a ser uma festa.

Com este espírito, a JCP e os jovens que criaram a Cidade da Juventude entregam-se agora às próximas tarefas, fazendo futuro em cada um dos dias de hoje, com a alegria que se viu neste inesquecível fim-de-semana.

A postos para o 19.º Festival

A importância do 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE), na actualidade como desde a sua origem, há 70 anos (logo após o final da 2.ª Guerra Mundial), esteve em debate no domingo à tarde, em interligação com a luta da juventude em Portugal.
No Palco AGIT foi instalada a mesa. Diogo Correia moderou e interveio sobre a situação e as lutas mais recentes dos jovens trabalhadores, depois de Duarte Alves ter falado sobre a história e os ideais do movimento internacional que dá corpo aos festivais. Henrique Canhoto falou sobre os problemas e as lutas dos estudantes. Georgia, em representação da organização juvenil EDON, de Chipre, contou como tem decorrido a preparação na ilha, envolvendo pela primeira vez uma participação de jovens da parte turca.
Do público, que se chegou até perto do palco, o primeiro a pedir a palavra foi Juan Carlos, um jovem venezuelano, que de viva voz contou como a juventude defende a revolução bolivariana. Sofia Lisboa, do Comité Nacional Preparatório, destacou os contactos realizados com organizações juvenis portuguesas, desde os últimos meses de 2016, concluindo que ir ao FMJE é também parte da luta da juventude portuguesa.
O 19.º FMJE tem por lema «Pela Paz, a solidariedade e a justiça social – lutamos contra o imperialismo! Honrando o nosso passado, construímos o futuro» e vai decorrer de 14 a 22 de Outubro, em Sotchi, na Federação Russa.

 



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