390 mil

João Frazão

O número – 390 mil – , em euros, é público mas chegou-me pelo boletim de Maio da célula do Partido no grupo Navigator, a antiga Portucel, e refere-se aos seus lucros diários, no primeiro trimestre de 2017, que seguem em linha com os lucros de 2016.

Confesso que, ao ler o boletim, decidi verificar se não havia erro, se os camaradas não teriam feito mal as contas.

Mas não. Pode o estimado leitor fazer como eu, sacar da calculadora e dividir os cerca de 35 milhões de euros de lucros declarados pela Navigator pelos 90 dias do trimestre e verificar que não há erro nem engano.

No mesmo boletim, ficamos a saber que a empresa apenas aceitou aumentar os salários entre 0,8 e 1,4 por cento. Continuando a fazer contas percebemos que, tendo o grupo cerca de 3000 trabalhadores, se aumentasse os salários de todos em 200 euros mensais, isso representaria um aumento da despesa anual em oito milhões e 400 mil euros, ou seja 3,8 por cento dos lucros de 2016. Dizendo de outra forma, ainda ficariam com 209 milhões e 100 mil euros para o patronato. Imaginem a minha estupefacção quando li, no relatório oficial da empresa que, em 2016, os custos de pessoal ainda reduziram em 10,2 milhões de euros!

Por outro lado, sabemos que, numa atitude de concertação com o outro grupo económico que domina o mercado, os preços pagos à madeira mantêm-se inalterados há décadas, numa atitude de esmagamento dos produtores nacionais, essencialmente pequenos e médios, registando-se até a aquisição no estrangeiro, designadamente em Espanha, de madeira a preços que, por vezes, são mais do dobro do que é pago em Portugal, mas nunca aceitando aumentar o preço no nosso País.

Factos e números que confirmam o que, desde Marx, não nos cansamos de repetir. A voragem do capital não tem limites, a sua ânsia de lucros e mais lucros é infinita e só conhecerá travão pela acção e a luta dos explorados, sejam eles os trabalhadores ou os pequenos e médios proprietários rurais.




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