Vale a pena lutar!
Vitória dos 1500 presos políticos palestinianos é silenciada
Num período em que os desenvolvimentos da situação internacional apontam para enormes perigos, demonstram hipocrisias sem fim, e levantam medos que o imperialismo alimenta e tenta utilizar em proveito próprio – tentando conter ou fazer regredir a luta dos povos –, é importante sublinhar e destacar alguns aspectos que demonstram por um lado os imensos desafios com que a luta anti-imperialista está confrontada e por outro a possibilidade de nas mais difíceis condições se poder alcançar vitórias.
O primeiro apontamento, relativo aos imensos desafios da luta dos povos, reporta-se ao grau de manipulação política e mediática. Na Venezuela o legítimo governo venezuelano e as forças progressistas combatem as ondas de violência das forças reaccionárias a soldo do imperialismo que estão na origem da situação naquele país. Para os media detidos pelos grandes grupos económicos as acções de boicote, crime e violência dos grupos de extrema direita e de mercenários são acções «pela democracia». A legítima acção do governo venezuelano para manter a ordem e defender a democracia é um acto de «violência». Já no Brasil a acção popular de revolta contra a natureza anti-social, corrupta e criminosa dos golpistas que ocupam o poder é considerada uma acção de arruaceiros. A repressão do corrupto governo brasileiro é apresentada como uma tentativa de «manutenção da ordem».
Viajando para outros paralelos, a República Popular Democrática da Coreia é esmagada por uma campanha que a apresenta no patamar superior das ameaças bélicas. No entanto os testes de mísseis intercontinentais norte-americanos, as inflamadas discussões na NATO sobre como e quem aumenta os orçamentos das guerras e armas do imperialismo, as provocações dos EUA no Mar da China, ou a maior operação de venda de armas na História dos EUA (no valor de 110 mil milhões de dólares de armas dos EUA) precisamente à Arábia Saudita, um dos principais «sponsors» do DAESH, são todos eles factos apresentados como «naturais», actos de «defesa do mundo livre».
Chora-se as vítimas do atentado de Manchester, mas faz-se «divertidas» peças de televisão sobre a «dança das espadas» de Trump numa das sedes do terrorismo internacional – o palácio da família real saudita. Continua o silêncio de chumbo sobre os milhares de refugiados que a União Europeia condena todos os dias à morte, mas as guerras imperialistas que estão na origem da maior vaga de refugiados do pós-guerra continuam a ser financiadas e levadas a cabo pelas potências da NATO, europeias incluídas. Merkel usa o suposto «desinvestimento» dos EUA da NATO para tentar liderar, com Macron, o salto militarista e armamentista da União Europeia. Mas o «desinvestimento» de Trump na NATO salda-se num aumento exponencial do seu próprio orçamento militar e no orçamento da frente Leste da NATO.
Por todo o lado os «direitos humanos» continuam a ser manipulados para justificar as guerras e ingerências do imperialismo. No entanto, esses direitos humanos já não são importantes quando falamos da luta do povo palestiniano. É por isso que a vitória dos 1500 presos políticos palestinianos, alcançada após 40 dias de greve da fome e silenciada massivamente pela «imprensa livre», é tão importante! Demonstra que a luta dos povos, mesmo sujeita a um silenciamento absoluto e enfrentando a mais violenta e abjecta repressão (como foi este o caso), pode alcançar vitórias! E isso lembra-nos sempre que vale a pena lutar!