Mais pobres na Suíça
O Banco Nacional da Suíça aboliu no dia 15, quinta-feira, a taxa de câmbio mínima do franco suíço face ao euro, que desde Setembro de 2011 garantia o pagamento de 1,20 francos por euro, levando a divisa helvética para a paridade com a moeda europeia. Esta circunstância representou mais um golpe nos rendimentos dos professores e dos trabalhadores consulares, cujos vencimentos são estabelecidos em euros, como alertaram os respectivos sindicatos.
A paridade das moedas vai agudizar a já precária sobrevivência dos professores a trabalhar no Ensino Português no Estrangeiro (EPE) na Suíça, protestou no dia 15 o Sindicato dos Professores no Estrangeiro. Em comunicado, o SPE/Fenprof lembra que aqueles docentes foram já «vítimas da agressividade dos enormes cortes efectuados em nome de uma dívida que não fizemos, de uma austeridade para a qual não contribuímos», e acusa o governo suíço de «dar uma machadada nos já depauperados salários».
O sindicato exige do Governo português «uma imediata tomada de posição», para «possibilitar a continuidade da docência bem como do trabalho dos profissionais em funções consulares e diplomáticas».
Por mês, com a supressão da taxa de câmbio mínima, os professores da rede EPE na Suíça vão perder entre 400 e 500 euros. A estimativa é feita pelo Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas. Num comunicado da sua secretária-geral, Teresa Duarte Soares, citado dia 18 pela agência Lusa, refere-se que os dois mil euros que em média os professores recebem passam a valer dois mil francos suíços, colocando-os no limiar da pobreza.
A paridade no câmbio «atirou todos os trabalhadores dos postos consulares e diplomáticos na Suíça para uma situação insustentável», pois «o que lhes valeu nos três últimos anos foi precisamente a decisão agora revogada, que pôs fim à situação de variação cambial livre». O Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas (STCDE), numa nota de dia 19, considera que esta decisão unilateral suíça «agravou substancialmente a situação financeira de todos» os funcionários, «em paralelo asfixiados por um injusto sistema de tributação fiscal, que persiste em considerar os trabalhadores residentes em Portugal», e recorda «a responsabilidade dos governantes portugueses que deixaram, ao longo de demasiados anos, arrastar uma situação salarial incompatível com a dignidade das funções exercidas». O sindicato «interpelou de imediato» o Ministério dos Negócios Estrangeiros, reclamando «as necessárias e imediatas medidas a fim de accionar os mecanismos de equilíbrio».