Armas de propaganda massiva
Os grandes media respondem às necessidades e aos interesses dos grupos económicos que os detêm, sabemo-lo. Mas respondem igualmente às necessidades e aos interesses das classes dominantes e da sua ideologia: cá dentro como lá fora.
A imprensa escrita, a rádio e a televisão nacionais não são excepção e, para além da manipulação da realidade política, económica, social e cultural portuguesa, fazem-no também nas questões internacionais.
Alepo é há meses, mas particularmente nas últimas semanas, um exemplo paradigmático. A libertação da cidade pelas Forças Armadas Árabes da Síria e seus aliados é noticiada não como tal, mas como um combate entre «forças leais ao regime» e «rebeldes», mais ou menos moderados, iludindo o que realmente estava em causa: a libertação de uma parte da cidade das mãos de terroristas e criminosos, como alguma imprensa internacional vem noticiando, denunciando o apoio técnico e logístico que várias potências imperialistas lhes deram.
Uma estratégia de comunicação onde nem faltam histórias de «crianças mártires» que vão partilhando o seu dia-a-dia na cidade síria na Internet. Histórias que são transmitidas sem que os órgãos de comunicação social cumpram uma das suas principais obrigações: a verificação dos factos. Vídeos que fomos vendo no último ano, muitas vezes gravados e protagonizados pelos mesmos «rebeldes», outras não se sabe por quem, mas que os canais de televisão não tiveram pejo em reproduzir.
A cegueira em cumprir as orientações dos centros de decisão imperialista era de tal ordem que nem permitia questionar como há tantas crianças fluentes em inglês numa cidade que está no centro de um conflito há quatro anos. Ou de que forma foi possível que o último pediatra na cidade tenha sido morto por várias vezes na Primavera passada. Notícias que são dadas da mesma forma por todos os media, provando a eficiência dos centros de decisão e de propaganda do imperialismo.
Também a morte de Fidel serviu de propósito para a ofensiva, com o PSD a aproveitar uma suposta detenção de jornalistas portugueses para apresentar um voto de condenação na Assembleia da República. A denúncia foi feita pelo Expresso, ainda que no grupo de jornalistas em causa estivessem também profissionais da SIC. «Mais uma prova de como o regime oprime as liberdades», bradaram.
De novo, a mentira revelou a sua perna curta. Afinal, explicou a embaixadora de Cuba em Portugal, que até hoje não foi desmentida por ninguém, não houve detenção alguma, mas uma simples verificação de documentos na rua. A operação policial só aconteceu porque os jornalistas tentavam participar na última cerimónia de despedida a Fidel Castro, participação que estava vedada à imprensa por ser a única reservada, como amplamente tinha sido divulgado. E os jornalistas lá seguiram caminho.
E eis que ambos os casos serviram para, uma vez mais, tentar isolar o PCP: ao voto do PSD, juntou-se outro do BE sobre Alepo; ambos reproduzindo as teses mediáticas.
Em ambos os casos, o PCP e o PEV foram as únicas forças políticas a votar contra a manipulação informativa transformada em arma de combate parlamentar