Luta na hotelaria prova que salários podem crescer
RESULTADO No hotel Carrís Porto Ribeira foi anteontem, dia 15, alcançado um acordo que prevê aumentos salariais de 30 euros, o que levou à suspensão da greve marcada para ontem.
O crescimento tem de reflectir-se nas condições de trabalho
Só depois de receber o pré-aviso de greve para 16 de Agosto é que a empresa, pertencente ao grupo Carrís Hoteles, com sede em Santiago de Compostela (Galiza, Espanha), se dispôs a negociar, registou o Sindicato da Hotelaria do Norte, ao revelar os termos do acordo e a forma como ele foi conseguido.
Realizaram-se duas reuniões com o sindicato da Fesaht/CGTP-IN, a última das quais nesta terça-feira. Os trabalhadores, reunidos a seguir, recusaram a proposta patronal. Esta, num primeiro contacto com o sindicato, manteve a sua posição. No entanto, posteriormente, comunicou por escrito que afinal aceitava a proposta mínima dos trabalhadores. Estes reivindicavam, nomeadamente:
– aumento de 30 euros, nos salários-base até 700 euros, e de dois por cento, nos salários superiores (excepto chefias);
– suspensão do «banco» de horas;
– inclusão do subsídio nocturno no subsídio de férias;
– reavaliação de todos os contratos a termo, tendo em vista passar os trabalhadores ao quadro efectivo;
– diligenciar junto da associação patronal Aphort para negociar com o sindicato a revisão do contrato colectivo de trabalho;
– marcar uma nova reunião, tendo em vista prosseguir o processo negocial.
«Face aos compromissos assumidos pela empresa, o sindicato decidiu suspender a greve», congratulando-se porque «custou, mas prevaleceu o bom senso», e assinalando que «vale sempre a pena lutar».
O sindicato apresentou mais de 40 cadernos reivindicativos em hotéis, restaurantes, cafés e estabelecimentos similares.
A Fesaht e os sindicatos realçaram a publicação oficial, a 22 de Julho, do novo contrato colectivo de trabalho, de âmbito nacional, que celebraram com a associação patronal Ahresp para o sector de hotéis, aldeamentos turísticos, apartamentos turísticos, pousadas, embarcações turísticas, turismo rural, de habitação e local. Este CCT, que «é equilibrado e garante no essencial todos os direitos dos trabalhadores constantes nas demais convenções colectivas de trabalho», «vem romper com o bloqueamento total das demais associações patronais à negociação colectiva», referiu o sindicato do Norte.
O fecho das negociações, também com a Ahresp, da tabela salarial para a restauração e similares, com efeitos retroactivos a Janeiro, foi também valorizado num comunicado do Sindicato da Hotelaria do Centro.
Os sindicatos insistem que o bloqueio patronal e as graves condições de trabalho contrastam com sucessivos dados sobre os bons resultados das empresas neste sector.