«Estamos no bom caminho»
A um dia do início da campanha eleitoral para a Presidência da República, Edgar Silva realizou acções nos concelhos de Almada, Seixal, Palmela, Moita e Barreiro.
«Em democracia não há vitórias antecipadas, está tudo em aberto»
No sábado, de manhã, o candidato esteve na Freguesia do Feijó. No Mercado Municipal, local de comércio de excelência, ouviu os desabafos, vindos do peito, de quem sente as dificuldades do dia-a-dia. «A 24 de Janeiro ninguém pode faltar», apelou a quem encontrou.
No final de uma arruada com mais de duas centena de apoiantes, o candidato valorizou a importância da presença, dos gestos de afecto, apoio e incentivo que recebeu. «Não há de ser por acaso que algumas consciências mais inquietas estão preocupadas com a nossa candidatura. É sinal que estamos no bom caminho», afirmou, antecipando que «está nas nossas mãos, do povo e dos trabalhadores, decidir que os valores de Abril poderão triunfar, ser conquistados e sair vitoriosos».
Uma ideia que havia expressado em declarações aos jornalistas, que o confrontaram com as sondagens favoráveis ao candidato apoiado pelo PSD e CDS, Marcelo Rebelo de Sousa (MRS). «Em democracia não há vitórias antecipadas, está tudo em aberto. Os resultados conquistam-se, constroem-se, e nós estamos no terreno para construir e conquistar o nosso eleitorado», comentou.
Por seu lado, Joaquim Judas, presidente da Câmara de Almada, salientou que a candidatura de Edgar Silva «tem uma enorme importância». «É necessário que esta onda de esperança que se abriu no País, com a formação de um outro Governo, se transforme, efectivamente, numa derrota da política de direita. E, para isso, a tua candidatura, é-nos essencial», valorizou, dirigindo-se ao candidato.
Presentes, durante todo o dia, estiveram ainda Margarida Botelho e José Capucho, respectivamente da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central do PCP.
Terra de Abril
Mais tarde, o candidato participou num grande almoço no Independente Futebol Clube Torrente, Seixal. Intervindo, falou dos avanços, alcançados na Assembleia da República, com a força da luta das populações e das autarquias do Seixal, Sesimbra e Almada, do projecto de construção do Hospital do Seixal. «Não podemos parar, nem descansar, sem que o Hospital esteja efectivamente a funcionar», apelou.
Alertou, ainda, para a necessidade de impedir a «ambição» da direita, «de Passos Coelho, de Paulo Portas e de Cavaco Silva», de eleger MRS, procurando, dessa forma, «recuperar as parcelas de poder e voltar a impor a Portugal toda uma linha de empobrecimento e exploração».
Já «a nossa candidatura tem um conjunto de valores e de compromissos incomparáveis, insubstituíveis e indispensáveis. Os valores de Abril, materializados na Constituição da República, são o garante para todos os patriotas, mulheres e homens, amantes da democracia, que têm fome e sede de justiça», destacou.
Palavras que foram ao encontro do que Corália Loureiro, mandatária concelhia, havia proferido, referindo que esta «é uma candidatura identificada com os interesses dos trabalhadores» e que «acredita e confia num Portugal com futuro».
Razões e argumentos
A onda de entusiasmo crescente prosseguiu no Pinhal Novo. Acompanhado por Ana Teresa Vicente e Álvaro Amado, respectivamente, presidentes da Assembleia e Câmara Municipal de Palmela, Edgar Silva, calcorreando lojas e outros espaços, mas também a sede dos Associação Humanitária de Bombeiros, falou com as pessoas, dando-lhes razões e argumentos para apoiar, através do voto, a sua candidatura. Repto lançado e bem acolhido por todos.
Um casal de idosos – de Santiago do Escoural, e que moram há dois anos naquela freguesia – fez questão de sair de casa e cumprimentar o candidato. «Encontrar pessoas assim, que vêm de propósito nos saudar, dá-nos uma força muito grande», agradeceu o candidato, que, num outro momento, foi convidado a tirar uma «selfie» com um grupo de escoteiros.
«Hora de viragem»
No Clube Recreativo do Penteado, Moita, após um jantar com mais de 250 pessoas, Edgar Silva voltou a afirmar que «está nas mãos do povo decidir» e que «esta é a hora da viragem».
Num discurso entusiasmante, comentou ainda a «novela trágica» no Banif, que resultou numa «solução desastrosa». «Este Governo, com a herança deixada pelo PSD/CDS, veio empurrar para cima do povo e dos trabalhadores o pagamento de mais uma factura, como se não bastassem anos e anos de austeridade, de roubo nos salários, nos rendimentos, nas pensões e até da dignidade e da esperança», criticou, alertando para um «escândalo ainda maior», que passa pela cedência ao Santander de um crédito fiscal de 289 milhões de euros.
Apoio crescente
O dia terminou com um comício na Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, a mais antiga colectividade do Barreiro. Perante centenas de pessoas, Edgar Silva lembrou que MRS «esteve sempre de braço dado com os grandes banqueiros, não apenas de férias, em defesa do grande capital». «Qual é o democrata e patriota, homem ou mulher de esquerda, que vê de bom grado o seu voto ser igual ao de Passos Coelho, Paulo Portas, Cavaco Silva e Durão Barroso?», interrogou, frisando que «o que está em causa, em relação a MRS, não é decidir por alguém que se simpatiza ou antipatiza, por ser mais alto ou mais baixo, mais gordo ou magro, risonho ou sisudo», mas sim «a natureza das suas políticas».