Colégios privados ganham 540 milhões

«O Governo financia privados, enquanto deixa escolas públicas com salas vazias e professores no desemprego», acusou o Sindicato dos Professores da Zona Sul, num comunicado acerca dos «contratos de associação» que o Governo pôs a concurso.

O SPZS/Fenprof, retomando a posição divulgada pela federação no dia 18 de Junho, quando foi publicado o anúncio do concurso, e fazendo também a leitura de uma resolução do Conselho de Ministros saída no dia seguinte, nota que o Estado irá financiar 1740 turmas, pagando anualmente 80 500 euros por cada uma delas, comprometendo até 2020 um montante que não poderá ultrapassar 537 176 500 euros – quase 540 milhões.

Estão a concurso, para os próximos três anos, 656 turmas de 5.º, 7.º e 10.º anos.

O sindicato e a federação lembraram um estudo de 2012, realizado por um grupo de trabalho do MEC, coordenado por Pedro Roseta. Nas escolas públicas, o custo médio de cada turma, no Ensino Básico, foi então calculado em 70 648 euros (hoje será consideravelmente mais baixo, pois houve desde então uma redução de mais de 20 por cento do pessoal docente).

Tomando por actual aquele valor, conclui-se que o MEC se dispõe a pagar, por cada turma, aos operadores privados mais 9 852 euros do que despenderia no ensino público.

Poderia aceitar-se como uma despesa inevitável, admite o SPZS, «caso as escolas públicas não reunissem as condições para receber as turmas que são desviadas para os colégios privados», mas seria sempre imperioso cumprir o artigo 75.º da Constituição, que obriga o Estado a garantir a todos o acesso ao ensino em escolas públicas.

Reportando-se à sua área de intervenção, o sindicato sublinha que «onde foram postas a concurso estas turmas, as escolas públicas, salvo raras excepções, têm condições para as receber ou, no limite, existe capacidade das escolas dos concelhos de origem dos alunos».

Para o sindicato, esta situação é inconstitucional, despesista e «apenas favorece operadores privados», a quem no próximo ano lectivo serão entregues 53 milhões de euros, para financiamento dos seus negócios à custa do erário público.

Este rumo «consolida o processo de privatização do ensino». E, no quadro da «reforma do Estado» e a par da municipalização, procura «reduzir ainda mais o número de docentes nas escolas públicas, cumprindo, dessa forma, a imposição do FMI de redução de 173 milhões de euros em trabalhadores da Administração Pública».

 



Mais artigos de: Trabalhadores

Governo desmentido

Primeiro, o Instituto Nacional de Estatística mostrou a destruição de postos de trabalho e a persistência do desemprego. No dia seguinte, o Fundo Monetário Internacional fez o retrato do desastre e insistiu na política que o provocou.

Travar a municipalização

As providências cautelares já aceites impedem que os contratos da municipalização da educação avancem em Sousel, no Crato, em Oliveira de Azeméis e em Matosinhos.

Hotelaria

Em Aveiro, no dia 7, sexta-feira, o Sindicato da Hotelaria do Centro levou a cabo uma acção de esclarecimento e mobilização dos trabalhadores de hotéis, restaurantes e similares, e de sensibilização da população. Destacou o contraste entre o bom desempenho...

Guardas florestais com Estatuto

Foram encerradas no dia 3 as negociações do Estatuto da Carreira da Guarda Florestal, informou a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que não deu o seu acordo nas matérias remuneratórias (salários...

E as minas?

A saída de pessoal das Minas da Panasqueira – que a multinacional japonesa Sojitz Beralt Tin & Wolfram, empresa concessionária da exploração, prevê continuar até ao fim do ano, de modo a atingir uma redução de cem trabalhadores...

Tivoli e GES

As consequências do colapso do Grupo Espírito Santo nos Hotéis Tivoli estão a recair sobre os trabalhadores, quer pelo clima de instabilidade em torno do património da empresa e do futuro dos postos de trabalho, quer pelo não cumprimento do contrato colectivo (particularmente...

Triumph sai

Na AR e no Parlamento Europeu, os deputados do PCP apresentaram perguntas sobre a instabilidade criada pela administração da filial portuguesa da Triumph, que anunciou a venda da fábrica em Sacavém, porque a multinacional pretende passar a produção para países com...

Soares da Costa pagou

A construtora Soares da Costa pagou anteontem, dia 11, os salários de Julho e os subsídios de férias que estavam em atraso. Para ontem ficou marcada uma reunião entre os representantes dos trabalhadores e da administração.