A política da terra queimada

Margarida Botelho

Natal em Dezembro, chuva em Abril, calor no Verão, frio no Inverno. Há anos, há demasiados anos, que à meteorologia expectável que se sucede no calendário se juntam os fogos em Julho e Agosto. Como se os fogos florestais se tratassem de inevitabilidades.

Os dados que o PCP divulgou em conferência de imprensa no final da semana passada põem a nu a terrível situação que o Governo se esforça por esconder: a 31 de Julho já tinham ardido cerca de 29 mil hectares – e ainda não tinham acontecido os incêndios dos últimos dias –, e todos os números são muito piores do que os do ano anterior, sejam as ocorrências, os reacendimentos ou a área ardida.

Os relatos assustadores das populações atingidas e os painéis de especialistas reunidos à pressa para debates nos canais de notícias sucedem-se todos os anos. Claro que é indispensável combater os incêndios e minimizar as suas consequências. Mas o que é decisivo é o que se faz no plano da prevenção.

E é aí que a falência da política de direita se expõe em toda a sua terrível dimensão: enfeudados aos interesses do grande capital que servem, presos a uma lógica mercantilista e de lucro fácil e rápido, os sucessivos governos promoveram políticas de eucaliptização e de ataque aos baldios, fragilizaram a estrutura de vigilância e combate, degradaram os meios de combate aos incêndios, nomeadamente dos bombeiros. Nem toda a propaganda do mundo disfarça que este Governo seguiu fielmente esse caminho.

Em vez de uma floresta estruturada, planeada de acordo com os interesses do povo e do País, o que temos é mais eucalipto do que pinheiro e sobreiro. Assim, não há milagres, e o resultado tinha que ser este.

Esta é mais uma das áreas da vida do País em que a ruptura com a política de direita é inadiável. «O ordenamento florestal, o tratamento da floresta, a limpeza, a abertura de caminhos rurais e aceiros, a agricultura e a pastorícia, o povoamento do interior, são as formas de prevenção capazes de diminuir os riscos», refere a posição divulgada pelo Partido. E isso constrói-se com uma política patriótica e de esquerda, e vota-se no dia 4 de outubro, pondo a cruz na CDU.

 



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