Riso de mau gosto
Imagem que fica deste debate é a da gargalhada grotesca do primeiro-ministro quando o Secretário-geral do PCP falava dos desmandos da Banca, que tão caro têm custado aos portugueses (ver intervenção de Jerónimo de Sousa na pág. 15).
Cara de gozo que não pôde deixar de chocar os portugueses que a viram pela televisão e que mereceu a imediata reacção do líder comunista. Lembrou este que ainda há pouco mais de um mês era Passos Coelho que afiançava que «estava tudo bem no Banco Espírito Santo (BES), que este não precisava de ajuda, não precisava de qualquer intervenção, que estava tudo regulado».
«E agora ri-se perante uma situação que está cada vez mais complicada?!», indignou-se Jerónimo de Sousa, antes de exortar o chefe do Governo a ter «sentido de responsabilidade», face ao que admitiu ser «um caso sério» que pode custar muito aos portugueses.
Preocupação com tudo o que tem vindo a público sobre o BES foi igualmente expressa pelo deputado comunista Francisco Lopes. «Como se não bastassem as benesses concedidas ao grande capital, como se não bastassem os escândalos que envolvem a Banca, aí temos a situação do BES», assinalou.
Do seu ponto de vista, esta é uma situação que coloca na ordem do dia a «exigência da intervenção do Estado para evitar que o deixar degradar a situação venha a servir para justificar o injustificável, a nacionalização dos prejuízos seja qual for a forma que venha a assumir».
António Filipe voltaria ao tema da Banca para também aconselhar Passos Coelho a «não se rir na cara dos portugueses». É que, explicou, todos aqueles que sofreram cortes nos salários e nas reformas, bem como nas funções sociais do Estado, e que têm pago do seu bolso os desmandos da Banca, «não acham certamente piada terem de pagar essa factura para que os banqueiros se possam rir com o primeiro-ministro».
Já que tanto se fala dos «sacrifícios dos portugueses» é bom que se tenha respeito por estes e pelas duras provações a que têm sido sujeitos, exigiu o deputado do PCP.
Registe-se, entretanto, que o PCP requereu a presença do governador do Banco de Portugal para que este preste esclarecimentos na Assembleia da República sobre o caso.