Empresas confrontadas
Os trabalhadores e os seus sindicatos apresentam propostas reivindicativas, exigem melhores salários e o pagamento do trabalho suplementar pelos valores definidos na contratação colectiva.
Só a unidade e a luta dos trabalhadores podem travar a desvalorização do trabalho
Hoje a administração da Transportes Sul do Tejo deverá apresentar a sua proposta salarial, mas na primeira reunião de negociação do Acordo de Empresa, dia 6, com a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), teve «a conversa do costume» e não aceitou «nenhuma» das propostas sindicais. Nestas constam, como objectivos centrais, o aumento de um euro por dia na tabela salarial, para todos os trabalhadores, mais quatro por cento nas restantes cláusulas pecuniárias, e o pagamento do «tempo de disponibilidade» como tempo de trabalho (o que já foi confirmado pela Autoridade para as Condições do Trabalho).
No comunicado que a Fectrans divulgou na segunda-feira, dia 12, a Arriva (grupo proprietário da TST, que faz parte do universo da Deustche Bahn) é acusada de pretender «continuar uma política de baixos salários e aumentar a exploração de quem trabalha». Nas contas de 2013, a actividade da empresa cresceu quatro por cento, mas os custos com pessoal diminuíram 3,37 por cento; refere ainda a Fectrans que «o resultado líquido da TST/Arriva cresceu 112 mil euros (mais 33 por cento)» e «aos trabalhadores foram retirados 774 mil euros». Como esta redução se deveu «essencialmente» à redução do pagamento do trabalho extraordinário, a federação prevê que os custos com pessoal continuem a ser menores, em 2014, devido ao «tempo de disponibilidade» (horas em que os motoristas não estão a conduzir, mas estão ao serviço da empresa).
A fim de aprovar uma proposta de contrato colectivo para o sector do handling (assistência em terra a passageiros e bagagem), abrangendo todas as empresas, foi marcado para ontem à tarde um plenário dos trabalhadores da SPdH e da Portway, no aeroporto de Lisboa. O Sitava convocou greve para o período entre as 14 e as 18 horas, de modo a permitir uma maior participação dos trabalhadores.
Na negociação do Acordo de Empresa da Portway (detida pela ANA, cujo capital social foi na íntegra alienado ao Grupo Vinci em Setembro de 2013), o sindicato da Fectrans/CGTP-IN suscitou a passagem à fase de conciliação, depois de a administração ter suspendido unilateralmente o diálogo, alegando que «o accionista» só pretendia retomar o processo depois de concluída a revisão do AE da ANA.
Na primeira reunião, dia 7, no Ministério do Emprego, o Sitava apresentou uma lista de situações que exigem resolução urgente, mesmo antes de se passar ao AE. Aí constam um aumento salarial de 0,8 por cento, decidido por arbitragem voluntária em 2010, e a aplicação do IRCT em vigor (o AE da ANA, negociado no ano 2000 e aplicado na Portway por decisão unilateral da administração) a todos os trabalhadores, integrando os das «actividades secundárias» e cumprindo a majoração das férias e o pagamento do trabalho suplementar. Está também por fazer a actualização salarial desde a privatização.
Com nova reunião no Ministério marcada para dia 29, o Sitava avisa que os trabalhadores «não deixarão de ter uma palavra a dizer e vão lutar cada vez com mais determinação pelos seus direitos e condições de trabalho».
Carris
Uma greve às horas extraordinárias na Carris vai decorrer entre 27 de Janeiro e 1 de Março, pela reposição do pagamento do trabalho extraordinário e pelo cumprimento do Acordo de Empresa, contra as medidas do Código do Trabalho e do Orçamento do Estado que visam o rendimento dos trabalhadores e pelo aumento real dos salários, informou no dia 12 a Fectrans.
Trabalhar e empobrecer
«Na DHL trabalha-se empobrecendo», protesta o Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP/CGTP-IN). Na «folha sindical» de Janeiro, em distribuição entre os trabalhadores da empresa do grupo Deutsche Post, salienta-se que desde 2010 não são aumentados os salários e acusa-se a multinacional de aproveitar uma conjuntura favorável para aumentar a exploração e congelar salários.
Mais de 350 euros por ano terá perdido cada trabalhador, apenas por efeito do corte de quatro feriados, eliminação de três dias de majoração das férias, redução a metade do valor do trabalho suplementar e criação do «banco» de horas, afirma o CESP. O sindicato releva as condições de trabalho na generalidade dos armazéns, a pressão a que os trabalhadores são sujeitos, o trabalho qualificado que prestam e o valor desse trabalho, para classificar de «inaceitável» que a DHL recuse atribuir categorias de especialização, em nome da flexibilidade que serve para os operadores de máquinas executarem tarefas noutras equipas.
Em contraponto, o CESP apresenta os resultados da Deutsche Post DHL em 2013, com lucros a ultrapassarem dois mil milhões de euros, ultrapassando em mais de 450 milhões o ganho obtido em 2012.
Na «folha» o sindicato divulga a proposta de reivindicações a apresentar à DHL e apela à participação dos trabalhadores «na construção do caderno reivindicativo».