Abrir caminho à alternativa
A «imagem de marca» que fica da sessão legislativa que agora termina é a de um Governo que, «através do orçamento rectificativo, corta nos salários, nas pensões e nas reformas».
Governo não foi mais longe na sua acção destruidora graças à luta dos trabalhadores e do povo
Este balanço sumário é do Secretário-geral do PCP, para quem a circunstância de tudo isto ocorrer no quadro de um acórdão do Tribunal Constitucional, que contraria tais cortes, só vem demonstrar que continua a afronta a este órgão de soberania, ou seja à Constituição da República.
Para Jerónimo de Sousa está-se assim em presença de um «conflito institucional claro» que «só não tem mais consequências» porque existe a «posição cúmplice do Presidente da República» numa «matéria tão sensível» como é esta do corte dos salários, das pensões e das reformas.
O líder do PCP, que falava aos jornalistas no Parlamento sexta-feira, 25, lembrou que esta política vem no seguimento dos «cortes nos direitos laborais e sociais, do aumento brutal da carga fiscal sobre os trabalhadores e os pequenos empresários», ao mesmo tempo que se mantêm os «benefícios em muitas centenas de milhões de euros ao capital financeiro e aos grupos económicos».
Sublinhado pelo líder comunista foi o facto de a «política de terra queimada» do Governo nestes três anos não ter resolvido nenhum dos problemas em nome dos quais foi levada a cabo, designadamente o problema do défice e da dívida. «Depois de tanta destruição de vidas, de empregos, de direitos, a verdade é que o problema do défice não se resolveu e o problema da dívida agravou-se», constatou Jerónimo de Sousa.
PS desaparecido
Daí a «actualidade e validade» que, do seu ponto de vista, tem a «exigência de demissão deste Governo e a convocação de eleições antecipadas».
Depois de garantir que esta é uma «batalha» da qual o PCP não abdica, e embora reconheça que não é «condição suficiente», considerou-a «condição importante para abrir caminho a uma alternativa a esta política de desastre que está a fustigar os portugueses e o nosso País».
Jerónimo de Sousa expressou ainda a convicção de que este Governo «só não foi mais longe» nos seus intentos destruidores graças à «luta dos trabalhadores, das populações, que defenderam os seus direitos, defenderam os serviços públicos, combateram as privatizações».
«E é pela luta, pela convergência dos democratas e dos patriotas, que se conseguirá encontrar a alternativa», confia Jerónimo de Sousa, adiantando «não contar nesta batalha com o PS, desaparecido em combate, virado para dentro, mais preocupado com os mesmos do costume, dos companheiros de 37 anos de política de direita».
O dirigente comunista afirmou ainda acreditar que os portugueses «já viram o suficiente das malfeitorias» de que este Governo é capaz para que «um dia decidam pôr termo a isto», interrompendo este «caminho para o desastre», e encarando a «possibilidade de uma política patriótica e de esquerda», com a qual «muitos portugueses se revêem».
Porque está na «hora de dizer basta», e é «necessária uma política alternativa».