Milhares revigoram o verdadeiro espírito desportivo
Mais de quinze mil atletas ou simples visitantes da Festa, crianças, jovens e mais apressados na idade, ocuparam as várias áreas desportivas da Festa, em regime desportivo ou exibicional, sempre aconselhados por técnicos competentes e graças ao apoio de diversas autarquias e de mais de 300 colectividades de diversos pontos do País.
Lembremos, no entanto, que se realizaram muitas provas no quadro da Festa, embora antes da realização desta. Assim foi, por exemplo, com o passeio de cicloturismo, que reuniu em saudável convívio centenas de amantes velocipédicos, ou com os torneios de futsal e de malha em terra batida.
De destacar o desporto adaptado que contou com a participação, entre outros, da APD – Associação de Deficientes e da Associação de Paralisia Cerebral de Almada e Seixal. É justo referir também a contribuição da Associação de Pára-quedistas de Seixal e Almada e a Academia de Arbitragem da Margem Sul: a primeira assegurou o slide – um voo sobre o lago, respiração cortada, paisagem de sonho; a segunda escalou alguns dos seus juízes para as semi-finais e finais de futsal.
Saraus, galas
e entusiasmo a rodos
A Gala Gímnica inaugurou o programa desportivo e fez vibrar o público que superlotou o Polidesportivo, facto que se viria a repetir noutros eventos. Vimos ginástica acrobática, ginástica de trampolins, ginástica rítmica e muitas outras variantes deste modalidade que vai ganhando crescente popularidade.
Seguiram-se as danças de salão. Foi a vez de atletas da Sociedade Filarmónica Operária Amorense, Sociedade Musical 5 de Outubro e Clube Recreativo da Cruz de Pau evoluírem, para regalo dos olhos que ali se abriam, em modos de tango, samba e cha-cha-cha, rumba e paso doble ou valsa, e outras deambulações dançantes.
A Gala de Artes Marciais, que movimentou cerca de 350 praticantes, e isto quando estavam a decorrer simultaneamente muitos outros espectáculos, teve o mesmo êxito. Para muitos, foi um regalo assistir a demonstrações com notável competência de kung fu, jiu jitsu, gõrjûryû karatedû, taekwondo, judo, krav maga, kung fu e capoeira. Houve muitos aplausos, tanto de especialistas, como de quem apenas contactava pela primeira vez com estas artes.
Suscitaram também entusiasmo as demonstrações de patinagem artística, a cargo de elementos da Sociedade Filarmónica União e Recreio Alhovedrenses e Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional, bem como a exibição das Roller Girls Derby.
No ringue, exibição de boxe. A finalidade foi desfazer preconceitos sobre esta disciplina, já que, se praticada respeitando as regras olímpicas e o espírito desportivo por que todos nos devemos reger, nada tem de perigosa e favorece o crescimento da pessoa como ser social.
Futsal e muito mais
É uma modalidade que põe em acção muitos atletas, antes e durante a Festa, e espalha entusiasmos e paixões. Romeirense, da Cova da Piedade, esteve imparável e sagrou-se campeão ao bater Lisboa por um resultado esclarecedor – 9:0. É um colectivo composto por jogadores experientes, bons tecnicamente e muito evoluídos em termos tácticos. Esta é a sua sétima experiência em fases finais da Festa, e este é o sétimo título.
Para chegarem à final, o Romeirense derrotou a Lisnave (5:2), enquanto Lisboa afastou o Porto (4:3).
«Esta é uma festa que é do povo, e tendo a nossa equipa saído desse povo torna esta vitória muito mais saborosa», disse-nos, ainda ofegante, Nuno Carvalho, capitão da turma vencedora.
Mas houve outras finais, como a do escalão de benjamins, em que o Belenenses Margem Sul derrotou o Leão Altivo (2:0), de traquinas, cuja vitória sorriu ao Amora FC (1:0), em prejuízo da Associação Desportiva da Q.tª do Conde, ou de petizes, em que a Academia do Sporting da Cova da Piedade levou de vencida (2:0) os amigos do Belenenses do Barreiro.
Em regime de demonstração esteve o Basquetebol, por intermédio das selecções feminina e masculina de sub-15 da Associação de Basquetebol de Setúbal, o andebol, representado pelo Independente Futebol Clube Torrense (IFCT) e o Centro de Solidariedade Social de Pinhal de Frades, o andebol e o basquetebol em cadeira de rodas, apresentado pelos Atletas da Associação Portuguesa de Deficentes e do IFCT e o yoga, a cargo da Federação Portuguesa da modalidade. Mostraram também coisas bonitas as equipas de hóquei (sub-15) Grupo Desportivo Criar T Seixal Hóquei e o Grupo Desportivo Fabril.
Malha, chinquilho
e jogos tradicionais
A malha e o chinquilho organizaram campeonatos que começaram fora de portas e conheceram os últimos jogos durante a Festa.
Na malha, saiu vencedor o par Maria Amaro/Odete Pombo Associação de Reformados do casal do Marco), que deixou em segundo e terceiro lugares Lúcia Morgado/Jacinta Rosa (idem) e Clara Rego/Maria da Crus (CR Cruz de Pau). Em homens, venceram José Albano/António Figueira (Associação de Reformados de Paio Pires), que arredaram para as posições secundárias António Tereso/António Bilouro (AR Pinhal de Frades) e José Ataíde/Joaquim Fialho (Grupo Desportivo do Cavadas).
Quarenta atiradores participaram nas últimas jornadas do torneio de chinquilho malha pequena. A equipa do Banheirense, impôs-se às suas congéneres que eram Arroteense, Associação de Amigos das Arroteias e Sempre Fixes do Barreiro.
Cerca de 500 jovens terão tentado a parede de escalada, mas também não faltaram participantes aos jogos tradicionais: bola à lata, corrida de sacos, tracção à corda, enrola, cinco pinos, chinque, 31 e jogo do sapo. O mesmo se pode dizer do matraquilhódromo, sempre cheio, porque até o próprio nome atrai.
Xadrez sempre presente
O torneio de xadrez e a simultânea fazem parte do programa da festa desde há muito. Para se ver a popularidade destes torneios escaquísticos, saiba-se que nele participaram xadrezistas do Porto, Peniche, Maia, S. Tirso ou Gaia, só para dar alguns exemplos. O pavilhão foi visitado por Dominic Cross, presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, que os organizadores do torneio tiveram a honra de receber.
Diogo Alho (Cine Clube de Torres Vedras), Nuno Guerreiro (Adrc Mata de Benfica) e Custódio Palhais (Ateneu Popular do Montijo), por esta ordem, ocuparam os três primeiros lugares da classificação do torneio. Quanto à simultânea, o campeão distrital Mário Figueiredo concedeu dois empates e venceu 19 opositores.
«Há muitos anos que venho à Festa, e há alguns que faço esta simultânea. Gosto deste ambiente informal, descontraído, deste espírito de solidariedade e entreajuda. Como se vê por aqui, o xadrez está a evoluir no nosso País, os novos jogadores são cada vez mais fortes e há muitas crianças a jogar, graças às autarquias e às colectividades», disse-nos o xadrezista após os torneios.