Descubra as diferenças
Para além do que já se conhecia sobre as semelhanças, nos objectivos e na acção, dos três partidos que têm dado corpo à política de direita – PS, PSD e CDS – a última semana foi fértil na revelação de novos dados.
A comunicação social divulgou que o PS na AR, nesta legislatura, das 310 propostas do Governo ali chegadas votou a favor em 139, absteve-se em 79 e votou contra em 92.
Dada a natureza política da generalidade destas propostas, cujos efeitos os portugueses sentem nas suas vidas e que se traduzem num dos piores períodos de retrocesso social desde o 25 de Abril, ficou-se a conhecer, pela sua reiterada prática de convergência à direita, o que faria no governo o PS se os portugueses lhe confiassem o seu voto.
Nesta comunicação social dominante cada vez mais controlada pelo grande capital é o próprio Diário Económico (edição de 5 de Agosto), pela pena de JCR, a considerar que nas questões financeiras, por causa da subserviência de ambos à «ortodoxia do euro», por mais diferenças casuísticas que nos seus programas procurem exibir, as soluções que uns avançam podiam perfeitamente ser avançadas pelos outros. E para que não restem dúvidas o comentador afirma: «o que predomina tanto entre a coligação de direita como no PS é o medo em relação a qualquer desafio à ortodoxia europeia». Ou seja, mesmo com uma «leitura inteligente» dos tratados, tudo iria dar ao prosseguimento da política de direita.
De facto, não são precisas «leituras inteligentes» para constatar aquilo que é óbvio: primeiro, que as diferenças entre os programas do PSD/CDS e do PS, nas questões essenciais, não existem; segundo, que a política de direita que querem prosseguir é a responsável pela situação de desastre e declínio a que o País chegou; terceiro, que é necessária uma alternativa a sério, com coragem para enfrentar os problemas estruturais e libertar o País dos constrangimentos que resultam da submissão externa; finalmente, que essa alternativa é possível com a força do povo e o reforço da CDU. Esta é a grande diferença. O resto não passa de conversa fiada.