Descubra as diferenças

Manuel Rodrigues

Para além do que já se conhecia sobre as semelhanças, nos objectivos e na acção, dos três partidos que têm dado corpo à política de direita – PS, PSD e CDS – a última semana foi fértil na revelação de novos dados.

A comunicação social divulgou que o PS na AR, nesta legislatura, das 310 propostas do Governo ali chegadas votou a favor em 139, absteve-se em 79 e votou contra em 92.

Dada a natureza política da generalidade destas propostas, cujos efeitos os portugueses sentem nas suas vidas e que se traduzem num dos piores períodos de retrocesso social desde o 25 de Abril, ficou-se a conhecer, pela sua reiterada prática de convergência à direita, o que faria no governo o PS se os portugueses lhe confiassem o seu voto.

Nesta comunicação social dominante cada vez mais controlada pelo grande capital é o próprio Diário Económico (edição de 5 de Agosto), pela pena de JCR, a considerar que nas questões financeiras, por causa da subserviência de ambos à «ortodoxia do euro», por mais diferenças casuísticas que nos seus programas procurem exibir, as soluções que uns avançam podiam perfeitamente ser avançadas pelos outros. E para que não restem dúvidas o comentador afirma: «o que predomina tanto entre a coligação de direita como no PS é o medo em relação a qualquer desafio à ortodoxia europeia». Ou seja, mesmo com uma «leitura inteligente» dos tratados, tudo iria dar ao prosseguimento da política de direita.

De facto, não são precisas «leituras inteligentes» para constatar aquilo que é óbvio: primeiro, que as diferenças entre os programas do PSD/CDS e do PS, nas questões essenciais, não existem; segundo, que a política de direita que querem prosseguir é a responsável pela situação de desastre e declínio a que o País chegou; terceiro, que é necessária uma alternativa a sério, com coragem para enfrentar os problemas estruturais e libertar o País dos constrangimentos que resultam da submissão externa; finalmente, que essa alternativa é possível com a força do povo e o reforço da CDU. Esta é a grande diferença. O resto não passa de conversa fiada.

 



Mais artigos de: Opinião

O galheteiro

A «coligação PAF» insiste em passar pelos pingos das décimas para levar a ideia de que «o desemprego está a descer». Já é uma obscenidade brincar às percentagens com um problema tão grave como o desemprego e ouvir o ministro Mota Soares,...

Não ao TTIP

A evolução da situação internacional, que continua marcada pela crise estrutural do capitalismo, coloca em evidência os reais objectivos do chamado «Acordo de Parceria Transatlântico de Comércio e Investimento» – também conhecido como Tratado...

A política da terra queimada

Natal em Dezembro, chuva em Abril, calor no Verão, frio no Inverno. Há anos, há demasiados anos, que à meteorologia expectável que se sucede no calendário se juntam os fogos em Julho e Agosto. Como se os fogos florestais se tratassem de inevitabilidades. Os dados que o PCP...

Os citadores

O movimento comunista sempre foi atreito a uma praga que, não lhe sendo própria, aqui provoca estragos particularmente graves. Falo dos citadores, daqueles que substituíram a vontade de analisar o mundo em que vivem pelo exercício da citação, daqueles que citam não para...

Burla gigantesca em curso

Está em curso uma gigantesca burla política, concretizada pelos banqueiros, outros grandes capitalistas e todos aqueles que têm arrecadado o resultado dos roubos e da exploração feitos aos trabalhadores, reformados e pensionistas, aos micro e pequenos empresários. A vítima é o povo português. Quem dá a cara por este autêntico crime são os dirigentes dos partidos da política de direita PS, PSD e CDS.