Censura do povo fez-se ouvir no Parlamento

Guia de marcha

«Vão-se embora, parem de estragar a vida aos trabalhadores, aos reformados, ao povo português!». Assim traduziu o deputado comunista Francisco Lopes o clamor popular que tem ecoado pelo País, e que as eleições do dia 25 de Maio ampliaram de modo iniludível.

Foi essa voz que o PCP fez ouvir na AR, traduzindo a rejeição do povo por um Governo e uma política responsáveis pelo «agravamento brutal da exploração, a redução do poder de compra, o aumento dos impostos sobre os trabalhadores, os reformados e a população, o empobrecimento, o desemprego, a precariedade, a emigração forçada»

Rejeição, ainda, prosseguiu Francisco Lopes, pela «destruição e devastação que quer continuar a fazer», nomeadamente com os «cortes nos salários e nas pensões, com a destruição da contratação colectiva (para diminuir ainda mais os salários, liquidar direitos e prolongar a extorsão da remuneração das horas extraordinárias e do trabalho em dias de descanso semanal), com as alterações à legislação laboral».

E por isso não hesitou em considerar que o «fim do Governo é agora uma questão de tempo». «O povo português disse-o de forma avassaladora e vai passar-lhe a guia de marcha, para pôr termo ao caminho de desastre, para que os valores de Abril marquem o futuro de Portugal», concluiu Francisco Lopes, interpelando de forma directa o chefe do Governo.

 



Mais artigos de: Assembleia da República

Censura do povo fez-se ouvir no Parlamento

Censurado na rua, censurado nas urnas, censurado institucionalmente pela sua continuada afronta à Constituição, o Governo não escapou também à iniciativa do PCP de o censurar no Parlamento.

«É o Governo que põe em causa o futuro»

(...) São hoje mais e mais fortes os motivos para que seja considerada como a mais necessária e democrática solução para dar uma outra resposta aos graves problemas que o País enfrenta – a dissolução da Assembleia da...

Verdade e coerência

Em várias fases do debate foi notória a guerrilha entre PSD e PS, com o primeiro a tentar tirar partido das incoerências e ambiguidades do segundo. «Dirimam os conflitos, resolvam lá isso mas não perturbem a nossa moção de censura desviando-se do que é...

Vale tudo

A caricatura e distorção das posições do PCP, prática em que a maioria PSD/CDS-PP é useira e vezeira, perpassou de forma também muito vincada nas intervenções do primeiro-ministro. Este, aliás, certamente por sentir o terreno a fugir-lhe debaixo dos...

Falsificações

Uma «caracterização grotesca». Foi nestes termos que o deputado comunista António Filipe definiu a avaliação de Passos Coelho às propostas do PCP, acusando-o de «falsificação intencional». Estabelecendo o guião que serviria de mote...

Legitimidade perdida

A questão da perda de legitimidade do Governo e da maioria parlamentar que o sustém esteve presente em vários momentos do debate. Para o PCP não há qualquer dúvida de que este Governo é hoje um governo sem legitimidade social, política e eleitoral. E perante um...

«Comissão de negócios»

«Um Governo ao serviço dos bancos e dos monopólios, que usa o poder legislativo contra o povo e contra os trabalhadores, contra os jovens e idosos, contra a Constituição», assim caracterizou o deputado comunista Miguel Tiago o actual Executivo PSD/CDS-PP. Admitiu mesmo estar-se em...

A única saída

Paula Santos foi directa ao assunto e acusou o primeiro-ministro de insistir, não obstante a derrota na rua e nas urnas, em ir mais longe na política de encerramento e privatização de serviços públicos, restrição dos direitos sociais consagrados na...

A grande mentira

Perpetuar a política de empobrecimento é hoje a única perspectiva que o Governo tem para oferecer aos portugueses. É o «empobrecimento sem fim», chamou-lhe o deputado comunista Paulo Sá. A comprová-lo está o Documento de Estratégia Orçamental...

Mais impostos

Do debate ficou ainda a certeza de que o primeiro-ministro não descarta a possibilidade de um aumento de impostos. Desafiado pela deputada do PEV Heloísa Apolónia a esclarecer se admitia um aumento da taxa normal do IVA, em face de uma decisão desfavorável do Tribunal Constitucional...