Greve forte na alimentação colectiva

Aviso às concessionárias

A Itau e a Gertal, a Eurest, a Servirail e outras concessionárias de cantinas, refeitórios, fábricas de refeições, áreas de serviço e bares dos comboios, bem como a associação patronal Ahresp, devem ter em conta o que se passou no dia 9.

Os patrões negam aumentos salariais e querem cortar direitos

A greve de 24 horas, na passada quinta-feira, no sector da alimentação colectiva, teve elevada adesão e muitos dos trabalhadores em luta trouxeram para as ruas os motivos do descontentamento, respondendo ao apelo da Fesaht/CGTP-IN e dos sindicatos da Hotelaria e Similares do Norte, Centro e Sul.
No Porto, realizou-se uma concentração junto aos escritórios da Gertal e Itau (Grupo Trivalor), de manhã; à tarde, uma manifestação semelhante teve lugar frente à Eurest. No Aeroporto de Lisboa, frente ao Edifício 27, teve lugar de manhã uma concentração de trabalhadores do refeitório da TAP. Os trabalhadores da cantina da Continental Mabor, concessionada à Eurest, concentraram-se à entrada da fábrica, em Lousado (Vila Nova de Famalicão).
A greve teve no Norte elevada adesão, levando ao encerramento de dezenas de cantinas de escolas e também de centros de formação, atingindo níveis de adesão de praticamente cem por cento na esmagadora maioria das cantinas hospitalares e índices muito fortes em cantinas de unidades industriais.
Nos seis distritos da Região Centro, a greve teve um forte impacto nos hospitais, escolas e unidades industriais, com maior incidência nos hospitais de Coimbra (Hospital Pediátrico e Maternidade Bissaya Barreto, concessionados à Eurest) e no Hospital da Cova da Beira (Covilhã, concessionado à Gertal, e Guarda e Seia, à Solnave). O Sindicato da Hotelaria do Centro refere que, nestas unidades, os refeitórios encerraram e cumpriram apenas os serviços mínimos; nos centros do IEFP em Seia e Aveiro, concessionados à Itau, os refeitórios encerraram. Na Somit, em Oliveira do Hospital, a Eurest fez transportar a refeição da PSA de Mangualde, comprou frangos no exterior e o serviço foi feito com recurso a inspectores vindos do Porto. Na área de serviço de Pombal (Eurest) a empresa decidiu chamar para trabalhar, de tarde, jovens contratados como extras. A luta fez-se sentir ainda em mais de 40 escolas secundárias, de gestão Eurest.
Trabalhadores da Servirail, concessionária dos bares dos comboios Alfa Pendular, Intercidades e internacionais, concentraram-se nas estações de Campanhã (Porto) e Santa Apolónia (Lisboa). Nesta empresa, que opera sob a marca Newrest, a greve teve um índice de adesão de praticamente cem por cento, tal como acontecera nos dias 4, 24 e 28 de Março. Segundo o Sindicato da Hotelaria do Norte, só duas trabalhadoras não aderiram, e os comboios que partiram do Porto tinham os bares encerrados, excepto dois, onde abriram com um trabalhador cada.
A greve no SUCH (Serviço de Utilização Comum dos Hospitais), convocada também para este dia, foi suspensa, após um acordo obtido no dia 8, numa reunião realizada durante todo o dia, entre a empresa e a Fesaht, revelou a federação.

Patrões querem tirar mais

A associação patronal Ahresp, com a qual a federação e os sindicatos da CGTP-IN estão a negociar há seis anos a revisão do contrato colectivo de trabalho, recusou nos últimos cinco anos qualquer aumento salarial. Em 2016, como relatou a Fesaht no comunicado em que confirmou a realização da greve, a Ahresp admitiu aumentos de 8,12 euros, para as empregadas de refeitório e empregadas de distribuição personalizada, e de dez euros, para os restantes trabalhadores, mas colocou um conjunto de condições, nomeadamente:
acabar com os «quadros de densidades», que regulam o número de trabalhadores nas diversas categorias, para deixar de atribuir a categoria de 2.ª às cozinheiras das escolas e demais unidades, para que não ter de, conforme o número de refeições, conceder as categorias de cozinheiro de 2.ª ou 1.ª, de despenseiro e de encarregado A, e ainda para tentar impedir a progressão automática dos escriturários, por antiguidade;
pagar o trabalho em dia feriado com um acréscimo de apenas cem por cento, como algumas empresas estão a fazer ilegalmente, quando o CCT estipula 200 por cento;
criar uma nova categoria profissional, denominada «assistente de restauração», cujo conteúdo funcional abrangeria as funções de empregada de refeitório, distribuição personalizada e preparadora, o que significaria ter nas cantinas apenas uma categoria para vários serviços, mas com o salário de empregada de refeitório;
continuar as negociações para a revisão geral do CCT, procurando retirar outros importantes direitos, particularmente no que respeita a horários, para os alargar até ao limite de 12 horas diárias.
Só com a alteração no pagamento dos feriados, os trabalhadores perderiam mais do que aquilo que a Ahresp propôs de aumento salarial, acusou a Fesaht, apontando o exemplo da categoria empregada de refeitório: o salário actual é de 530 euros, o aumento de 8,12 euros representaria, num ano (14 meses), 113,68 euros; mas a perda por dez feriados valeria 244,60 euros; feitas as contas, cada trabalhador ficaria a perder 130,93 euros, que iriam ser acrescentados nos lucros anuais das empresas.

 



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