Saúde vira negócio
O Grupo Parlamentar do PCP questionou o Governo sobre a eventual existência de negociações com uma unidade privada de saúde para a instalação em Viseu da unidade de radioterapia há muito reivindicada.
A criação do serviço de radioterapia no Hospital de São Teotónio (que integra o Centro Hospitalar Tondela/Viseu) «será um importante ganho para este hospital e para os cerca de 400 mil utentes que serve», refere o deputado comunista Miguel Tiago em pergunta recente dirigida ao Governo onde lembra que este serviço é reclamado por todas as forças políticas, pela Assembleia Municipal de Viseu e pela população e está inscrito nos objectivos do Governo desde 2002.
A sua concretização permitirá responder melhor às necessidades dos doentes oncológicos e com menos custos para o Estado, anota o parlamentar do PCP, que lembra que a não existência de radioterapia neste hospital – que tem um serviço de oncologia «com um volume de doentes em algumas patologias semelhante ao do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra» – obriga os doentes a deslocarem-se para Coimbra, «com os inconvenientes económicos, de bem-estar e de eficácia médica que isso implica».
Acontece porém que essa unidade de radioterapia, segundo notícias na imprensa, será instalada numa unidade de saúde privada e não no Hospital de São Teotónio, fruto de uma negociação que terá ocorrido entre o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, e o ministro da Saúde. O que a confirmar-se, critica Miguel Tiago, é «mais um ataque ao Serviço Nacional de Saúde, porque o que dita esta decisão do ministro Paulo Macedo é a satisfação dos interesses dos grupos económicos privados do sector da saúde, em detrimento do enriquecimento do SNS».
É que «este investimento do sector privado numa unidade de radioterapia só será rentável porque (tal como em outras Parcerias Público-Privadas) os doentes vão ser intencionalmente desviados do hospital público por falta de resposta, garantindo o lucro aos privados com os dinheiros dos contribuintes», denuncia Miguel Tiago, para quem «este "negócio" é absolutamente contrário aos interesses dos utentes que deveriam estar no centro das políticas de saúde».
Daí questionar no texto que dirigiu ao Governo qual o «critério clínico, terapêutico e de defesa dos pacientes e do SNS» que está na base de uma decisão que «deslocaliza doentes para fora do local onde lhes foi diagnosticada a doença, onde são acompanhados através de consultas regulares, onde lhes são ministrados os tratamentos de quimioterapia».