Vamos à luta!

Ângelo Alves (Membro da Comissão Política do PCP)

Os re­centes dados e evo­lu­ções da si­tu­ação na­ci­onal devem ser olhados com con­fi­ança na­quilo que sig­ni­ficam de es­pe­rança num fu­turo me­lhor para os tra­ba­lha­dores, o povo e o País. As con­quistas e re­sul­tados al­can­çados são in­dis­so­ciá­veis da in­ter­venção do PCP e da luta dos tra­ba­lha­dores e do povo, que é cada vez mais im­por­tante.

É a luta pelos os in­te­resses do povo que for­ta­lece Por­tugal

Os re­centes dados eco­nó­micos na­ci­o­nais são boas no­tí­cias para o País. Sig­ni­ficam que uma pe­quena me­lhoria das con­di­ções de vida do povo tem efeitos po­si­tivos no fun­ci­o­na­mento da eco­nomia na­ci­onal. Este facto cons­titui uma der­rota po­lí­tica e ide­o­ló­gica de todos aqueles que de­fen­deram e de­fendem a ideia de que a «saúde» eco­nó­mica do País de­pende do em­po­bre­ci­mento do povo e da sub­missão às po­lí­ticas de «aus­te­ri­dade» das troikas e de Bru­xelas. Como o PCP sempre afirmou, a di­mi­nuição do de­sem­prego, a con­quista de di­reitos, a me­lhoria das con­di­ções de vida dos por­tu­gueses e o con­se­quente au­mento da pro­cura in­terna são fac­tores cen­trais para di­na­mizar a eco­nomia na­ci­onal. O dis­curso do mi­se­ra­bi­lismo e da sub­missão sofre uma pe­sada der­rota e isso é uma vi­tória do PCP.

Mas isso não sig­ni­fica que es­te­jamos pe­rante uma in­versão sus­ten­tada e sus­ten­tável do rumo im­posto por dé­cadas de po­lí­ticas de di­reita e de in­te­gração ca­pi­ta­lista eu­ro­peia. Es­tamos bem longe desse ce­nário. Por­tugal con­tinua a ser um País com um povo mas­sa­crado pelo de­sem­prego, pela po­breza, por pro­fundas de­si­gual­dades, pela as­fixia do apa­relho pro­du­tivo, por in­jus­tiças so­ciais e fla­gelos como a pre­ca­ri­e­dade. Se os de­sen­vol­vi­mentos nos abrem portas de es­pe­rança, a re­a­li­dade re­lembra-nos também os muitos pro­blemas que estão por re­solver e aos quais a po­lí­tica do ac­tual Go­verno ainda não con­se­guiu – ou não quis – dar res­posta.

A questão que se co­loca neste mo­mento não é a do con­ten­ta­mento gra­tuito, do fo­gue­tório ou do con­for­mismo com uma pe­quena e frágil me­lhoria da si­tu­ação eco­nó­mica e so­cial. Quando uma luz ao fundo do túnel se vis­lumbra, o maior erro seria ig­norar os pro­blemas que per­sistem e as ra­zões de fundo que estão por de­trás da es­tag­nação eco­nó­mica de dé­cadas, da perda de meio mi­lhão de em­pregos em pouco mais de 15 anos, da des­truição ou en­trega ao es­tran­geiro de sec­tores e ala­vancas es­tra­té­gicas para o nosso de­sen­vol­vi­mento.

É ne­ces­sário re­tirar li­ções da re­a­li­dade. E mais uma vez, e como sempre, as ques­tões de classe estão em cima da mesa. Foram os tra­ba­lha­dores e o povo que pela sua acção, luta e voto, cri­aram as con­di­ções para que a re­lação de forças per­mi­tisse forçar po­lí­ticas que um go­verno mai­o­ri­tário do PS nunca le­varia a cabo e, com isso, de­mons­trar a pos­si­bi­li­dade de ou­tros ca­mi­nhos. É isso que vá­rios tentam agora ocultar.

Olhar em frente!

O mé­rito dos ac­tuais avanços não é da­queles que le­varam a cabo ou foram co­ni­ventes com uma obra de des­truição do País e de ódio so­cial contra o nosso povo. E muito menos é de­vido a «per­for­mances» in­di­vi­duais com que por exemplo Schauble tenta ocultar a sua pró­pria der­rota. Re­sultam sim da ca­pa­ci­dade de re­sis­tência e luta do povo por­tu­guês e das ala­medas de es­pe­rança que essa luta sempre abre, e car­regam em si a men­sagem de que é ne­ces­sário apro­fundar o ca­minho da jus­tiça so­cial, da de­fesa do apa­relho pro­du­tivo e da so­be­rania na­ci­onal para fazer avançar o País.

Con­cluir da com­pa­ti­bi­li­dade dos avanços re­gis­tados com as po­lí­ticas da União Eu­ro­peia que tentam im­pedir ou des­truir as con­quistas al­can­çadas é, ou um erro po­lí­tico, ou uma ma­nobra de ilu­si­o­nismo con­de­nada ao fra­casso. Tal como o é qual­quer ideia de que mai­ores avanços nos di­reitos la­bo­rais e so­ciais ou con­di­ções de vida do nosso povo pode «es­tragar» o que já se con­se­guiu, ou pôr em causa qual­quer ilu­sória «con­des­cen­dência» da União Eu­ro­peia.

Não! Aquilo que a re­a­li­dade nos grita aos ou­vidos é que é a co­ragem de lutar e a de­ter­mi­nação de in­tervir em função dos in­te­resses do povo e do País – como o PCP tem feito – que for­ta­lecem Por­tugal. O tempo é de olhar em frente e ter pre­sentes as muitas ba­ta­lhas que temos pela frente para con­se­guir uma rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e com as im­po­si­ções, cons­tran­gi­mentos e chan­ta­gens da União Eu­ro­peia e do euro. É esse o ca­minho que pode levar mais longe os si­nais que agora vi­vemos. É por isso que as ma­ni­fes­ta­ções que no pró­ximo sá­bado vão en­cher as ruas de Lisboa e do Porto estão pre­nhes de fu­turo e flo­ridas de es­pe­rança. Que nin­guém falte! Vamos à luta!

 



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