PCP agenda debate
No dia 20 de Fevereiro faz seis anos que ocorreram as cheias que devastaram a Região Autónoma da Madeira. A recordação do que foi um dos mais trágicos acontecimentos que marcaram a história recente do arquipélago está bem vincada na memória de todos.
As cheias de 2010 deixaram marcas profundas
LUSA
Na sexta-feira, 5, o PCP esteve na zona do Poço do Morgado, numa iniciativa política para abordar os impactos resultantes da catástrofe de 20 de Fevereiro de 2010, que, seis anos depois, ainda se fazem sentir no concelho de Santa Cruz, com todos os prejuízos que daí decorrem para as populações, e para os quais urge tomar medidas resolutivas.
Ricardo Lume, deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM), acompanhado por outros dirigentes e activistas do Partido, recordou aquele que foi um verdadeiro cenário de terror, cuja pior consequência foi, indubitavelmente, a perda de 52 vidas humanas. Deu ainda conta do elevado grau de destruição que se fez sentir um pouco por toda a costa Sul da Ilha da Madeira, com especial incidência nos concelhos do Funchal, Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Santa Cruz e Ponta do Sol, com danos que foram estimados em 1080 milhões de euros.
Responsabilidades
Entretanto, muito ainda está por fazer em termos de recuperação, existindo zonas que deveriam ser prioritárias, tendo em conta a necessidade de garantir a segurança das pessoas, bens e infra-estruturas, mas que, infelizmente, ficaram esquecidas no tempo, praticamente abandonadas à sua sorte.
«Grande parte do que falta fazer em relação aos danos do temporal de 20 de Fevereiro de 2010 é, em primeiro lugar, da responsabilidade do Governo Regional (PSD) que, em nosso entender, inverteu as prioridades pois preferiu construir uma bonita praça e um cais de atracagem de cruzeiros no Funchal – fortemente contestado pelas populações e por várias forças políticas, e até mesmo pela Câmara Municipal do Funchal –, aproveitando igualmente o temporal como pretexto para gastar mais alguns milhões na Marina do Lugar de Baixo», acusa, em nota de imprensa, o PCP.
As críticas estendem-se ainda ao governo (PSD/CDS) que esteve em funções entre 2011 e 2015, que, na opinião dos comunistas, «foi pouco solidário para com os madeirenses». Ao aplicar o Programa de Assistência Económica e Financeira, cuja vigência terminou em Maio de 2015, o governo regional «contribuiu para grandes atrasos e, em alguns casos, para um autêntico estado de abandono e de regressão dos compromissos assumidos pelo Estado Português», dada a existência de «limites muito restritivos quanto ao investimento público na Região». Tratou-se, acusam, de um verdadeiro «programa de agressão» à Região.
Face a este quadro, o PCP entregou na ALRAM um requerimento para agendar um debate potestativo, subordinado ao tema «Seis anos depois da catástrofe de 20 de Fevereiro de 2010: o que falhou na reconstrução e o muito que está por fazer».