EDP, Atlantis, Petrogal e Praia da Oura

Greves vencem precariedade

Na re­fi­naria de Sines e na Atlantis, em Al­co­baça, como no aten­di­mento da EDP ou no Clube Praia da Oura, os tra­ba­lha­dores en­frentam com greves a chan­tagem que as­senta nos vín­culos pre­cá­rios e sa­lá­rios baixos.

A firme re­sis­tência dos tra­ba­lha­dores é em si uma der­rota do poder pa­tronal

Esta terça-feira, dia 18, os tra­ba­lha­dores da fá­brica da VA Atlantis, no Casal da Areia (con­celho de Al­co­baça), pa­ra­li­saram «de forma es­pon­tânea, exi­gindo uma res­posta po­si­tiva às rei­vin­di­ca­ções apre­sen­tadas pelo quarto ano con­se­cu­tivo», in­formou o Sin­di­cato dos Vi­dreiros.
O di­rector da fá­brica re­cebeu os tra­ba­lha­dores, que o sin­di­cato afirma es­tarem «can­sados de es­perar pela res­posta da ad­mi­nis­tração à rei­vin­di­cação de au­mento sa­la­rial». De­pois de con­tactar a ad­mi­nis­tração da em­presa (do Grupo Vi­sa­beira), in­formou que esta irá reunir-se no dia 27 com todos os tra­ba­lha­dores. Para o sin­di­cato da Fe­viccom/​CGTP-IN, de­verá haver «uma res­posta po­si­tiva», pois os tra­ba­lha­dores «não aceitam mais um ano de con­ge­la­mento sa­la­rial».

Para re­clamar uma res­posta da ad­mi­nis­tração ao ca­derno rei­vin­di­ca­tivo, o Sin­di­cato dos Fer­ro­viá­rios (SNTSF, da Fec­trans/​CGTP-IN) con­vocou uma greve de 24 horas para dia 2 de No­vembro, na Metro Trans­portes do Sul (em­presa do Grupo Bar­ra­queiro que é con­ces­si­o­nária do Metro Sul do Tejo), abran­gendo o pes­soal da área co­mer­cial. Além do au­mento dos sa­lá­rios, estes tra­ba­lha­dores exigem a aber­tura de ne­go­ci­a­ções para um Acordo de Em­presa e me­didas de me­lhoria das con­di­ções de tra­balho.

Para que prestam
as «pres­ta­doras»

Os tra­ba­lha­dores dos call-cen­ters da EDP, con­tra­tados através da Randstad, vol­taram a fazer greve ontem, dia 19, contra a pre­ca­ri­e­dade e a falsa «pres­tação de ser­viços», que só serve para au­mentar a ex­plo­ração, pa­gando sa­lá­rios me­nores e man­tendo grande ins­ta­bi­li­dade de em­prego.
Con­vo­cada pelo Sin­di­cato das In­dús­trias Eléc­tricas do Sul e Ilhas, da Fi­e­qui­metal/​CGTP-IN, a greve foi apro­vei­tada para expor nas ruas de Lisboa os mo­tivos do pro­testo. De­pois de uma con­cen­tração ini­cial, no Cais do Sodré, foi feita uma marcha para en­trega de mo­ções na sede da EDP (Ave­nida 24 de Julho) e na As­sem­bleia da Re­pú­blica.
Sem au­mentos sa­la­riais desde 2012 (ex­cepto a ac­tu­a­li­zação do sa­lário mí­nimo na­ci­onal), os tra­ba­lha­dores e o SIESI exigem mais um euro por dia (30 euros por mês). Re­clamam também a in­te­gração nos qua­dros da EDP dos cerca de 1500 tra­ba­lha­dores que, sob uma falsa pres­tação de ser­viços, ga­rantem o aten­di­mento aos cli­entes da eléc­trica. Por estes mo­tivos, ocor­reram este ano duas greves de 48 horas, a 25 e 26 de Julho (com uma con­cen­tração, no pri­meiro dia, na sede da mul­ti­na­ci­onal de tra­balho tem­po­rário, em Lisboa) e a 20 e 21 de Junho.

Os tra­ba­lha­dores do con­sórcio de em­presas (EFATM/​ATM, CMN e AC Ser­vices) que res­ponde pela ma­nu­tenção da re­fi­naria da Pe­trogal em Sines fi­zeram greve no dia 13, quinta-feira, com adesão pra­ti­ca­mente total, per­sis­tindo na luta por au­mentos dos sa­lá­rios e do sub­sídio de re­feição para todos.
A pa­ra­li­sação fora sus­pensa, a 29 de Se­tembro, para ir ao en­contro de uma de­mons­tração de aber­tura da ad­mi­nis­tração, mas foi con­fir­mada em ple­nário, pouco antes da hora de en­trar ao ser­viço. En­trar em greve, ao abrigo do pré-aviso for­ma­li­zado pelo SITE Sul, foi a res­posta à po­sição da ad­mi­nis­tração, que na vés­pera se reuniu com o sin­di­cato, mas não apre­sentou qual­quer pro­posta nem mos­trou qual­quer in­tenção de en­con­trar uma so­lução ra­pi­da­mente – como se ex­plica numa no­tícia pu­bli­cada no sítio da Fi­e­qui­metal/​CGTP-IN.
Aí se des­taca que a luta teve ainda mais sig­ni­fi­cado, porque re­chaçou «ma­no­bras de chan­tagem de che­fias da Pe­trogal». «Al­guns destes per­so­na­gens che­garam a co­mentar que não era al­tura de fazer greve, “agora que estão quase a passar para a Pe­trogal”», re­fere a fe­de­ração, lem­brando que «a Pe­trogal re­cusou se­quer abordar a rei­vin­di­cação sin­dical de in­te­grar os tra­ba­lha­dores da ma­nu­tenção no quadro efec­tivo da re­fi­naria».
Outra ma­nobra der­ro­tada foi a ten­ta­tiva da Pe­trogal de obter ser­viços mí­nimos, o que não pode ser exi­gido de uma «pres­ta­dora de ser­viços», si­tu­ação em que ali actua o con­sórcio.
O PCP ma­ni­festou-se so­li­dário com esta luta, res­pon­sa­bi­li­zando pelo con­flito as ad­mi­nis­tra­ções das em­presas do con­sórcio.
Numa nota di­vul­gada dia 14, o se­cre­ta­riado da Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal do Li­toral Alen­te­jano re­cordou que a luta destes tra­ba­lha­dores já re­pre­sentou avanços, como o au­mento do valor pago pelo tra­balho ex­tra­or­di­nário, os sub­sí­dios de fé­rias e de Natal, o se­guro de saúde e a di­mi­nuição subs­tan­cial do nú­mero de em­presas «pres­ta­doras de ser­viços». Estes tra­ba­lha­dores «já es­ti­veram a tra­ba­lhar “à hora” e neste mo­mento têm con­tratos a prazo», mas «de­viam não estar su­jeitos a um con­trato de ma­nu­tenção em con­di­ções pre­cá­rias» e «ser tra­ba­lha­dores da Pe­trogal, com vín­culo efec­tivo à em­presa, pois ocupam postos de tra­ba­lhos per­ma­nentes na re­fi­naria».

 

Re­cordes e ataque

As tra­ba­lha­doras dos ser­viços de an­dares e lim­peza do Clube Praia da Oura, em Al­bu­feira, do grupo MGM Muthu Ho­tels, vão fazer greve no sá­bado, dia 22, para exi­girem a me­lhoria das con­di­ções de tra­balho e con­tratos de tra­balho sem termo para quem exerce fun­ções de ca­rácter per­ma­nente com vín­culos pre­cá­rios.
Ao anun­ciar a luta, o Sin­di­cato da Ho­te­laria do Al­garve re­cordou que, em Agosto, tinha sido des­con­vo­cada uma greve, porque houve au­mentos sa­la­riais e a em­presa acordou que em Se­tembro seria ava­liada a si­tu­ação do pes­soal com vín­culos pre­cá­rios, para passar ao quadro de efec­tivos as tra­ba­lha­doras em postos de tra­balho que re­pre­sentam ne­ces­si­dades per­ma­nentes.
Afinal, a em­presa agora não quer cum­prir o acor­dado e, mais grave ainda, anun­ciou que pre­tende en­cerrar ho­téis e des­pedir 141 tra­ba­lha­dores, no final de Ou­tubro, ame­a­çando des­pedir mais pes­soas no fim de No­vembro.
«Numa al­tura em que os re­sul­tados do tu­rismo batem todos os re­cordes, é ina­cei­tável a forma como o pa­tro­nato do sector con­tinua a tratar os tra­ba­lha­dores» pro­testou o sin­di­cato, re­al­çando que «mi­lhares de tra­ba­lha­dores deste sector, na re­gião», são pre­ju­di­cados pelos altos ní­veis de pre­ca­ri­e­dade, que o pa­tro­nato usa para baixar sa­lá­rios e forçar os tra­ba­lha­dores a longos pe­ríodos de de­sem­prego de­pois de deles abusar na época alta.
Do Go­verno é exi­gida «res­posta ur­gente, com me­didas con­cretas», como o re­forço da ca­pa­ci­dade fis­ca­li­za­dora da Au­to­ri­dade para as Con­di­ções do Tra­balho e formas de de­sin­cen­tivar o en­cer­ra­mento das uni­dades ho­te­leiras na época baixa.

 



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