Demissão pela saúde
«Não há desculpas para uma política que põe em causa a vida das pessoas», comentou a CGTP-IN, na segunda-feira, a propósito da grave situação nas urgências hospitalares. Para a central, poderiam ter sido evitadas as mortes mais recentes, se problemas como a falta de recursos humanos e materiais, o encerramento de serviços de cuidados de saúde primários e o recurso a empresas de trabalho temporário tivessem a resposta atempada que os sindicatos da CGTP-IN têm reivindicado.
«A sucessão de tragédias pessoais, a que assistimos nas últimas semanas, é parte integrante de uma opção ideológica e de uma estratégia economicista do Governo, que visam a degradação e descredibilização do Serviço Nacional de Saúde, com vista à sua destruição», acusa a Intersindical, na nota que publicou dia 12 e na qual salienta que, «contrariamente ao que pretende fazer crer o Governo, a situação criada não é pontual, mas frequente nos serviços de urgência hospitalar». «Pôr termo a esta política e a este Governo é um imperativo de todos quantos defendem um SNS ao serviço da qualidade de vida do povo e do desenvolvimento do País», conclui a Inter.
Serpa
A diminuição do número de enfermeiros por turno, chegando cada um a ter a responsabilidade de 24 doentes, destaca-se entre as primeiras consequências da entrega do Hospital de S. Paulo à Misericórdia de Serpa. Em comunicado, no dia 9, a direcção regional de Beja do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alerta para a sobrecarga dos profissionais, responsabiliza a Santa Casa e recorda que as «Normas das Dotações Seguras» da Ordem dos Enfermeiros «são para ser aplicadas também nas instituições do sector social».
Neste processo, a administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo abriu concurso de recrutamento dois dias após ter «descartado» enfermeiros que formou e integrou e de que, afinal, precisava. Para o SEP, isto «é desperdício do erário público, que a Misericórdia agradece, mas que os profissionais não queriam». O sindicato defende que ficar no hospital privatizado deveria ser uma opção dos enfermeiros, acautelada com a sua colocação noutro serviço da ULS onde são necessários.