Necessidade premente
A construção de uma unidade de saúde na freguesia de Odivelas foi unanimemente reconhecida como uma necessidade pelo Parlamento. O tema esteve recentemente em debate a partir de uma petição com mais de cinco mil assinaturas e de projectos de resolução do PCP, PEV e BE. Só este último viria, contudo, a obter o voto favorável unânime de todas as bancadas. Os dois restantes, de maior alcance e explicitando com objectividade a «construção urgente de um centro de saúde», embora acolhendo o apoio de todas as oposições, tiveram o voto contra da maioria PSD/CDS-PP e acabaram rejeitados.
Além de propor a retoma do processo de construção do centro de saúde, abrindo para o efeito um concurso público para a execução da empreitada, como salientou o deputado comunista David Costa, o PCP advogava no seu diploma a contratação efectiva de profissionais com vista ao adequado funcionamento da futura unidade de saúde.
A sua construção urgente tem sido reclamada pela população, sobretudo desde que em 2013 o antigo centro teve de fechar portas por ausência de condições de trabalho e pela degradação física dos equipamentos.
Mas essa luta pelo novo centro em Odivelas vem muito de trás, mais exactamente desde 2001, sendo marcada por sucessivos compromissos de governos PS e PSD/CDS-PP que nunca foram cumpridos e que deixaram os 30 mil utentes desta freguesia de 60 mil habitantes numa «situação de insustentável desprotecção ao nível dos cuidados de saúde primários».
Uma situação que David Costa não hesitou em classificar de «inadmissível», face aos «graves prejuízos» causados aos utentes, os quais, muitos deles idosos, observou, são hoje obrigados a deslocar-se à vizinha freguesia da Ramada, sujeitos a percorrer maiores distâncias e sem uma adequada rede de transportes públicos.
Recusado pelo deputado do PCP foi entretanto o argumento do Governo de que o não avanço do centro de saúde tem a ver com um problema orçamental. Do que se trata é de «uma opção política», opôs David Costa, sublinhando que se é verdade que se desconhece se o Executivo orçamentou para 2015 verbas para a sua construção, não é menos verdade que se sabe que o OE para 2015 prevê mais de 1320 milhões de euros em PPP ou mais de 8200 milhões de euros em juros da dívida.