Ponto Final
Cavaco Presidente deu uma entrevista ao Expresso, com três ideias centrais: não haverá antecipação de eleições; o próximo governo tem de ser de maioria; são necessários entendimentos.
É esta a síntese do pensamento político do mais alto magistrado da nação.
Sobre tal encomenda, duas anotações apenas.
A primeira para afirmar que para dizer tão pouco e sem nenhuma novidade, não valeria a pena ocupar os jornalistas e gastar o papel e mais a tinta.
É que já cá se sabia que, perante um Governo ilegítimo, derrotado nas ruas e nas urnas, que viola a Constituição a cada passo, submisso aos interesses do capital nacional e estrangeiro e às suas ordens, por via directa ou das instituições da União Europeia, Cavaco está irredutível. É para manter e fazer a sua defesa e das suas opções.
Cavaco diz que está a cumprir a lei. Nós dizemos que as eleições devem ser antecipadas, não por causa da preparação do Orçamento do Estado, mas sim porque o povo e o País não aguentam mais esta política de desastre. Até dá vontade de rir ouvir Cavaco falar da necessidade de grave crise para dissolver a Assembleia da República, depois dos episódios das afrontas sucessivas ao Tribunal Constitucional, da grave crise económica e social que este Governo criou e da luta do povo português para o derrotar.
A segunda, que não se desliga da anterior, é que Cavaco não se cansa de defender a manutenção da política de direita. Quer entendimentos entre os do costume, PS, PSD e CDS, e uma maioria do costume para assegurar a eternização dessa política. Pede mesmo que os do costume não se azedem muito entre si, pois mais tarde ou mais cedo estão condenados a entender-se.
O PS de Costa, como antes o de Seguro fizera no caso do IRC, já assegurou a sua disponibilidade para diálogos e entendimentos com vista à reforma do IRS. O senhor Presidente agradece. O povo é que não. Porque sabe que tais diálogos de bastidores, tais entendimentos de pacotilha, os consensos das elites, a conciliação dos poderosos, os acordos palacianos e quejandos só têm servido para legitimar as políticas anti-populares.
Povo que, em última análise, decidirá que governo quer depois das próximas eleições. E pode muito bem ser que o povo se borrife para a vontade do senhor Presidente de ter um governo de maioria, e que saia o tiro pela culatra às suas vontades. Ponto final.