Para debaixo do tapete
Quase uma confissão de inutilidade sobre o papel da instituição que dirige – assim podem ser interpretadas as palavras de Carlos Costa, na passada semana, no Parlamento.
Pela razão simples de que o Governador do Banco de Portugal, confrontado com a questão de saber como foi possível chegar ao ponto a que se chegou, admitiu na prática que por mais intervenções que fizesse nunca haveria maneira de detectar situações como as que vieram a ocorrer.
«Querem convencer-nos que a regulação é um bom detergente de limpeza mas afinal de contas é só um tapete onde se esconde a porcaria da banca», reagiria mais tarde, em declarações ao nosso jornal, Miguel Tiago, para quem tal «confissão é reveladora do que são e do papel que assumem os bancos centrais».
Ora a verdade é que desde 2013 que toda a gente sabia da existência de problemas no BES. O próprio governador o admite ao afirmar que na altura as «irregularidades detectadas são esquemas fraudulentos de financiamento entre empresas do Grupo BES».
Daí que Miguel Tiago não tenha deixado, na audição, de confrontar Carlos Costa com esse facto contraditório que é o de, por um lado, dizer que não tem como descobrir as irregularidades e ilícitos praticados, e, por outro lado, reconhecer ter havido «esquemas fraudulentos».
Seja como for, a verdade é que «mesmo descobrindo, não fez grande coisa», concluiu o deputado do PCP, aludindo à acção do Banco de Portugal.