A justa homenagem aos antifascistas
Sendo o justo tributo a todos aqueles que no Edifício do Heroísmo sofreram a privação da liberdade, resistindo corajosamente, é também a «obrigação de um País
que não pode deixar cair no esquecimento as atrocidades cometidas pelo regime fascista». Assim avaliou a deputada comunista Diana Ferreira o projecto de homenagem aos milhares de resistentes antifascistas que passarem por aquele edifício, no Porto, e que «às mãos da PIDE e a mando do regime fascista foram presos, torturados e até assassinados››.
Do que se trata – e este é o objectivo pelo qual a União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) há muito batalha e a que o PCP deu corpo em projecto de resolução recentemente aprovado na AR com os votos favoráveis de todas as oposições e a abstenção da maioria PSD/CDS-PP – é de adicionar uma nova funcionalidade e vivência ao edifício que lhe confira a natureza de «espaço de memória e evocação da luta da resistência antifascista››. Em que moldes? «Identificando-se os percursos e salas usados pela PIDE e expondo-se documentos relacionados com os presos políticos e a resistência ao fascismo››, segundo a explicação de Diana Ferreira, que assinalou a circunstância de este ser um projecto museológico pronto a implementar e perfeitamente compatível com a existência e continuidade do Museu Militar e a sua missão podendo mesmo funcionar como dinamizador›› deste, na medida em que o percurso se desenvolve no seu espaço.
Recorde-se que depois do 25 de Abril o Edifício do Heroísmo passou a estar sob a tutela do Ministério do Exército, tendo acolhido o Museu Militar do Porto. Na década de 80 foram várias as diligências para a sua classificação como imóvel de interesse público, com vista a impedir a sua destruição e descaracterização.