Intervenção de Jerónimo de Sousa

Não se pode perder um voto

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«Aqui es­tamos neste belo co­mício na ci­dade do Porto de apoio à can­di­da­tura de Edgar Silva à Pre­si­dência da Re­pú­blica – a can­di­da­tura de todos os que as­piram a ter na Pre­si­dência da Re­pú­blica uma pessoa capaz de afirmar Abril e cum­prir e fazer cum­prir a Cons­ti­tuição! 
(…) Es­tamos a duas se­manas do acto elei­toral, que re­pu­tamos de grande im­por­tância e cujo re­sul­tado, pelo que im­plica sobre op­ções e ori­en­ta­ções do órgão de so­be­rania Pre­si­dente da Re­pú­blica, exer­cerá uma in­fluência muito sig­ni­fi­ca­tiva na evo­lução da si­tu­ação do País.

(…) Esta nova ba­talha que temos pela frente é (…) uma ba­talha im­por­tan­tís­sima para in­vi­a­bi­lizar qual­quer pre­tensão de re­gresso às po­lí­ticas que con­du­ziram a uma ace­le­rada de­gra­dação da si­tu­ação eco­nó­mica e so­cial e criar as con­di­ções para as­se­gurar o apro­fun­da­mento das al­te­ra­ções po­si­tivas re­sul­tantes das úl­timas elei­ções le­gis­la­tivas, com outra po­lí­tica e ou­tras me­didas ca­pazes de travar o rumo de em­po­bre­ci­mento em curso e re­lançar o de­sen­vol­vi­mento do País.

Este é, por­tanto, um tempo em que se torna im­pe­rioso con­vocar todas as nossas ener­gias, todas as nossas ca­pa­ci­dades e toda a nossa dis­po­ni­bi­li­dade e de­ter­mi­nação para am­pliar a cor­rente de sim­patia e apoio à can­di­da­tura de Edgar Silva e à luta que trans­porta pela afir­mação e con­cre­ti­zação do pro­jecto de de­mo­cracia, de de­sen­vol­vi­mento, jus­tiça so­cial e so­be­rania na­ci­onal que a Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa con­sagra.

Em de­fesa dos tra­ba­lha­dores e do povo

Nestes dias já bas­tantes de pré-cam­panha elei­toral foi-se tor­nando evi­dente, nos de­bates e no con­fronto com as ou­tras can­di­da­turas, a jus­teza e a ne­ces­si­dade da can­di­da­tura de Edgar Silva.
Uma can­di­da­tura ali­cer­çada nas mais pro­fundas as­pi­ra­ções dos tra­ba­lha­dores e do povo a uma vida me­lhor, e dis­tinta de todas as ou­tras.

(…) Uma can­di­da­tura única no seu pro­jecto, sem com­pro­me­ti­mentos ou cum­pli­ci­dades com a po­lí­tica de di­reita, sem am­bi­gui­dades ou equí­vocos pe­rante a rup­tura e mu­dança in­dis­pen­sá­veis ao País, li­berta de apoios dos que são res­pon­sá­veis pelo ca­minho de in­jus­tiças, ex­plo­ração, re­tro­cesso so­cial e de­clínio eco­nó­mico na vida na­ci­onal.

Uma can­di­da­tura cuja sin­gu­la­ri­dade não se traduz apenas em pa­la­vras, mas numa per­ma­nente in­ter­venção e acção de anos de com­bate em de­fesa dos in­te­resses na­ci­o­nais e do nosso povo.

Edgar Silva não des­co­briu agora os ma­le­fí­cios e as per­ni­ci­osas con­sequên­cias da po­lí­tica de di­reita nas suas di­fe­rentes fases e cam­bi­antes e que con­du­ziram o País à ruína.

Edgar Silva está há muito tempo nos com­bates de­ci­sivos para a de­fesa dos in­te­resses vi­tais do nosso povo e das suas con­di­ções de vida e de tra­balho.

Isso o com­pre­en­deram muitos por­tu­gueses por onde o can­di­dato e a can­di­da­tura têm pas­sado, per­cor­rendo o país de Norte a Sul neste pe­ríodo de pré-cam­panha.

Uma grande e di­nâ­mica acção de con­tactos, es­cla­re­ci­mento e mo­bi­li­zação, onde ficou bem pa­tente um cres­cente apoio à sua can­di­da­tura e que nos dá fun­dadas ra­zões para con­fiar que se­remos ca­pazes de ul­tra­passar com êxito esta ba­talha tão im­por­tante na evo­lução da si­tu­ação do País e na vida dos por­tu­gueses nos pró­ximos anos.

Este co­mício é também uma forte de­mons­tração do apoio à nossa can­di­da­tura, um grande im­pulso para a afir­mação, o es­cla­re­ci­mento e a mo­bi­li­zação na cam­panha que temos pela frente, um enorme in­cen­tivo para uma grande vo­tação no dia 24 de Ja­neiro!

Por isso es­tamos nesta nova ba­talha elei­toral com con­fi­ança e a firme con­vicção de que os por­tu­gueses vão ajudar a levar a can­di­da­tura de Edgar Silva ainda mais longe com o seu apoio e o seu voto, para ga­rantir um efec­tivo virar de pá­gina na vida na­ci­onal e su­perar as con­sequên­cias destes anos de po­lí­tica de ex­plo­ração, em­po­bre­ci­mento e de­si­gual­dades que atin­giram de forma brutal a vida do nosso povo.

Por­tu­gueses não se dei­xarão iludir

Nós temos con­fi­ança que no pró­ximo dia 24 de Ja­neiro os por­tu­gueses não se dei­xarão iludir nem im­pres­si­onar pela bem ur­dida cam­panha me­diá­tica que está em curso a favor do can­di­dato apoiado pelos par­tidos agora der­ro­tados em Ou­tubro – o can­di­dato Mar­celo Re­belo de Sousa – e dar como certa a sua vi­tória.
Uma me­tó­dica e nada ino­cente cam­panha, onde tudo se faz para fa­vo­recer a can­di­da­tura que os grandes grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros sabem ser a que serve os seus in­te­resses e pro­pó­sitos de do­mínio da vida do País.

Um apa­dri­nha­mento des­ca­rado que se alarga e se re­fina na so­fis­ti­cação dos me­ca­nismos de pressão e de in­fluência e em ma­no­bras ma­ni­pu­la­doras, à me­dida que sentem que a can­di­da­tura que PSD e CDS de­sejam para con­cre­tizar o seu pro­jecto de re­tro­cesso e re­vanche perde força e os seus de­sejos estão cada vez mais longe da re­a­li­dade an­te­ci­pa­da­mente anun­ciada.

Neste com­bate que tra­vamos e pe­rante o des­ca­bido anúncio das vi­tó­rias an­te­ci­padas, é bom que saibam que não vamos baixar a guarda.

Vamos tra­ba­lhar até ao úl­timo dia para que a can­di­da­tura de Edgar Silva dis­pute em igual­dade de cir­cuns­tân­cias com qual­quer outra can­di­da­tura a pas­sagem à se­gunda volta, porque esta é uma can­di­da­tura de parte in­teira e que vai até onde os por­tu­gueses a queiram levar.

Vamos, certos de que não há ven­ce­dores an­te­ci­pados. Os re­sul­tados estão em cons­trução, com a ini­ci­a­tiva de cada um e de todos, com o es­cla­re­ci­mento e a di­na­mi­zação e a mo­bi­li­zação para o voto dos por­tu­gueses.

Por isso, este é o tempo de dizer cla­ra­mente a cada um e a todos os que as­piram a um Por­tugal com fu­turo que cada voto na can­di­da­tura de Edgar Silva é um voto que soma e que conta para der­rotar Mar­celo Re­belo de Sousa e os par­tidos que o apoiam e que afun­daram o País ainda mais nestes úl­timos quatro anos, mas igual­mente um voto para afirmar e dar força a uma von­tade e exi­gência de mu­dança que ne­nhuma outra can­di­da­tura está em con­di­ções de ga­rantir.

É por isso que não se pode perder um voto que seja!

Quantos mais votos tiver a can­di­da­tura de Edgar Silva, menos hi­pó­teses tem Mar­celo de vencer e mais se re­força e ganha força o amplo mo­vi­mento dos de­mo­cratas e pa­tri­otas que lutam por uma ver­da­deira mu­dança capaz de ga­rantir o pro­gresso e o de­sen­vol­vi­mento do País.

A ver­da­deira face de Mar­celo

Esse é o grande de­safio que temos pela frente – ga­nhar os por­tu­gueses, ga­nhar os de­mo­cratas para a can­di­da­tura de Edgar Silva, porque nada está re­sol­vido, tudo está em aberto, porque quem vai de­cidir é o povo, é o seu voto que vai contar!
Um de­safio que é in­dis­so­ciável do es­cla­re­ci­mento da ver­da­deira na­tu­reza da can­di­da­tura que PSD e CDS apoiam e de­sejam ver con­cre­ti­zada para me­lhor servir os seus ob­jec­tivos de re­cu­pe­ração do poder per­dido.

Este é também o mo­mento e o tempo de mos­trar a ver­da­deira face da sua can­di­da­tura, a de Mar­celo Re­belo de Sousa.

É al­tura de cla­ra­mente mos­trar sem ma­qui­lhagem e sem as ca­mu­fla­gens o que re­al­mente é e sig­ni­fica a can­di­da­tura de Mar­celo Re­belo de Sousa.

A sua falsa in­de­pen­dência, o seu falso dis­tan­ci­a­mento em re­lação ao pro­jecto de ex­plo­ração e em­po­bre­ci­mento pro­ta­go­ni­zado por PSD e CDS. A sua iden­ti­dade com teses es­sen­ciais da po­lí­tica de di­reita e os seus ob­jec­tivos.

Desse can­di­dato que agora se apre­senta como nada ti­vesse a ver com o ca­minho que o País se­guiu até à grave si­tu­ação em que es­tamos.

Desse can­di­dato que hoje apa­rece muito pre­o­cu­pado com a saúde dos por­tu­gueses, mas que, quando li­de­rava o PSD, pro­punha o di­reito à saúde para os ricos, de­fen­dendo a eli­mi­nação, na quarta re­visão cons­ti­tu­ci­onal, da gra­tui­ti­dade ten­den­cial do Ser­viço Na­ci­onal de Saúde.

Desse can­di­dato que, na es­teira de Ca­vaco Silva, vem de­fender um pacto de re­gime, para eter­nizar a po­lí­tica de di­reita e con­se­quen­te­mente o sis­tema de al­ter­nância sem al­ter­na­tiva.

A li­gação par­ti­dária de cada um não é mo­tivo para ser dis­far­çada e muito menos para ser mo­tivo de crí­tica ou di­mi­nuição duma can­di­da­tura.

O que não é acei­tável é que se pro­cure iludir e es­conder a vin­cu­lação de Mar­celo Re­belo de Sousa ao PSD.

Foi pre­si­dente do PSD, foi con­se­lheiro in­di­cado por Ca­vaco Silva, foi de­pu­tado, au­tarca e por aí fora.

Dizem-nos al­guns bem-in­ten­ci­o­nados que Mar­celo Re­belo de Sousa fez umas crí­ticas ao PSD e ao go­verno. Mar­celo Re­belo de Sousa dá a res­posta. Numa en­tre­vista a um jornal ele teve esta pé­rola: “Mesmo quando não pa­rece estou sempre a de­fender o PSD.”

Não de­vemos fazer juízos pes­soais mas juízos po­lí­ticos. Mar­celo Re­belo de Sousa é o can­di­dato do PSD e do CDS. É nele que PSD e CDS apostam para tirar a des­forra da der­rota que so­freram em Ou­tubro, é nele que vêem o ins­tru­mento para re­cu­pe­rarem a sua agenda de des­truição e afun­da­mento do País.

Con­trolo pú­blico da banca

Por­tugal pre­cisa de romper com esse rumo de con­sequên­cias dra­má­ticas para os por­tu­gueses e o País, e com a po­lí­tica de di­reita de anos e anos de su­ces­sivos go­vernos.
Cada dia que passa se con­firma a si­tu­ação de des­ca­labro a que a po­lí­tica de di­reita con­duziu o País e, par­ti­cu­lar­mente, a acção do go­verno do PSD/​CDS, bem pa­tente nos pro­blemas que con­ti­nuam a apa­recer à luz do dia, em re­sul­tado da po­lí­tica as­sente na mis­ti­fi­cação e no em­buste da “saída limpa” e na sua des­ca­rada es­tra­tégia elei­to­ra­lista, para iludir os por­tu­gueses.

O que se passou re­cen­te­mente com o Banif, com novas e mais graves con­sequên­cias para os con­tri­buintes, com o ne­gócio da TAP fe­chado fora do prazo de fun­ções do go­verno, em gestão, são es­cân­dalos de uma go­ver­nação que de­li­be­ra­da­mente ab­dicou da de­fesa dos in­te­resses na­ci­o­nais.

Em re­lação ao Banif, per­mitam-me duas ou três pa­la­vras. Pe­rante o ver­da­deiro crime eco­nó­mico que cons­titui o pro­cesso de fa­lência do Banif, a Co­missão Eu­ro­peia e o BCE im­pu­seram ao go­verno por­tu­guês, e este aceitou, a Re­so­lução do Banif, de­cisão que re­mete agora para o uso de re­cursos pú­blicos para salvar de­pó­sitos que foram de­la­pi­dados ao longo dos anos, num con­texto em que tal de­la­pi­dação podia ter sido im­pe­dida se o go­verno do PSD/​CDS ti­vesse uti­li­zado os ins­tru­mentos que tinha à sua dis­po­sição para esse efeito.

PSD e CDS são não só res­pon­sá­veis pela perda de 825 mi­lhões de euros dos 1100 mi­lhões que o Es­tado co­locou no Banif, como per­mi­tiram que um banco de­tido pelo Es­tado, em mais de 60 por cento, fosse in­te­gral­mente con­tro­lado por ou­tros in­te­resses – cum­pli­ci­dade que levou à Re­so­lução de­ci­dida no pas­sado mês de De­zembro, com um custo global para os por­tu­gueses su­pe­rior a 3000 mi­lhões de euros.

Sete anos de co­lapsos fi­nan­ceiros que, do BPN ao Banif, já cus­taram ao Es­tado por­tu­guês mais de 20 000 mi­lhões de euros – di­nheiro que faz falta à eco­nomia na­ci­onal, no­me­a­da­mente no apoio às micro, pe­quenas e mé­dias em­presas, cada vez mais fus­ti­gadas com a re­cusa de cré­dito à sua ac­ti­vi­dade por parte dos bancos –, con­firmam, tal como o PCP tem vindo a de­fender, que só com um efec­tivo con­trolo pú­blico da banca o País pode en­con­trar as so­lu­ções ne­ces­sá­rias ao de­sen­vol­vi­mento eco­nó­mico e so­cial.

Da dí­vida ao SNS

An­daram a vender a ilusão da re­cu­pe­ração eco­nó­mica, ga­ran­tiram que a sua po­lí­tica con­du­ziria à di­mi­nuição da dí­vida, mas nem re­cu­pe­ração, nem dí­vida menor; pelo con­trário, ela con­ti­nuou a crescer, mais dois mil mi­lhões em No­vembro pas­sado.
O FMI vem afirmar que foi um erro Por­tugal não ter re­ne­go­ciado a dí­vida há quatro anos. Sa­bemos que a sua pers­pec­tiva de re­ne­go­ci­ação não é a mesma que de­fen­demos, nem a que de­fende os in­te­resses na­ci­o­nais, mas põe em evi­dência e con­firma quão ne­ces­sário é li­bertar o País do cons­tran­gi­mento de uma dí­vida e de um ser­viço da dí­vida que ine­vi­ta­vel­mente con­di­ci­o­nará os ní­veis de in­ves­ti­mento de que Por­tugal pre­cisa para pro­mover o cres­ci­mento e a cri­ação de em­prego de que ca­rece.

(…) Foram vá­rios os acon­te­ci­mentos re­centes que levam a que se exijam so­lu­ções ur­gentes para os graves pro­blemas no Ser­viço Na­ci­onal de Saúde.

Vemos que hoje em Por­tugal do­entes morrem por falta de as­sis­tência, morrem dentro dos hos­pi­tais porque não são as­sis­tidos con­ve­ni­en­te­mente ou em tempo útil. Um jovem no S. José teve ne­ces­si­dade de uma equipa de neu­ro­ci­rurgia a um fim-de-se­mana e nesse pe­ríodo não havia equipa de ser­viço. Isto, num dos hos­pi­tais de topo do País.

A estes casos mais me­di­a­ti­zados somam-se tantos ou­tros como os que vão dando conta de ur­gên­cias sa­tu­radas e em rup­tura.

A origem destes pro­blemas funda-se numa só causa. Du­rante quatro anos, o go­verno PSD/​CDS en­tendeu que o Ser­viço Na­ci­onal de Saúde de­veria ser ema­gre­cido como pri­meiro passo para a sua des­truição.

En­quanto isto acon­tece em Por­tugal, muitos pro­fis­si­o­nais de saúde são li­te­ral­mente ati­rado para fora do País, onde pro­curam me­lhores sa­lá­rios e me­lhor aco­lhi­mento.

O PCP cedo e bem alertou para estes pro­blemas. Quando o PCP alertou para que a des­truição do Ser­viço Na­ci­onal de Saúde con­tri­buía para a morte pre­coce dos por­tu­gueses, muitos fi­caram in­dig­nados. Mas a re­a­li­dade veio in­fe­liz­mente, mais uma vez, dar razão ao PCP.

Nova so­lução go­ver­na­tiva

Foi para travar este rumo de de­sastre na­ci­onal que nos em­pe­nhámos na pro­cura de uma so­lução po­lí­tica vi­sando o afas­ta­mento de­fi­ni­tivo do PSD e CDS do go­verno e para o sur­gi­mento de uma nova so­lução go­ver­na­tiva – que não é a de um go­verno de es­querda ou das es­querdas, mas um Go­verno do PS, com o seu pro­grama e as suas op­ções es­tru­tu­rantes.
Desse em­pe­nha­mento re­sultou a “Po­sição con­junta do PS e do PCP sobre so­lução po­lí­tica”.

Foram os in­te­resses po­pu­lares, foram os in­te­resses e as­pi­ra­ções pre­mentes e sen­tidos dos tra­ba­lha­dores, dos re­for­mados, dos pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios, do povo por­tu­guês que nos le­varam a esta so­lução, que abre uma nova fase na vida po­lí­tica na­ci­onal, que cremos capaz de res­ponder a muitos dos pro­blemas mais ime­di­atos do povo por­tu­guês, quer através da acção do Go­verno, como lhe é exi­gível, quer também, não menos im­por­tante e de­ci­sivo, a partir da pos­si­bi­li­dade real aberta pela nova com­po­sição da As­sem­bleia da Re­pú­blica.

Uma so­lução que per­mitiu iden­ti­ficar um con­junto de ma­té­rias onde é pos­sível as­se­gurar uma acção con­ver­gente, abrindo uma pos­si­bi­li­dade real de, entre ou­tros, dar passos na de­vo­lução de sa­lá­rios e ren­di­mentos, de repor os com­ple­mentos de re­forma dos tra­ba­lha­dores do sector em­pre­sa­rial do Es­tado, de va­lo­rizar sa­lá­rios e travar a de­gra­dação con­ti­nuada das pen­sões, de res­ti­tuir parte das pres­ta­ções so­ciais e, entre ou­tras, ga­rantir me­lhores con­di­ções de acesso aos di­reitos à saúde e à edu­cação. So­lu­ções também di­ri­gidas às micro, pe­quenas e mé­dias em­presas, no­me­a­da­mente no do­mínio fiscal, com novos es­tí­mulos e a re­dução do IVA da res­tau­ração para 13 por cento.

(…) Desde já é im­por­tante sa­li­entar o que se con­se­guiu com acção do PCP e a luta dos tra­ba­lha­dores e do povo. Foi pos­sível travar a pri­va­ti­zação/​con­cessão das em­presas de trans­portes ter­res­tres de pas­sa­geiros, de­volver aos tra­ba­lha­dores dos trans­portes o di­reito ao trans­porte que lhes tinha sido rou­bado, as­se­gurar a re­dução da so­bre­taxa do IRS e in­tro­duzir a sua pro­gres­si­vi­dade, apon­tando para a sua eli­mi­nação, repor o di­reito à IVG sem pres­sões e con­di­ci­o­na­mentos.

Foi pos­sível o au­mento do sa­lário mí­nimo na­ci­onal para 530 euros, apesar de o au­mento ser in­su­fi­ci­ente, jus­ti­fi­cando-se in­tei­ra­mente a exi­gência da sua fi­xação nos 600 euros e sem novas ce­dên­cias na TSU pa­tronal que afectam a Se­gu­rança So­cial.

Foi pos­sível criar con­di­ções para eli­minar os cortes sa­la­riais sobre os tra­ba­lha­dores da Ad­mi­nis­tração Pú­blica e do Sector Pú­blico em Ou­tubro pró­ximo e só não foi pos­sível já no início do ano porque o PS se juntou ao PSD e ao CDS na re­cusa do pro­jecto do PCP que o as­se­gu­rava e porque o BE se abs­teve.

Também é im­por­tante sa­li­entar o que se con­se­guiu na Edu­cação com as vá­rias me­didas to­madas, quer re­la­tivas à do­cência, com o fim da PACC (prova de ava­li­ação de acesso à pro­fissão) e da Bolsa de Con­tra­tação de Es­cola, quer re­la­ti­va­mente ao sis­tema edu­ca­tivo, com o fim dos exames do 4.º e 6.º anos do En­sino Bá­sico. Pro­posta de grande al­cance é igual­mente a me­dida to­mada de pro­tecção da mo­rada de fa­mília face a pe­nhoras de­cor­rentes de exe­cu­ções fis­cais do Es­tado.

Nesta sexta-feira, vimos as­se­gu­rada a pro­posta le­gis­la­tiva do PCP de re­po­sição dos quatro fe­ri­ados rou­bados, re­pondo aquilo que é um di­reito dos tra­ba­lha­dores e pondo fim ao tra­balho à borla.

(…) Nós pen­samos que é ne­ces­sário elevar os ren­di­mentos dos re­for­mados e idosos. O des­con­ge­la­mento das re­formas ao fim de seis anos é um im­pe­ra­tivo que tem de ser acom­pa­nhado pelo au­mento real dos seu va­lores.

Também o au­mento do Com­ple­mento So­li­dário, sendo uma me­dida im­por­tante, não pode sig­ni­ficar a con­ti­nu­ação de um ca­minho de des­va­lo­ri­zação do di­reito à ac­tu­a­li­zação anual das re­formas e pen­sões que re­sultam de des­contos para a Se­gu­rança So­cial.

Se­ri­e­dade e co­e­rência

(…) Não deixa de ser muito justa a crí­tica que muitos por­tu­gueses fazem à re­a­li­dade da go­ver­nação na­ci­onal e eu­ro­peia di­tada pela ori­en­tação do com­bate ao dé­fice a ferro e fogo, quando ve­ri­ficam as enormes re­sis­tên­cias que se ma­ni­festam ao au­mento dos sa­lá­rios ou pen­sões que estão hoje des­va­lo­ri­zados e a fa­ci­li­dade com que se trans­ferem mi­lhões de euros pú­blicos para a banca, num ápice.
Nós sa­bemos que o ca­minho que se abriu com a nova si­tu­ação não é fácil e não está isento de obs­tá­culos. Os mesmos que de­fen­deram até ao fim e ainda jus­ti­ficam o go­verno do PSD/​CDS in­trigam e pro­fe­tizam, a cada pro­posta e ini­ci­a­tiva au­tó­noma do PCP, a imi­nência da der­ro­cada da ac­tual so­lução go­ver­na­tiva com o ob­jec­tivo de criar di­fi­cul­dades à nossa ini­ci­a­tiva e ao com­bate que es­tamos a travar para in­verter a po­lí­tica e me­didas de ex­plo­ração e em­po­bre­ci­mento dos úl­timos anos. Ou­tros, em nome de uma po­lí­tica do mal menor que de­cli­namos, querer-nos-iam ver a nós, aos tra­ba­lha­dores e ao nosso povo como meros es­pec­ta­dores da vida do País e à es­pera de uma qual­quer be­nesse caída do céu.

De­sen­ganem-se todos!

(…) Somos uma força po­lí­tica séria que res­pei­tará a pa­lavra e o com­pro­misso ex­presso. E em co­e­rência com essa opção es­tarão de acordo que o nosso com­pro­misso de honra é com os tra­ba­lha­dores e o povo por­tu­guês, apoi­ando o que for bom para os tra­ba­lha­dores e para o povo e não apoi­ando o que for ne­ga­tivo!

São re­co­nhe­cidas as li­mi­ta­ções que o grau de con­ver­gência que a so­lução po­lí­tica acor­dada entre nós e o PS per­mitiu, mas ela é um sinal de mu­dança que que­remos po­ten­ciar com a nossa ini­ci­a­tiva pró­pria no âm­bito da As­sem­bleia da Re­pú­blica e na nossa acção e in­ter­venção po­lí­tica geral.

(…) Mu­dança que será tanto maior e po­si­tiva quanto maior for o em­pe­nha­mento para acção e a luta dos tra­ba­lha­dores e das po­pu­la­ções na de­fesa dos seus di­reitos, na exi­gência da re­po­sição de di­reitos e ren­di­mentos usur­pados e na dis­po­ni­bi­li­dade para avançar com novas rei­vin­di­ca­ções e con­quistas.

A pos­si­bi­li­dade agora aberta de dar passos numa tra­jec­tória que in­verta o rumo de ex­plo­ração e de­clínio im­posto nos úl­timos quatro anos não pode nem deve ser des­per­di­çada.

Em­bora com a plena cons­ci­ência de que ela não dis­pensa, bem pelo con­trário, exige o ob­jec­tivo de rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e a con­cre­ti­zação de uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda.

(…) Temos dado passos po­si­tivos, mas es­tamos longe de der­rotar a po­lí­tica das ine­vi­ta­bi­li­dades e ga­rantir a grande vi­ragem no rumo das po­lí­ticas de que o País pre­cisa.

Uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda, como aquela que o PCP con­tinua a de­fender e por cujo re­co­nhe­ci­mento junto do nosso povo não ab­dica de con­ti­nuar a lutar, como a grande so­lução para os pro­blemas do País.

Vencer com a can­di­da­tura de Edgar Silva

(…) Quanto mais forte for o PCP, mais pró­xima e pos­sível fica a cons­trução de uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda, mais terá a de­fesa e afir­mação dos di­reitos dos tra­ba­lha­dores e do povo.
É também nesta pers­pec­tiva que a can­di­da­tura de Edgar Silva é de­ci­siva.

De­ci­siva para ga­rantir a con­so­li­dação das al­te­ra­ções po­si­tivas re­sul­tantes das elei­ções le­gis­la­tivas, mas também o seu de­sen­vol­vi­mento e apro­fun­da­mento!

Por­tugal pode e deve vencer apoi­ando a can­di­da­tura de Edgar Silva, a can­di­da­tura dos que não aceitam o Por­tugal das de­si­gual­dades so­ciais e das in­jus­tiças e que lutam pela con­cre­ti­zação em Por­tugal de uma de­mo­cracia si­mul­ta­ne­a­mente po­lí­tica, eco­nó­mica, so­cial e cul­tural.

Nós temos con­fi­ança que o povo por­tu­guês vai trocar as voltas à bem or­ques­trada cam­panha que dá como ine­vi­tável a vi­tória da can­di­da­tura do PSD e do CDS de Mar­celo Re­belo de Sousa.

Es­tamos con­fi­antes que o povo por­tu­guês vai des­ba­ratar as son­da­gens e os fa­ze­dores de opi­nião en­car­tados e obrigar o an­te­ci­pado ven­cedor à se­gunda volta e der­rotá-lo. Para tal o voto em Edgar Silva con­tará sempre!

Esse é o ob­jec­tivo que pre­ci­samos de con­ti­nuar a per­se­guir até à hora das elei­ções. Não de­sar­mando, con­ti­nu­ando no âm­bito das nossas re­la­ções a ga­nhar mais por­tu­gueses, a ga­nhar os de­mo­cratas para o voto na can­di­da­tura de Edgar Silva.

A can­di­da­tura dos que não de­sistem de Por­tugal e que com toda a de­ter­mi­nação e con­fi­ança, vão em frente!

Aqueles que pensam que nos des­mo­bi­lizam com o anúncio de vi­tó­rias an­te­ci­padas estão con­de­nados ao in­su­cesso.

Nós nunca de­sis­timos dos com­bates antes de os tra­varmos!

Daqui di­zemos e ape­lamos aos tra­ba­lha­dores, ao povo por­tu­guês que con­tamos com o seu apoio, daqui lhe ga­ran­timos que podem também contar com esta força de luta, que con­tinua a manter bem alto a ban­deira da es­pe­rança e da con­fi­ança por uma vida me­lhor para os por­tu­gueses!

Con­tamos con­vosco!
Que vivam os va­lores de Abril!

Que viva Por­tugal!»

(Tí­tulo e sub­tí­tulos da res­pon­sa­bi­li­dade da re­dacção.)




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