Crise na Ucrânia

EUA apostam na barbárie

O De­par­ta­mento de Es­tado norte-ame­ri­cano pla­neia re­or­ga­nizar o Sector de Di­reita (SD), or­ga­ni­zação ne­o­nazi que está na di­an­teira da ofen­siva cri­mi­nosa no Leste da Ucrânia, onde a po­pu­lação re­jeita viver sob o jugo fas­cista.

Aos EUA não in­co­moda que o Sector de Di­reita seja ne­o­nazi

Uma in­ves­ti­gação do jornal Iz­vestia re­lata que, no final do pas­sado mês de Abril, um di­ri­gente do SD es­teve mesmo em Washington a ne­go­ciar a pro­posta de re­or­ga­ni­zação do SD, avan­çada, em pri­meira mão, pela sub­se­cre­tária dos EUA, Vic­toria Nu­land. O pe­rió­dico, que tem entre as suas fontes um alto fun­ci­o­nário do Mi­nis­tério do In­te­rior russo, ga­rante igual­mente que os EUA têm pre­pa­rado um pa­cote fi­nan­ceiro de 10 mi­lhões de dó­lares para ajudar na con­so­li­dação do par­tido po­lí­tico em todo o ter­ri­tório, exi­gindo, como con­tra­par­tida, que o SD de­sarme as suas mi­lí­cias após a re­a­li­zação das «elei­ções» na Ucrânia, agen­dadas para 25 de Maio.

O plano de re­con­fi­gu­ração da or­ga­ni­zação só não terá ainda avan­çado de­vido à ex­po­sição do SD na ma­tança ocor­rida em Odessa, no pas­sado dia 2 de Maio, da qual re­sul­taram cerca de 100 mortos e de­zenas de fe­ridos.

Aos EUA não in­co­moda que o SD seja ne­o­nazi, tanto mais que não le­vantou qual­quer obs­tá­culo ao seu en­vol­vi­mento no der­rube das au­to­ri­dades ucra­ni­anas, pelo con­trário, nem tem re­pu­diado o papel que de­sem­pe­nham os mi­li­tantes nazi-fas­cistas na vaga cri­mi­nosa em curso contra o Leste da Ucrânia.

In­for­ma­ções di­fun­didas por agên­cias no­ti­ci­osas in­dicam que a Guarda Na­ci­onal, (cuja es­pinha dorsal do ba­ta­lhão já for­mado e da nova uni­dade de com­bate em for­mação são mem­bros do SD, con­forme es­tava pre­visto), está na di­an­teira da ofen­siva san­grenta que, por estes dias, ocorre em ci­dades como Ma­riupol, Sla­vi­ansk ou Kras­no­ar­meisk. Ata­ques que es­tarão a ser re­a­li­zados, ainda, com con­tin­gentes das forças ar­madas ucra­ni­anas, e com mer­ce­ná­rios da ex-Blackwater, re­ve­laram, por seu lado, meios de co­mu­ni­cação so­cial ger­mâ­nicos.

No Leste da Ucrânia, a po­pu­lação das re­giões de Do­netsk e Lu­gansk su­fragou, do­mingo, 11, a pro­posta se­ces­si­o­nista dos an­ti­gol­pistas. No Baixo Don re­jeitou-se, so­bre­tudo, viver sob o jugo fas­cista. As au­to­ri­dades de Do­netsk e Lu­gansk mos­tram os re­sul­tados da atri­bu­lada con­sulta para se le­gi­ti­marem e rei­te­rarem a de­cla­ração de in­de­pen­dência.

A Rússia in­sistiu, en­tre­tanto, que Kiev tem de ne­go­ciar com os se­pa­ra­tistas do Leste e aceita o ro­teiro de diá­logo pro­posto pela OSCE, su­bli­nhando que só pelo diá­logo é pos­sível travar a es­ca­lada do con­flito, mas os gol­pistas re­cusam e se­guem o guião da con­fron­tação, que os factos de­nun­ci­ados evi­den­ciam servir os pro­pó­sitos im­pe­ri­a­listas.

 



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