Confiar na CDU é dar força àqueles que nunca desistem
CONFIANÇA Quem vê na luta o caminho para a resolução dos problemas pode confiar na CDU. Este foi um aspecto realçado nas iniciativas realizadas no fim-de-semana com a presença de Jerónimo de Sousa.
Os eleitos pelo PCP-PEV dão voz às populações
O périplo do Secretário-geral do Partido pelos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda, sábado e domingo, 27 e 28, respectivamente, começou com um almoço regional em Vila Real, onde foram apresentados os cabeças-de-lista aos 14 municípios do distrito (ver caixa). Perante uma plateia que encheu por completo o refeitório da Escola Secundária Diogo Cão, Jerónimo de Sousa encerrou a iniciativa sumariando as intervenções proferidas em Trás-os-Montes e na Beira Alta.
Em resultado da realização em Vila Real, no ano passado, das suas Jornadas Parlamentares, o PCP ficou com «um retrato muito vivo das dificuldades que a Região atravessa» e na posse de «informação e conhecimentos fundamentais para melhor responder às aspirações e anseios» de quem ali vive e trabalha. O Secretário-geral deu disso prova e foi ao concreto, sublinhando os problemas da vinha e a proposta do Partido de recuperação da Casa do Douro «enquanto instituição de direito público e de inscrição obrigatória, com poderes de regulação da produção e do mercado».
Lembrou, por outro lado, os «atrasos nos apoios comunitários e a insistência do Governo em encaminhá-los para os mesmos de sempre, os grandes agrários», bem como «a batalha para conseguir uma lei dos baldios que assegure o sagrado direito dos povos à [sua] posse, gestão e usufruto».
Neste último caso, anunciou que foi «já entregue na Assembleia da República um projecto conjunto que salvaguarda a propriedade comunitária, permitindo que se continue por muito tempo a afirmar, como fazia Aquilino Ribeiro, que a «serra é dos serranos desde que o mundo é mundo».
O dirigente comunista defendeu, igualmente, a agricultura familiar como «aquela que assegura um maior número de postos de trabalho, impede a desertificação e garante a segurança e a soberania alimentares», e «preços justos à produção de madeira» enquanto «questão essencial para assegurar o investimento dos produtores».
Assegurou, em conclusão, que «podem os pequenos e médios agricultores, os produtores de vinho, de batata, os produtores de gado, os produtores florestais, ter a certeza de que, da parte do PCP, estes são combates que não abandonaremos. Como não abandonaremos as reivindicações regionais de melhoramento dos serviços de saúde ou da rede viária».
Vale a pena
Indo do particular para o geral da intervenção dos comunistas e dos seus aliados, Jerónimo de Sousa adiantou, depois, razões que confirmam que vale a pena confiar na CDU. Entre estas está o facto de nos concelhos onde comunistas e ecologistas se encontram em minoria, demonstrarem todos os dias que são uma força necessária e insubstituível, responsável e capaz de desenvolver trabalho positivo quando lhes são confiadas responsabilidades, mas igualmente intransigente na fiscalização, crítica e denúncia de abusos, incompetências e irregularidades.
Nas autarquias, os eleitos pelo PCP-PEV dão voz aos problemas, aspirações e reclamações das populações, os quais, de outra forma, seriam esquecidos e desprezados, frisou.
Sinalizadas pelo Secretário-geral do Partido foram, também, outras questões transversais aos concelhos do interior de Portugal: a desertificação e o aprofundamento das assimetrias regionais. E foi neste contexto que salientou que a CDU é «uma força que exige uma efectiva e sustentada descentralização» capaz de «criar condições para uma política de desenvolvimento regional com a activa participação das autarquias e dos agentes económicos e sociais».
Algo que «ainda hoje não tem resposta nem nas propostas não abandonadas de reforma do Estado de PSD e CDS (que seguem o conhecido guião dos cortes e mais cortes dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, da negação da regionalização), nem nas anunciadas reformas apresentadas pelo Governo minoritário do PS», criticou.
Histórico
Mais tarde, em Bragança, num comício realizado, pela primeira vez em 40 anos, nas ruas da cidade, Jerónimo de Sousa voltou ao tema do abandono do interior do País, imposto durante décadas de política de direita por PS, PSD e CDS.
Exemplificou designadamente com «o encerramento de serviços e a redução de meios e de quadros do Ministério da Agricultura no distrito», processo que deixou os agricultores «entregues à sua sorte perante ameaças gravíssimas para as suas explorações» e que colocam em causa «uma espécie central no sistema agro-florestal transmontano», o castanheiro.
Nesse sentido «torna-se imperioso preservar este património natural que é também a principal fonte de rendimento da agricultura regional, valorizar o produto castanha e todas as actividades económicas relacionadas, como o turismo», reabilitar e reforçar os serviços de agricultura do Estado para «implementar soluções relevantes como as que vêm sendo desenvolvidas pela investigação aplicada do Instituto Politécnico de Bragança».
Em Bragança, perante os cerca de cem presentes na iniciativa da CDU, ocorrida a meio da tarde de sábado, foi apresentada a primeira candidata à Câmara Municipal de Mirandela, Eduarda Carvalho, bem como a cabeça-de-lista à Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros, Joana Monteiro.
Nas próximas semanas serão dados a conhecer publicamente mais cabeças-de-lista do PCP-PEV no distrito de Bragança. O objectivo é reforçar a votação, sublinhou Filipe Costa, responsável da Organização Regional do PCP. «Não como elemento estatístico, mas como factor decisivo à melhoria das condições de vida dos transmontanos», insistiu o dirigente do Partido que interveio antes de Jerónimo de Sousa.
Filipe Costa reiterou, por outro lado, que pese a dificuldade «em romper com os caciques e os enfeudados jogos de interesses e de poder que mais não são do que chantagem sobre as populações e os trabalhadores», a CDU encontra-se confiante de que serão reconhecidos nas urnas o projecto transformador que protagoniza e as propostas que apresenta para cada um dos 12 concelhos e cada uma das 225 freguesias do distrito.
Candidatos no distrito de Vila Real
Alijó: Pedro Carvalho da Câmara, estudante, 25 anos, membro do PCP; Boticas: José Fernandes, agricultor, 49 anos, membro do PCP; Chaves: Manuel Cunha, médico, 53 anos, membro do PCP; Mesão Frio: José Carlos de Sousa, empregado de escritório, 60 anos, membro do PCP; Mondim de Basto: Ana Batista, estudante, 28 anos, membro do PCP e da JCP; Montalegre: José Afonso, técnico profissional de pecuária, 61 anos, membro do PCP; Murça: Carlos Araújo, vendedor auto, 61 anos, membro do PCP; Peso da Régua: António Serafim, técnico administrativo, 62 anos, membro do PCP; Ribeira de Pena: Filomena Ramos, enfermeira, 56 anos, membro do PCP; Sabrosa: Fernando Amaral, assistente operacional, 57 anos, membro do PCP; Stª Marta Penaguião: José Simão, electrotécnico, 66 anos, membro do PCP; Valpaços: António Teixeira, estudante, 23 anos, membro do PCP; Vila Pouca de Aguiar: António Mendes, operário, 61 anos, membro do PCP; Vila Real: João Correia, conselheiro em problemas de alcoolismo e drogas de abuso, 58 anos, membro do PCP.
Depois de Vila Real e Bragança, Jerónimo de Sousa deslocou-se, domingo, ao concelho de Seia para um almoço regional da CDU. Os pratos fortes do discurso voltaram a ser o abandono da periferia fronteiriça continental nacional e a descentralização.
Nesse contexto, o Secretário-geral do Partido criticou PS, PSD e CDS por defenderem uma descentralização «procurando confundir transferências de responsabilidades com passagem de encargos». Ignoram, além do mais, a criação das regiões administrativas como motor de progresso e coesão económica e social, e impedem «a reposição das freguesias liquidadas».
No distrito da Guarda, Jerónimo de Sousa não podia deixar de falar na Caixa Geral de Depósitos e no encerramento da agência em Almeida, decisão que «revela que ainda precisamos de continuar a lutar para inverter o inquietante processo de desertificação, declínio social, de estagnação e regressão económica que a política de direita promoveu durante todos estes últimos anos».
«Não foram os trabalhadores nem as populações os responsáveis pela situação, pelo que não podiam, nem podem ser eles os penalizados», sintetizou.
Na iniciativa realizada no distrito egitaniense usou ainda da palavra a presidente da Junta de Freguesia de Almeida, Maria de Fátima Gomes, eleita pela CDU. Abordando justamente o facto de Almeida passar a ser a única sede de concelho sem um balcão do banco público, recordou que «desde a primeira hora a Freguesia de Almeida pôs-se ao lado da população dando voz à sua indignação», e manifestou confiança em que «o povo do concelho de Almeida reconheceu e reconhece quem esteve sempre com a sua revolta».