Fenprof nega «excedentes»
Perante os perigos do processo de municipalização e a perspectiva de aplicação aos professores do regime de mobilidade especial, o Secretariado Nacional da Fenprof reafirma que todos os docentes são necessários.
Há 599 docentes na lista para «requalificação» em Fevereiro
Ao divulgar, dia 9, as conclusões da reunião de dois dias do órgão dirigente da Federação Nacional dos Professores, Mário Nogueira salientou que, contra aquilo que o Governo pretendia, ainda não está assinado nenhum contrato com câmaras municipais para uma «descentralização» que, como explicou o Secretário-geral da Fenprof, é uma retirada de competências das escolas para os municípios, dos quais o Governo quer assim fazer tentáculos do poder central.
Insistindo na crítica do secretismo desta municipalização, que deveria abranger 20 concelhos, nesta fase, e que prevê «premiar» as câmaras que consigam reduzir o quadro docente, a federação valorizou as acções já realizadas de contestação, com concentrações e reuniões, em várias localidades, com a entrega de mais de 20 mil assinaturas no gabinete do primeiro-ministro, a 22 de Dezembro, e com a continuação da subscrição para o texto da petição que foi entregue a 2 de Dezembro no Parlamento, assinada por quase 13 mil professores em apenas duas semanas.
A Fenprof quer discutir urgentemente com o ministro da Educação a eventual aplicação aos docentes do regime de mobilidade especial, permitida pela lei a partir do próximo dia 1 de Fevereiro. Para a federação, todos os professores que estão no sistema de ensino são indispensáveis.
No início do ano escolar, o ministro Nuno Crato admitiu que nenhum docente seria abrangido por este mecanismo (também designado de requalificação e que, começando por reduzir drasticamente a remuneração, abre caminho ao despedimento). Mas a DGAE (direcção-geral da Administração Escolar) regista 176 professores com ausência de componente lectiva e há 423 docentes dos quadros que estão colocados em horários temporários, concluindo a Fenprof que 599 docentes poderão ir para a mobilidade especial. Ora, salientou Mário Nogueira, trata-se de docentes que estão a trabalhar em bibliotecas, na dinamização de projectos, a dar apoio a alunos e às direcções dos estabelecimentos, estão a trabalhar em áreas fundamentais da vida das escolas e não estão a mais.
Crato mais só
A Fenprof vê o ministro da Educação cada vez mais isolado na imposição da PACC (prova de avaliação de conhecimento e capacidades), lembrando a recente posição do Conselho Científico do Instituto de Avaliação Educativa, segundo o qual a prova é aplicada porque o Ministério da Educação «desconfia» da qualidade da formação inicial (embora nada faça para prevenir erros que a prova não corrige); aquele órgão do IAVE chega a considerar que a PACC serve para o Governo e MEC afastarem professores da carreira.
Quanto ao resultados, a Fenprof destaca que 97 por cento dos docentes que fizeram a prova não obtiveram qualquer colocação, pelo que a PACC serviu para anular 7995 candidaturas.
Para a próxima etapa da PACC, a ter lugar em Fevereiro, a federação decidiu já apresentar um pré-aviso de greve a todo o serviço que com ela esteja relacionado, abrangendo todo o mês e admitindo prolongá-lo se o MEC adiar a prova.
Ouvido na rua
Professores e outros trabalhadores do Instituto da Segurança Social responderam ao apelo da Fenprof e dos sindicatos da Função Pública e concentraram-se anteontem, à tarde, junto à escadaria do Palácio de São Bento, para assistirem à transmissão televisiva da audição, na Comissão de Segurança Social e Trabalho, do presidente do Conselho Directivo do ISS e do ministro Mota Soares.
Este protesto foi decidido depois de, com a resposta negativa a vários pedidos para assistir aos trabalhos no Parlamento, ter sido recebida a informação de que, alegadamente, por decisão da Presidente da AR, a sessão não poderia ter assistência – uma «decisão arbitrária que impede cidadãos portugueses de acompanharem in loco estas audições parlamentares sobre tão importante matéria», como considerou a Fenprof.