Cresce onda de apoio e confiança
Está a crescer o apoio popular à CDU. Sábado passado, 17, no Barreiro, um grande comício com mais de mil pessoas testemunhou, a meio da campanha oficial – e no dia da anunciada «saída limpa» do chamado programa de intervenção da troika –, como, a cada dia que passa, enche mais e mais essa vaga formada pelos que encontram na Coligação a única força que verdadeiramente defende na União Europeia os interesses de Portugal e dos portugueses.
Dar mais força à CDU é afirmar que com a força do povo é possível um Portugal com futuro
Uma recepção calorosa e um ambiente de enorme simpatia e confiança aguardava Jerónimo de Sousa e João Ferreira nesse histórico pólo industrial e centro ferroviário que é o Barreiro. No Largo S. Francisco Xavier, em Santo André, fechava assim da melhor maneira mais um dia de campanha inteiramente preenchido até aí por acções de contacto e esclarecimento desenvolvidas por ambos em roteiros autónomos.
O Secretário-geral do PCP, face à «imensa multidão» que tinha pela frente, considerou por isso ser este um «comício à altura do Barreiro, das suas tradições democráticas, do seu apoio à CDU».
«A CDU avança, com toda a confiança», foi, de resto, a palavra de ordem mais repetida, a começar logo no período de animação musical preenchido pela voz e guitarra de Filipe Narciso e que antecedeu as intervenções políticas.
E o primeiro orador que Alexandra Silvestre, do executivo da concelhia do PCP, convidou para subir ao palco e dirigir o comício foi Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal, que, depois de chamar para a mesa candidatos, mandatários e responsáveis locais e nacionais das forças que integram a CDU, lembrou ser o Barreiro, como aliás todo o distrito de Setúbal, «uma região de combate, resistência, luta, proposta e construção».
Rasto de miséria
Susana Silva, do PEV, candidata da CDU, teceu severas críticas ao Governo por apenas «defender os interesses dos grandes grupos económicos», estendendo-as ao PS por «ter sido cúmplice do PSD e do CDS-PP», bem como ao Presidente da República a quem acusou de «comprometimento com esta política».
Intervindo de seguida, o cabeça de lista da CDU, João Ferreira, abordou a propaganda da «saída limpa» para concluir que «para o povo e o País» esse slogan não tem qualquer sentido. Isto porque, advertiu, o que o acordo entre Governo e troika prevê é que «até 2038 o País esteja sujeito a vigilância reforçada», o mesmo é dizer que pretendem prosseguir e aprofundar as medidas de ataque à saúde, ao ensino, à Segurança Social, aos salários e pensões.
Não há saída limpa quando o que fica desta troika é um «rasto de destruição, pobreza e miséria», referiu, sublinhando que os únicos que têm razões para falar de «saída limpa são os banqueiros, os que ganharam milhões com os contratos SWAP ou com as PPP, os milionários que viram aumentar as suas fortunas.
Acusou ainda a troika de agir com a «arrogância dos colonos que chegam às colónias e dizem: não pensem que isto vai mudar». E não poupou o Governo por protagonizar «um acto de vassalagem», numa alusão ao conselho de ministros realizado nesse mesmo dia.
O logro
O tema da «saída limpa» viria a ser retomado por Jerónimo de Sousa, que a apelidaria de «logro», asseverando que não só «não há saída nenhuma» como «o que sobrou é uma pesada factura para os trabalhadores e o povo, que estão a pagar com desemprego e exploração do trabalho, catástrofe social, depressão económica, impostos brutais, empobrecimento e agravamento das condições de vida de milhões de portugueses, serviços públicos degradados, agravamento dos principais problemas nacionais e hipoteca do desenvolvimento e futuro do País».
Depois de demonstrar de forma circunstanciada quanto acertadas foram as análises do PCP sobre as consequências das políticas e decisões de quem nos últimos anos tem governado o País, o líder comunista referiu que é chegada a hora de mostrar a todos os responsáveis pela situação – aos que assinaram o pacto de agressão, PS, PSD e CDS-PP, e quem foi cúmplice como o Presidente da República – o mais vivo repúdio pelas suas opções, «dando o voto àqueles que falaram verdade, a CDU».
Fazer sofrer o povo
Posto por si a nu o verdadeiro conteúdo e objectivos do PEC 4 do PS (pouco se diferenciando do pacto de agressão), Jerónimo de Sousa mostrou depois que todas as medidas das políticas de austeridade e do pacto de agressão foram um «autêntico assalto ao bolso dos trabalhadores e das populações», sem que isso se tenha traduzido na resolução de «nenhum dos nossos verdadeiros problemas» ou aberto caminho à sua solução.
Defendeu por isso que quem executou e quem aceitou esse pacto brutal «não tem razões para pedir o voto aos portugueses». «Poder, podem! Mas só significa afinal que os três juntos ou separados tentarão prosseguir a sua política de austeridade e sofrimento do povo», acrescentou o líder do PCP.
Esse propósito é de resto bem visível em documentos como o DEO (Documento de Estratégia Orçamental), advertiu Jerónimo de Sousa, frisando que nele se confirma a intenção de continuar com novos cortes, mais impostos, mais medidas penalizadoras dos rendimentos da maioria dos portugueses. «Política de voragem» que está também espelhada, prosseguiu, nas novas propostas do Governo de alteração das leis laborais (liquidação da contratação colectiva), na «nova versão da falsa reforma do Estado que abre as portas ao plafonamento das contribuições para a Segurança Social, à privatização da saúde e da educação».
Só gritaria
A proclamada «mudança» de que falam todos os que são responsáveis pela situação do País e com a qual alimentam a «campanha de mistificação e mentira» que eles próprios lançam, uns e outros, foi também objecto de análise de Jerónimo de Sousa, que concluiu que se os cabeças de lista do PS e do PSD trocassem de papéis na campanha não se dava pela diferença. «A gritaria de pseudo oposição mantinha-se e em relação ao essencial não haveria diferenças», sustentou, defendendo ser essa a razão pela qual o PCP defende que «não haverá saída sem uma ruptura com a política de direita, sem a derrota deste Governo, a sua demissão e a convocação de eleições».
A falsa mudança
«Promessas vãs, falsas promessas» é o que faz o PS quando fala de «mudança», denunciou João Ferreira, que lembrou que aquele partido «sempre esteve comprometido com o programa da troika», tal como nestes 37 anos de política de direita, alternadamente, foi responsável pela política que levou por exemplo à destruição da nossa indústria e das nossas pescas.
Sublinhado pelo primeiro candidato da CDU foi ainda o facto de nenhum dos outros candidatos, do PS e do PSD/ CDS-PP, ter respondido ao seu desafio para que apontem uma coisa importante para o País ou com impacto na vida dos portugueses – uma única que seja – em que PS e PSD ou CDS-PP tenham votado de forma diferente entre si.
«Não responderam nem vão responder porque em todas as decisões políticas lá estiveram as assinaturas de PS, do PSD e do CDS-PP», afirmou João Ferreira, convicto de que a «única saída para o povo passa pela ruptura com esta política», por o País «recuperar o que é seu e os trabalhadores e reformados recuperarem salários e pensões».
Com a força do povo
Desenvolvidas pelo Secretário-geral do PCP foram as linhas diferenciadoras da política com que a CDU se apresenta a estas eleições, observando que são propostas que correspondem aos interesses mais profundos do nosso povo, e que comprovam que há alternativa e um outro rumo para defender os interesses do povo e do País.
A essa alternativa dedicou ainda Jerónimo de Sousa parte da sua intervenção, assinalando que a mesma, entre outros eixos, passa pela rejeição do «programa ilegítimo de submissão externa que permanece, das imposições supranacionais e das políticas do Tratado Orçamental e do Euro e das suas regras de chumbo sobre a dívida e o défice», bem como pela renegociação da dívida.
É por isso que «dar mais força à CDU», como afirmou o Secretário-geral do PCP, é «afirmar que com a força do povo é possível um Portugal com futuro, numa Europa dos trabalhadores e dos povos».
Arruada em Benfica
Reforçar a CDU em número de votos e, consequentemente, em mandatos; concretizar nas urnas a exigência de demissão deste Governo, e abrir caminho à derrota desta política e à construção da alternativa, patriótica e de esquerda. Estes são os objectivos que a Coligação PCP-PEV pretende alcançar no próximo dia 25, disse Jerónimo de Sousa no final de uma arruada em Benfica, na manhã de sábado, 17, na qual também participaram as candidatas ao Parlamento Europeu Joana Manuel e Graciete Cruz.
Travar ímpeto destruidor
Numa campanha em que a CDU afirma os valores de Abril como centrais na construção de um Portugal soberano e de progresso económico e social, Jerónimo de Sousa deslocou-se a Queluz, Sintra, para um almoço de comemoração dos 40 anos da Revolução.
«Vasco Gonçalves presidiu a quatro dos cinco governos provisórios, sendo esse o período mais criativo e intensamente revolucionário», lembrou Baptista Alves, o primeiro a intervir, isto antes de realçar as conquistas que transformaram Portugal e a vida de milhões de portugueses.
«Estamos a oito dias de mais um importante combate: as eleições para o Parlamento Europeu», sufrágio que, para o militar de Abril, se reveste de «especial significado (...) porque a derrota das políticas de direita que nos conduziram à ruína será mais uma afirmação dos valores de Abril».
Ovo e galinha
O mote foi aproveitado por Jerónimo de Sousa, que lembrou que «entre as conquistas da Revolução» está «o direito de eleger e ser eleito». Para o Secretário-geral do PCP, é compreensível que muitos portugueses se sintam desmotivados depois de confiarem em partidos que traíram o seu voto. «É nesse contexto que insistimos que, a 25 de Maio, trata-se de eleger para o Parlamento Europeu quem defende os interesses de Portugal e dos portugueses», disse.
No dia em que Governo, Presidente da República, e candidatos da Aliança Portugal se desdobraram em propaganda sobre a suposta saída da troika, Jerónimo de Sousa frisou que FMI, BCE e UE «deixam cá o ovo» para «este Governo chocar». «O ovo da política de direita», pelo que, reiterou, o próximo domingo deve ser o dia da derrota «desse ímpeto destruidor» que as troikas dizem ser imparável, mas que pode ser travado. «Quando dizem que não podemos. Nós dizemos: ai podemos, podemos. Os portugueses podem!», afirmou.
Reforçar em Cascais
Jerónimo de Sousa, acompanhado por dezenas de activistas da CDU, contactou com populares e comerciantes no centro da Parede, Cascais, tendo recebido palavras de incentivo e confiança. No final da iniciativa realizada a meio da tarde de sábado, 17, o Secretário-geral do PCP salientou que o bom ambiente em torno da Coligação PCP-PEV tem de se traduzir em votos, e lembrou a necessidade de prosseguir e intensificar a campanha de esclarecimento e mobilização.
Distrito de Setúbal
As acções de campanha de João Ferreira no sábado decorreram todas no distrito de Setúbal. Houve contactos directos com a população no Montijo, em Setúbal e Seixal, tendo ainda almoçado com apoiantes na Quinta do Conde (Sesimbra). O dia fechou em grande com o comício no Barreiro.