TVI abre Portas

Dentro de uma semana, a 23 de Junho, teremos espelhado por toda a imprensa os resultados e consequências do referendo britânico sobre a permanência na União Europeia. Mas vamos igualmente assistir a uma estreia: a de Paulo Portas como comentador de política internacional na TVI, precisamente para acompanhar o referendo no Reino Unido.

Portas foi despedido do governo e por isso despediu-se da liderança do CDS e do lugar de deputado na Assembleia da República. É hoje consultor da Mota-Engil, empresa que tem o seu companheiro de partido Lobo Xavier na administração, para apoiar a sua internacionalização. Vai integrar o círculo de palestras internacionais pagas a peso de ouro, ao mesmo tempo que porá os contactos recolhidos ao longo de quatro anos como ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro, sempre com a pasta das exportações e da chamada «diplomacia económica», ao serviço dos grupos económicos.

Paulo Portas, no meio de tantos afazeres pelo mundo, não vai abdicar de intervir na nossa vida política. Vai ocupar um lugar numa estação de televisão que tem na administração um outro companheiro de partido e de governo, Pires de Lima. Não sabemos se quer tentar replicar a década de estágio que Marcelo fez até chegar a Belém, mas é certo que a partir de Setembro vai ter lugar cativo com José Alberto Carvalho a comentar as grandes questões políticas do nosso mundo. E sempre que possível fazendo a ponte com o que se passa no nosso País, como acabou por confidenciar.

Portas estreia-se com o referendo britânico, a que se seguem as eleições em Espanha, a 26 de Junho. Um notável esforço que o próprio, com a ajuda de quem controla os órgãos de comunicação social, faz para contornar o empurrão dado pelo povo português para fora das suas vidas com o resultado das últimas eleições. Um esforço que não é novo nem caso único, mas lamentável num panorama mediático de profunda falta de pluralidade no comentário político.

Um estudo recente do Laboratório de Ciências da Comunicação do ISCTE fez as contas aos resultados eleitorais para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e aos comentadores políticos «residentes» nas televisões. Chegou a uma conclusão: o PCP é o único partido subrepresentado nos espaços de comentário político na TV em ambos os critérios utilizados. Outros, concretamente o BE e o CDS, têm mais comentadores «fixos» do que teriam se estes fossem distribuídos de acordo com os resultados eleitorais, sejam quais forem os critérios.

A crítica à contratação de Paulo Portas pela TVI não é justificada apenas por ter sido um personagem principal do pacto de agressão e da política da troika. É alguém que chegou ao governo pela primeira vez em 2002, quando a taxa de desemprego estava nos cinco por cento, saindo em 2015 com o valor a pular para 12,4 por cento.

O que esta decisão da TVI faz é aprofundar a descriminação do PCP nos espaços de comentário político, escondendo a opinião de quem afirma a alternativa à política de exploração e empobrecimento de que Portas é exemplo.

 



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