Pressão e chantagem na CP Carga
Num comunicado de meados de Dezembro do seu Sector Ferroviário, o PCP acusa a Medway, antiga CP Carga, de pressionar os trabalhadores com «ameaças, chantagens e imposições externas». Em causa está a exigência da administração para que os trabalhadores assinem um documento «anti-corrupção» e que comprovem tê-lo recebido, entendido e aceite.
Para o Partido, esta imposição da empresa nada tem a ver com o «objectivo formal» do combate aos subornos. O que está em causa, garante, é a possibilidade de mais tarde esse documento ser usado contra os trabalhadores. Os comunistas alertam para o facto de, nesse documento, estar consagrada a aplicação não apenas da legislação nacional, mas também da legislação suíça ou outra internacional. Com esta exigência, a administração da antiga CP Carga procura furtar-se à discussão com os sindicatos desta matéria e das suas implicações. A insistência na assinatura do documento – e não apenas no seu mero conhecimento – comprova que «não se trata de um pró-forma».
A legislação portuguesa, lembra o Partido, define o que são crimes, o quadro dos direitos e obrigações dos trabalhadores, «proibindo a corrupção e o suborno, mas igualmente definindo com precisão como um trabalhador pode ser acusado pela sua entidade patronal e os mecanismos que tem para a sua defesa». Uma empresa, por maior que seja, não se pode sobrepor à lei do País, reafirmam os comunistas.
No que respeita à seriedade da empresa relativamente à corrupção e aos favorecimentos de vária ordem, o PCP lembra que a MedWay recebeu a CP Carga «de borla, incluindo mais de 200 milhões em material circulante». Assim, acrescenta, «quando devolverem a CP Carga, que receberam indevidamente, pode ser que nos convençam da seriedade das suas intenções anti-corrupção». Este documento deve, pois, ser «entendido pelos trabalhadores como um insulto à sua dignidade e profissionalismo».