O PS no seu labirinto
A guerra interna no PS arrasta-se, em benefício deste Governo, do branqueamento do PS e da continuidade, com ou sem alternância, da política de direita. A troca de «mimos» atinge um «alto nível», mesmo para o casarão do Rato –, segundo os próprios, de um lado estão os «traidores», «sebastianistas» e «amigos dos banqueiros» e do outro os «mercenários», «incompetentes» e «cinzentões».
Às «primárias para primeiro-ministro», mais um passo para o populismo e a captura do PS por interesses, maçonarias e lobbies –, junta-se a eleição das Federações, num processo com «mafiosices» e «chapeladas». O resultado é menos democracia e credibilidade do PS, ainda mais embrulhado no labirinto da política de direita e abdicação nacional, seja num futuro acordo PS/PSD, ou vice versa, seja numa alternância não alternativa, que mude o rótulo partidário para que tudo fique na mesma, fragilizando o próprio regime democrático.
Na linha do seu passado nos governos PS, ambos, Seguro (AJS) e Costa (AC) não descolam das políticas de declínio nacional. AJS diz que agora (!) vai passar a «falar grosso (!) na Europa» e AC reclama «prudência», que não é tempo de falar da dívida – será talvez quando chegar aos 200% do PIB.
Quanto à política de alianças, são ambos pela maioria absoluta do PS de triste memória, AJS promete um «referendo» para decidir, mas exclui acordos com quem ponha em causa o euro e o rumo de desgraça do País, e AC diz que com este (!) PSD não há acordos, só com o de Rui Rio e por dez anos, e diz que não exclui ninguém à esquerda desde que aceite o seu «abraço de urso».
Sobre batota eleitoral, AJS diz que é para já, porque precisa de votos PSD para ganhar no PS, e AC opta pela tese do «qual é a pressa?», mas está com o «programa» PS dos círculos uninominais e com a proposta nessa matéria que assinou em 2010, também com Rui Rio, que aliás AC insiste em propor para novo «chefe» do PSD, num tacticismo que mais parece encomenda dos interesses.
Não há forma de os democratas esperarem algo de positivo deste PS, de AJS e de AC. Para o PS, no futuro, alguma vez se afastar do labirinto da política de direita, o único caminho seguro é o reforço do PCP.