Vitamealo pagou agora
Desde meados de Julho, foram enviados cheques aos trabalhadores (ou seus herdeiros) que estavam arrolados como credores no processo de falência da Vitamealo Portuguesa, liquidando finalmente uma dívida de mais de duas décadas.
Em Abril de 1994, elementos da Comissão de Trabalhadores relatavam ao Avante! que a súbita decisão de pedir a falência não tinha a ver com quaisquer dificuldades de mercado, mas se prendia, isso sim, com a opção pela especulação imobiliária, pois tinha sido aprovado um projecto de loteamento para todos os quase 170 mil metros quadrados ocupados pela Vitamealo e outras empresas do Grupo Sociedade Nacional de Sabões.
Os salários dos 86 trabalhadores tinham deixado de ser pagos em Outubro de 1993, mês em que a produção parou. Mesmo assim, culminando um projecto a que foi dada relevância desde Março de 1993, para «melhoria da produtividade», o Governo do PSD e de Cavaco Silva ainda pagou a última tranche da comparticipação pública (PEDIP).
Na altura da reportagem, os membros da administração tinham renunciado aos cargos havia mais de um mês, mas ainda continuavam a chegar pedidos de fornecimento (rações e alimentos compostos para animais).
Os trabalhadores recusavam-se a pagar os custos de uma opção da accionista maioritária (Maria Helena Marques de Sousa) e exigiam que os donos da empresa assumissem a responsabilidade pela decisão de a fechar. Depois das lutas realizadas na altura e de mais de 20 anos de persistência na Justiça, viram finalmente os seus direitos reconhecidos.