Jerónimo de Sousa apela à luta e à convergência dos democratas

Abrir caminho à alternativa

A «imagem de marca» que fica da sessão legislativa que agora termina é a de um Governo que, «através do orçamento rectificativo, corta nos salários, nas pensões e nas reformas».

Governo não foi mais longe na sua acção destruidora graças à luta dos trabalhadores e do povo

Image 16416

Este balanço sumário é do Secretário-geral do PCP, para quem a circunstância de tudo isto ocorrer no quadro de um acórdão do Tribunal Constitucional, que contraria tais cortes, só vem demonstrar que continua a afronta a este órgão de soberania, ou seja à Constituição da República.

Para Jerónimo de Sousa está-se assim em presença de um «conflito institucional claro» que «só não tem mais consequências» porque existe a «posição cúmplice do Presidente da República» numa «matéria tão sensível» como é esta do corte dos salários, das pensões e das reformas.

O líder do PCP, que falava aos jornalistas no Parlamento sexta-feira, 25, lembrou que esta política vem no seguimento dos «cortes nos direitos laborais e sociais, do aumento brutal da carga fiscal sobre os trabalhadores e os pequenos empresários», ao mesmo tempo que se mantêm os «benefícios em muitas centenas de milhões de euros ao capital financeiro e aos grupos económicos».

Sublinhado pelo líder comunista foi o facto de a «política de terra queimada» do Governo nestes três anos não ter resolvido nenhum dos problemas em nome dos quais foi levada a cabo, designadamente o problema do défice e da dívida. «Depois de tanta destruição de vidas, de empregos, de direitos, a verdade é que o problema do défice não se resolveu e o problema da dívida agravou-se», constatou Jerónimo de Sousa.

PS desaparecido

Daí a «actualidade e validade» que, do seu ponto de vista, tem a «exigência de demissão deste Governo e a convocação de eleições antecipadas».

Depois de garantir que esta é uma «batalha» da qual o PCP não abdica, e embora reconheça que não é «condição suficiente», considerou-a «condição importante para abrir caminho a uma alternativa a esta política de desastre que está a fustigar os portugueses e o nosso País».

Jerónimo de Sousa expressou ainda a convicção de que este Governo «só não foi mais longe» nos seus intentos destruidores graças à «luta dos trabalhadores, das populações, que defenderam os seus direitos, defenderam os serviços públicos, combateram as privatizações».

«E é pela luta, pela convergência dos democratas e dos patriotas, que se conseguirá encontrar a alternativa», confia Jerónimo de Sousa, adiantando «não contar nesta batalha com o PS, desaparecido em combate, virado para dentro, mais preocupado com os mesmos do costume, dos companheiros de 37 anos de política de direita».

O dirigente comunista afirmou ainda acreditar que os portugueses «já viram o suficiente das malfeitorias» de que este Governo é capaz para que «um dia decidam pôr termo a isto», interrompendo este «caminho para o desastre», e encarando a «possibilidade de uma política patriótica e de esquerda», com a qual «muitos portugueses se revêem».

Porque está na «hora de dizer basta», e é «necessária uma política alternativa».



Mais artigos de: Assembleia da República

Contra o Trabalho e a Constituição

Com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS e os votos contra de todas as oposições o Parlamento aprovou a reintrodução dos cortes entre 3,5% e 10% nos salários do sector público acima dos 1500 euros.

Travar o desmantelamento

LUSA Reagindo ao resultado da avaliação feita pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) às instituições científicas, avaliação necessária para que estas captem fundos para os próximos cinco anos, a...

Pôr cobro ao genocídio

Um voto do PCP de condenação pela «agressão militar de Israel contra a população palestiniana», com a exigência do «seu fim imediato e incondicional», foi chumbado no Parlamento, sexta-feira passada, com os votos contra do PSD, do CDS-PP e de 10 deputados...

Não à repressão na Ucrânia

Um outro voto do PCP – de «condenação pela situação na Ucrânia e de solidariedade pelo povo ucraniano» – foi inviabilizado pelos votos contra de PSD, CDS-PP e PS, recebendo os votos favoráveis, além dos deputados comunistas, do PEV e BE. Na sua parte deliberativa, o texto solidariza-se «com as populações vítimas das...

O fragilizar da produção

Com a «veemente oposição» do PCP foi aprovado na AR, apenas com os votos da maioria PSD/CDS-PP, em votação final global, a proposta de lei que altera os estatutos da Casa do Douro, abrindo caminho à sua transformação em...