Agendas

Manuel Rodrigues

O PS de António Costa, depois da farsa das «primárias», a chamada eleição do candidato a primeiro-ministro, prepara-se agora para novo embuste com a sua moção ao congresso que contém uma proposta de «agenda para a década de 2015-2024» assente em quatro grandes pilares desdobrados por um vasto número de objectivos.

«Agenda para a década» porque, dizem, tais objectivos não são realizáveis no quadro de uma legislatura. A questão prioritária, no entanto, não está em saber que tempo é necessário para concretizar uma política, mas antes em saber qual a natureza da política que se pretende concretizar.

«Agenda para a década» para servir quem? O grande capital, como até aqui vem acontecendo ou para romper com a política de direita e servir os trabalhadores, o povo e o País?

Que diz, por exemplo, a moção sobre questões tão fundamentais como a dívida, a política europeia, a política económica e os direitos laborais? Nada ou quase nada. Que vontade revela o PS de romper com instrumentos da política de direita que aprovou conjuntamente com o PSD e o CDS (Tratado de Lisboa, Tratado Orçamental, Semestre Europeu, Governação Económica, União Bancária, etc.) ou para se distanciar das anteriores práticas políticas de direita (como foram, entre muitas outras, os ataques aos direitos dos trabalhadores, os PEC, o pacto de agressão da troika)? Nenhuma ou quase nenhuma. Que oposição está o PS disposto a fazer ao Governo no processo de privatização da TAP ou no agravamento da injustiça fiscal presente na proposta de Orçamento do Estado para 2015? Também nenhuma, que até aprovou, ao lado do PSD e CDS, a redução do IRC de 23 para 21 por cento e admite já a entrada de privados no capital da TAP.

A «agenda para a década 2015-2024» não é, pois, nem de alternativa nem de mudança. Por entre o fraseado vago, está, como gato escondido com o rabo de fora, a velha política de direita que PS, PSD e CDS há 38 anos vêm aplicando. Agenda de mudança a sério é a política patriótica e de esquerda. E essa não é possível sem o PCP e, muito menos, contra o PCP. E, mais tarde ou mais cedo, entrará na ordem do dia.

 



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