Privatizações, desigualdades, injustiças, retrocesso, desemprego, exploração

«Prendas» rejeitadas com luta

Na época natalícia, o patronato e o seu Governo não atenuam o ataque, exigindo dos trabalhadores e das suas organizações respostas firmes e luta determinada, como se viu nas greves recentes na Refer, no Metropolitano de Lisboa e na logística do Continente, e também em acções nas ruas do Porto, Famalicão e Guimarães. Outras lutas estão marcadas para os próximos dias.

Cada luta aponta um cartão vermelho ao Governo

«Uma das maiores greves na Refer» teve lugar na quinta-feira, dia 18, impedindo «a esmagadora maioria da circulação ferroviária da CP, Fertagus, CP Carga e Takargo». Foi assim que a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, da CGTP-IN, ilustrou «a grandiosa luta» dos trabalhadores da Refer, «numa ampla unidade na acção, contra a destruição da empresa».
A medida contestada é a fusão da gestora da infra-estrutura ferroviária com a Estradas de Portugal. Ao juntar a EP com a Refer, o Governo «quer colocar esta ao serviço dos interesses das PPP, que vivem à conta da empresa das estradas», acusou a Fectrans, na nota que publicou ao fim da manhã de dia 18.
Entre as reivindicações que motivaram a greve estão a defesa da Refer ao serviço da garantia de qualidade e segurança do transporte ferroviário, a preservação dos postos de trabalho, a reposição dos direitos (incluindo o direito ao transporte), a resistência à destruição da contratação colectiva, o combate aos cortes e congelamento de salários, o respeito integral do Acordo de Empresa.
A federação salientou que «mais de 95 por cento dos trabalhadores estão em greve, alguns dos quais pela primeira vez», e a circulação ferroviária «está reduzida, apenas, aos chamados serviços mínimos, que foram definidos sem qualquer fundamento técnico-jurídico e que os trabalhadores estão a assegurar sob protesto». Para a Fectrans, «com esta elevada adesão, os trabalhadores da Refer mostram um cartão vermelho ao Governo e à sua política».

No Metropolitano de Lisboa teve adesão praticamente total a greve na Exploração Operacional, dia 17, provocando a paralisação da circulação e o encerramento das estações. «Esta greve tem uma relação muito directa, em primeiro lugar, com a exigência da contratação de mais pessoal para a área da tracção e movimento», de forma a «assegurar os níveis de segurança desejáveis», explicou o Secretário-geral da CGTP-IN, que se encontrou, perto da meia-noite, ao início da greve, com algumas dezenas de trabalhadores reunidos junto à central de comando do Metro. Citado pela agência Lusa, Arménio Carlos revelou que os trabalhadores da EO «estão a ser sistematicamente pressionados com alterações de horários».
A greve foi também assumida como um protesto contra a privatização da empresa, desencadeada sob a forma de subconcessão. Este é um objectivo central da greve convocada para ontem, dia 22, abrangendo todo o pessoal do Metro, e que se insere no prolongado processo de luta em defesa da contratação colectiva e dos direitos nela inscritos, e contra os roubos nos salários e pensões.

Nas ruas centrais do Porto, ao final da tarde de quarta-feira, dia 17, decorreu uma manifestação de dirigentes sindicais e outros trabalhadores, por iniciativa da estrutura distrital da CGTP-IN. O coordenador da União de Sindicatos do Porto garantiu para 2015 uma «acção continuada de protesto, luta e denúncia», de modo a que no próximo ano se viva «um Natal para todos, que não seja um Natal só para alguns». «Tudo faremos para que este País seja para velhos, para novos e para pessoas de meia-idade, seja um país mais justo», declarou João Torres, citado pela agência Lusa. Chamou a atenção para «as desigualdades e as injustiças, que têm vindo a alastrar de uma forma muito acentuada, designadamente com os cortes nas reformas e nos salários».
O protesto seguiu do Largo dos Loios para a Rua de Santa Catarina, atravessando a Praça da Liberdade pela Rua 31 de Janeiro, ao som de palavras de ordem como «Portugal enxovalhado com tanto visto dourado» e «Este Governo hostil quer destruir Abril».

A União dos Sindicatos do Distrito de Braga, em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Desempregados, promoveu um conjunto de acções públicas, a mostrar «Que Natal temos», com o objectivo de «denunciar as malfeitorias da política de direita, seguida ao longo dos últimos 38 anos e aprofundada pelo actual Governo». Um «pinheiro de Natal», colocado em locais centrais de Vila Nova de Famalicão (dia 17), Guimarães (dia 19), Barcelos (ontem) e Braga (hoje), exibe as «prendas» que o Governo dá aos portugueses. A denúncia é completada pela distribuição de um documento intitulado «O Governo mente! O desemprego é uma tragédia nacional!». É reafirmado o apelo ao prosseguimento da luta contra «os roubos nos salários e nos horários de trabalho, entre outras atrocidades do Governo, ao mesmo tempo que assistimos a contínuos benefícios e dinheiro dos nossos impostos para os grandes grupos económicos e financeiros», adiantou a USB/CGTP-IN.

 



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