Atentados terroristas em Paris

Condenação e pesar

A As­sem­bleia da Re­pú­blica aprovou, dia 18, por una­ni­mi­dade, um voto de con­de­nação pelos aten­tados ter­ro­ristas de Paris e de pesar pelas suas ví­timas, tendo no final os de­pu­tados cum­prido um mi­nuto de si­lêncio.

No voto, apre­sen­tado pelo pre­si­dente da AR, Edu­ardo Ferro Ro­dri­gues, e subs­crito pelos lí­deres de todas as ban­cadas, su­blinha-se que, «pe­rante o horror ab­so­luto, impõe-se a con­de­nação ab­so­luta» e que «pe­rante o mal ab­so­luto, deve pre­va­lecer o bem comum».

A an­te­ceder a vo­tação, da parte de todos os grupos par­la­men­tares, foi ainda de con­de­nação e cons­ter­nação o sen­tido geral das pa­la­vras que se ou­viram no he­mi­ciclo, bem como de so­li­da­ri­e­dade para com o povo francês e a co­mu­ni­dade por­tu­guesa em França, como deixou ex­presso na sua in­ter­venção o pre­si­dente da for­mação co­mu­nista João Oli­veira, que tornou ex­ten­siva a ma­ni­fes­tação de pesar e so­li­da­ri­e­dade do PCP a «todos os povos que são ví­timas do ter­ro­rismo nas suas vá­rias ex­pres­sões em di­versos pontos do mundo, in­cluindo no Médio Ori­ente e em África onde também a Hu­ma­ni­dade tem sido con­fron­tada com o horror e a bar­bárie do ter­ro­rismo».

De­fen­dendo que a res­posta ao ter­ro­rismo im­plica obri­ga­to­ri­a­mente o «com­bate às suas causas mais pro­fundas, sejam de na­tu­reza po­lí­tica, eco­nó­mica ou so­cial», João Oli­veira sus­tentou que tal res­posta exige si­mul­ta­ne­a­mente o «fim do apoio po­lí­tico, fi­nan­ceiro e mi­litar com que grupos ter­ro­ristas como aqueles que se reúnem em torno do de­no­mi­nado "Es­tado Is­lâ­mico" têm con­tado e que têm sido uti­li­zados para de­ses­ta­bi­lizar e agredir es­tados so­be­ranos e in­de­pen­dentes como a Síria e o Iraque».

A vida já mos­trou, en­tre­tanto, no en­tender do PCP, que a «es­ca­lada de in­ge­rência e de guerra e de im­po­sição de me­didas aten­ta­tó­rias de di­reitos e li­ber­dades fun­da­men­tais têm com­pro­va­da­mente fa­lhado o ob­jec­tivo de com­bater o ter­ro­rismo e têm ali­men­tado o cres­ci­mento de forças ra­cistas, xe­nó­fobas e fas­cistas e a sua acção de terror».

E por isso João Oli­veira rei­terou a po­sição do PCP se­gundo a qual o com­bate ao ter­ro­rismo «exige a de­fesa e afir­mação dos va­lores da li­ber­dade, da de­mo­cracia, da so­be­rania e in­de­pen­dência dos es­tados», com­bate esse que tem de passar ainda por «op­ções que po­nham fim à es­ca­lada de guerra e à mi­li­ta­ri­zação das re­la­ções in­ter­na­ci­o­nais», do mesmo modo que tem de passar por «travar novas agres­sões contra es­tados so­be­ranos, no­me­a­da­mente na re­gião do Médio Ori­ente, e por uma po­lí­tica de de­sa­nu­vi­a­mento e de paz nas re­la­ções in­ter­na­ci­o­nais, no quadro do res­peito pela Carta das Na­ções Unidas e pelo di­reito in­ter­na­ci­onal».

 



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