na Coca-Cola
Uma vitória da luta
Em luta há mais de um ano pelos postos de trabalho, os operários da Coca-Cola em Espanha obtiveram nova vitória com a declaração da nulidade do despedimento colectivo.
Mil trabalhadores da Coca-Cola esperam ser reintegrados
A decisão do Tribunal Supremo, anunciada dia 15, veio confirmar a sentença anterior da Audiência Nacional, a qual a multinacional norte-americana se recusou a aplicar.
O Supremo declarou a nulidade do despedimento colectivo ao dar como provado que a Coca-Cola violou o direito de greve dos trabalhadores da fábrica madrilena de Fuenlabrada.
A história remonta ao início de 2014, quando a empresa decidiu encerrar quatro das 11 fábricas que possui em Espanha e despedir mais de mil trabalhadores.
Uma longa greve teve então início, mas a empresa encontrou sempre formas de manter o mercado abastecido com a produção de outras unidades.
A fábrica de Fuenlabrada, a Sul de Madrid, está desde então ocupada pelos operários, para impedir a retirada da maquinaria e outros materiais.
Depois de 15 meses em luta, os trabalhadores saudaram efusivamente a decisão judicial, e esperam que a empresa cumpra agora as determinações dos juízes, a saber: o pagamento dos salários em atraso e a reintegração dos trabalhadores.
No entanto, estão conscientes de que, após a desactivação de quatro fábricas (Alicante, Fuenlabrada, Palma de Mallorca e Asturias), o futuro continua incerto.
No dia seguinte à decisão do Supremo, a multinacional fez publicar nos principais jornais um anúncio publicitário com a frase: «Hoje é o primeiro dia de um novo futuro juntos».
Com esta iniciativa, a empresa pretendeu reduzir o impacto mediático da condenação judicial e criar uma nova imagem de «diálogo». Em declarações à imprensa, fontes da Coca-Cola admitiram que «a decisão do Supremo encerra uma etapa difícil para a companhia» e que o objectivo da campanha publicitária foi «lançar uma mensagem de optimismo para o futuro».
Outra opinião tem o Comité de Empresa de Fuenlabrada, segundo o qual, antes de se dirigir aos consumidores, a empresa «deveria ter falado com os trabalhadores e cumprir a sentença».
«O nosso centro de trabalho permanece fechado e continuamos alerta porque não confiamos em que acatem o acórdão judicial».